Mercado

Santander vê início de ajuste global na celulose, ainda sem reflexo no Brasil

Relatório do Santander aponta cortes de capacidade na celulose no exterior, mas avalia que o ajuste da oferta ainda não chegou ao Brasil.

15 de setembro de 2026 4 min de leitura
Santander vê início de ajuste global na celulose, ainda sem reflexo no Brasil

O Santander publicou relatório apontando que o mercado global de celulose entrou em fase de ajuste da oferta, com cortes de produção e fechamentos de fábricas, sobretudo de fibra longa no hemisfério Norte.[3] Para o banco, esse movimento deve ajudar a reequilibrar preços e margens no setor, mas o ajuste ainda não chegou de forma plena ao Brasil, onde a capacidade segue elevada.[3][15]

O que aconteceu

Segundo o relatório, o mercado deixou para trás paradas temporárias de produção e entrou numa etapa de fechamentos definitivos de plantas de celulose.[3] O foco está em produtores de fibra longa, mais concentrados na América do Norte e Europa, que enfrentam custos altos e demanda mais fraca.[3]

Desde o início do ano, empresas anunciaram paradas e cortes que somam cerca de 6,4 milhões de toneladas por ano de celulose, principalmente de fibra longa.[3] Deste volume, aproximadamente 2,4 milhões de toneladas já saíram efetivamente do mercado em 2026, reduzindo a oferta global.[3]

O Santander calcula que seriam necessários cerca de 1,2 milhão de toneladas/ano de corte adicional para devolver ao setor uma taxa de utilização em torno de 90%, patamar considerado saudável pela indústria.[3] Os fechamentos já comunicados para 2026 somam aproximadamente 1,45 milhão de toneladas anuais, acima do que o banco considera necessário para esse reequilíbrio.[3]

Imagem

Por que importa para o agro

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de celulose de fibra curta, usada em papéis de impressão, higiene e embalagens. Com a oferta internacional de fibra longa encolhendo, o cenário tende a sustentar preços globais de celulose em patamar mais firme, favorecendo empresas brasileiras integradas, como Suzano e Klabin, e toda a cadeia florestal.[3][1]

Para o produtor rural ligado a florestas plantadas, o ajuste da oferta lá fora pode significar contratos mais estáveis e projetos de expansão mantidos, ainda que o mercado doméstico siga mais competitivo e com margens apertadas em alguns segmentos de papel e embalagem.[4][15] O movimento reforça a importância de eficiência operacional, manejo profissional das florestas e diversificação de clientes.

Dados e contexto

O relatório do Santander aponta três pontos centrais:

Indicador do ajusteEstimativa do Santander
Cortes anunciados de capacidade em 2026**6,4 milhões t/ano** de celulose, principalmente fibra longa[3]
Volume já efetivamente retirado do mercado**2,4 milhões t/ano** em 2026[3]
Cortes necessários para utilização de 90%cerca de **1,2 milhão t/ano**[3]
Fechamentos já comunicados para 2026**1,45 milhão t/ano**, acima do necessário[3]

Em relatórios anteriores, o banco já vinha indicando expectativa de preços acima de US$ 740/t no curto prazo, nível superior ao custo marginal da indústria, hoje próximo de US$ 580/t, e reforçando preferência por exposição em empresas brasileiras de papel e celulose.[6][12]

Além disso, executivos da Suzano relatam forte demanda da China, com produtores locais reduzindo produção própria para comprar celulose de terceiros diante dos preços e da falta de competitividade de algumas plantas.[1] Esse quadro acelera o esvaziamento de capacidade marginal e abre espaço para aumentos graduais de preços, como o reajuste de US$ 20/t anunciado para a China em 2025.[1]

O que observar daqui pra frente

Produtores e investidores devem acompanhar três frentes: novos anúncios de fechamentos definitivos de fábricas de fibra longa, movimentos de reposição de estoques na China e Europa e eventuais decisões de expansão ou postergação de projetos de celulose no Brasil.[1][3][15] Se o ajuste da oferta seguir firme e a demanda global não recuar, o Brasil tende a se beneficiar de um ciclo mais favorável de preços e margens, reforçando a competitividade das florestas plantadas nacionais.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo