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Demanda fraca derruba preço da ureia, mas troca continua ruim para o produtor

Mesmo com queda da ureia no mercado internacional, relação de troca com soja e milho segue desfavorável e mantém produtor em compasso de espera.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
Demanda fraca derruba preço da ureia, mas troca continua ruim para o produtor

A ureia está mais barata no mercado internacional, puxada por demanda enfraquecida e maior oferta, mas isso ainda não se traduz em boa oportunidade de compra para o produtor brasileiro. A relação de troca com soja e milho segue desfavorável, o que mantém o agricultor cauteloso na reposição de fertilizantes para os próximos plantios.

O que aconteceu

As cotações internacionais da ureia recuaram nas últimas semanas, pressionadas por menor ritmo de compras em importantes regiões consumidoras e por oferta mais folgada. Com isso, os preços em dólares caíram nos principais portos, reduzindo o patamar observado no início do ano.

No Brasil, esse movimento ajudou a aliviar parte da pressão sobre os custos de adubação, mas o câmbio e as margens apertadas da lavoura limitam o ganho real do produtor. Mesmo com a queda, o fertilizante ainda está caro quando comparado ao preço atual de soja e milho.

Consultorias de mercado apontam que muitos agricultores vinham postergando a compra justamente à espera de uma virada na relação de troca. A melhora, porém, foi parcial: a conta não fecha de forma confortável e a movimentação segue abaixo do normal para o período.

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Por que importa para o agro

A ureia é uma das principais fontes de nitrogênio usadas em culturas como milho, trigo, algodão e pastagens. Quando a relação de troca se mantém desfavorável, o produtor tende a alongar decisões, negociar volumes menores ou buscar alternativas mais baratas, o que pode afetar o nível tecnológico da lavoura.

Se a compra for empurrada muito para frente, o risco é concentrar a demanda em janelas curtas, pressionando preços na curva e apertando a logística em portos, misturadoras e transporte interno. Isso pode gerar gargalos na entrega e aumentar o risco operacional perto do plantio.

Dados e contexto

Segundo a ANDA, o Brasil importou cerca de 38 milhões de toneladas de fertilizantes em 2024, mantendo forte dependência externa. A ureia responde por uma fatia relevante dos adubos nitrogenados consumidos no país. Com mais de 80% da demanda nacional atendida por importações (dados MAPA/Embrapa), a formação de preços está diretamente ligada ao mercado internacional e ao dólar.

No lado dos grãos, a Conab estima safra brasileira de soja acima de 150 milhões de toneladas e de milho acima de 115 milhões de toneladas nas últimas safras, o que aumenta a exposição do produtor à volatilidade de preços. Quando o grão cai e o fertilizante recua menos, a troca piora.

Exemplo simplificado de relação de troca:

IndicadorSituação recente (ilustrativa)

| Ureia (t, porto BR) | queda em US$ frente a 2024 | | Soja (saca, mercado interno) | preços pressionados | | Saca de soja por t de ureia | relação ainda elevada |

Mesmo com o recuo da ureia, a quantidade de sacas de soja ou milho necessária para comprar uma tonelada de fertilizante continua acima da média histórica, segundo consultorias privadas. Isso explica a cautela na formação de pacote tecnológico para a próxima safra.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar a combinação entre preço internacional da ureia, câmbio, prêmios nos portos e recuperação (ou não) dos preços de soja e milho. Se o grão reagir e o fertilizante seguir pressionado para baixo, a relação de troca pode melhorar e destravar compras. Caso contrário, o movimento será de compras parceladas, maior busca por barganha com fornecedores e, em alguns casos, ajustes na adubação e no uso de fontes alternativas de nitrogênio.

Fontes

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