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Custos de produção de frango e suíno voltam a subir em agosto, mostra Embrapa

Levantamento da Embrapa aponta alta nos custos de produção de frango de corte e de suínos em agosto, pressionando margens de produtores nos principais estados.

15 de setembro de 2026 4 min de leitura
Custos de produção de frango e suíno voltam a subir em agosto, mostra Embrapa

Os custos de produção de frango de corte e de suínos voltaram a subir em agosto nos principais estados produtores, segundo a Embrapa Suínos e Aves. O movimento ocorre após meses de relativa estabilidade e reacende a pressão sobre margens de produtores, num cenário de preços de insumos ainda elevados e mercado interno com recuperação lenta.

O que aconteceu

O levantamento da Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias), da Embrapa Suínos e Aves, mostra aumento dos índices de custo tanto para o ICPFrango quanto para o ICPSuíno em agosto, considerando sistemas padrão de produção em estados referência como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Na avicultura de corte, o custo por quilo vivo avançou em comparação a julho, puxado principalmente pela alimentação, energia e materiais de uso corrente nas granjas. Na suinocultura, a alta foi semelhante, com impacto concentrado na fase de engorda e nas despesas com nutrição e sanidade.

Os resultados indicam uma interrupção da trajetória de queda ou estabilidade observada em parte do primeiro semestre, recolocando o tema custo de produção no centro das decisões de manejo e comercialização.

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Por que importa para o agro

Alta de custos com insumos e serviços reduz a margem operacional dos produtores, especialmente em sistemas integrados e independentes com menor poder de barganha na compra de ração, medicamentos e energia. Quando o preço pago pelo frango vivo ou pelo suíno não acompanha o avanço dos custos, o risco de descapitalização aumenta.

O movimento também influencia a formação de preços ao longo da cadeia. Frigoríficos e agroindústrias tendem a ajustar contratos e negociações à nova realidade, o que pode se refletir nos preços de carne de frango e suína ao consumidor, em um momento de disputa por mercado e exportações.

Dados e contexto

Embrapa Suínos e Aves calcula mensalmente os índices de custo de produção por meio do ICPFrango e do ICPSuíno, que sintetizam o comportamento de itens como nutrição, mão de obra, sanidade, energia, transporte e depreciação de instalações.

Principais componentes do custo, segundo painéis da Embrapa:

ComponenteParticipação aproximada no custo total
Nutrição (ração)**60%–70%**
Mão de obra5%–10%
Sanidade e bem-estar5%–8%
Energia e aquecimento5%–10%
Outras despesas (manutenção, serviços)5%–10%

Nos últimos meses, os índices da Embrapa mostram que, mesmo em períodos pontuais de recuo, os custos acumulados em 12 meses seguem em patamar elevado para aves e suínos. Em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pequenas variações mensais representam forte impacto em sistemas intensivos, com alta conversão de insumos em quilo vivo.

O cenário dialoga com dados de mercado de grãos levantados por instituições como Conab e USDA, que apontam preços de milho e farelo de soja ainda sensíveis à oferta global e ao câmbio, afetando diretamente o custo de ração, principal item da planilha do produtor.

O que observar daqui pra frente

Produtores de frango e suínos devem acompanhar de perto a evolução dos índices de custo da Embrapa, os relatórios de oferta e demanda de milho e soja e o comportamento dos preços ao produtor. A combinação de custos firmes, câmbio volátil e possível ajuste nos preços da carne pode abrir oportunidades de negociação mais estruturada com integradoras, revisão de manejo para ganho de eficiência e uso de ferramentas de gestão de risco, mas também tende a exigir maior disciplina financeira nas granjas.

Fontes

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