Crise no fosfato: paralisação atinge mais da metade da produção nacional
Paralisações em grandes fabricantes já cortaram mais de 50% da produção brasileira de fertilizantes fosfatados, pressionando custos e oferta para a safra 2026/27.

A indústria brasileira de fertilizantes fosfatados entrou em forte retração em 2026. Grandes fábricas reduziram ritmo ou pararam linhas inteiras, e o setor estima que mais de 50% da produção nacional esteja hoje fora de operação. O movimento é puxado pela disparada do preço do enxofre importado e pela perda de competitividade, com impacto direto no custo e na disponibilidade de adubo para a próxima safra.
O que aconteceu
EuroChem e Mosaic, dois dos principais players do mercado de fosfatados no Brasil, anunciaram paralisações e cortes relevantes na produção. No complexo de Serra do Salitre (MG), da EuroChem, cerca de 450 funcionários entraram em regime de layoff, com suspensão temporária dos contratos de trabalho por três meses, prorrogáveis até cinco, reduzindo drasticamente a oferta local de adubos.
A Mosaic, por sua vez, já vinha hibernando unidades em Minas Gerais e Paraná e ampliou a parada em Araxá (MG) e Tapira (MG), além de ajustes em plantas de mistura em outros estados. A companhia cita inviabilidade econômica: o enxofre ficou tão caro que em alguns casos seu custo superou o valor do fertilizante pronto.
Segundo o Sinprifert e a ANDA, a combinação de enxofre caro, restrições de oferta global e margens negativas levou a indústria a cortar mais da metade da produção brasileira de fosfatados desde agosto. Unidades em Sorriso (MT), Palmeirante (TO) e Paranaguá (PR) seguem operando, mas com produção reduzida.
Por que importa para o agro
Fosfatados são base de adubação de culturas como soja, milho, algodão, café e cana. A retração na produção interna aumenta a dependência de importações em um momento de volatilidade cambial e logística pressionada. Para o produtor, isso significa maior risco de alta de preços, restrição de opções de compra e necessidade de planejar a adubação com mais antecedência.
Com entregas totais de fertilizantes já projetadas para cair mais de 10% em 2026 em relação a 2025, o aperto nos fosfatados tende a concentrar o impacto nas regiões de maior consumo, como Cerrado e Sul. Na prática, cooperativas e revendas podem racionar volumes, priorizar clientes com histórico e encurtar prazos de crédito, elevando a importância de negociação antecipada e gestão fina de fertilidade de solo.
Dados e contexto
O setor de fertilizantes vinha de um pico de entregas em 2025. Em 2026, as estimativas discutidas no 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes indicam queda de 49 milhões para 42–45 milhões de toneladas entregues no ano, recuo superior a 10%.
A produção nacional total de fertilizantes deve cair de cerca de 7,2 milhões para 5,8 milhões de toneladas, retração próxima de 19%. Dentro desse volume, os fosfatados são o elo mais afetado, puxados pela escalada do preço do enxofre e por restrições de oferta de ácido sulfúrico.
A ANDA reporta que a fabricação de fertilizantes intermediários encerrou junho de 2026 em 533 mil toneladas, queda de 12,5% frente ao mesmo mês de 2025. No acumulado do semestre, a produção chegou a 2,94 milhões de toneladas, recuo de 16,3%. A associação destaca que boa parte dessa retração está ligada justamente aos fosfatados.
A crise tem origem externa. O Brasil importa quase todo o enxofre que consome, e mudanças na política de exportação de países como a China, incluindo restrições a fósforo e ácido sulfúrico, reduziram a oferta global. Sem subsídio ou alívio tributário sobre o insumo, entidades do setor pedem apoio de cerca de R$ 2 bilhões para manter plantas operando sem prejuízo.
| Indicador (2026) | Situação estimada |
|---|---|
| Entregas totais de fertilizantes | 42–45 mi t (vs. 49 mi t em 2025) |
| Produção nacional total | 5,8 mi t (vs. 7,2 mi t) |
| Queda da produção intermediária (jan–jun) | −16,3% |
| Participação do enxofre no custo do fosfatado | acima de 50% em várias plantas |
O que observar daqui pra frente
Produtores devem acompanhar de perto três pontos: ritmo de retomada das fábricas de EuroChem e Mosaic, decisões do governo sobre subsídio ou desoneração do enxofre e comportamento das importações de fosfatados, especialmente MAP e SSP. Se novas compras de enxofre não se confirmarem nas próximas semanas, parte do parque industrial remanescente pode parar até outubro, elevando o risco de aperto real de oferta para a safra 2026/27 e exigindo ajustes finos na recomendação de adubação, priorização de áreas e uso mais intensivo de análises de solo.
Fontes
- AgFeed - Mais da metade da produção nacional de adubo fosfatado está paralisada
- AgFeed - "Safra Mounjaro" emagrece entregas de fertilizantes
- Portal Imbiara - Mosaic amplia paralisações em Minas Gerais
- BrasilAgro - Setor de fertilizantes pede subsídio para enxofre
- Acrissul - Entregas de fertilizantes caem 5,4% no semestre
- valor.globo.com
- revistacultivar.com.br
- agfeed.com.br
- revistacultivar.com.br
- ftp.portalghf.com.br
- agfeed.com.br
- noticiasagricolas.com.br
- brasilagro.com.br
- freshplaza.com
- forbes.com.br
Continue lendo
PIB do transporte cresce 1,1% no 2º trimestre e ajuda a sustentar a logística do agro
O PIB do transporte avançou 1,1% no 2º trimestre de 2026 e reacende a atenção sobre custos logísticos que pesam no agronegócio.

Produtores pressionam governo por cota para filé de tilápia do Vietnã
Setor de piscicultura quer limitar a 5% as importações de filé de tilápia para conter avanço do produto vietnamita no mercado brasileiro.
Arroba do boi gordo encerra a semana com alta moderada
Boi gordo fechou a semana em alta moderada, com negócios mais firmes e escalas de abate ainda apertadas em parte do país.