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Dependência do Brasil em fertilizantes acende alerta para o agro

Análise mostra que a forte dependência externa em fertilizantes é risco estratégico para o agronegócio brasileiro e exige política de longo prazo.

16 de maio de 2026 4 min de leitura
Dependência do Brasil em fertilizantes acende alerta para o agro

A forte dependência do Brasil de fertilizantes importados voltou ao centro do debate. Em análise no Canal Rural, Miguel Daúd classificou o tema como estratégico para o país, ao lembrar que choques externos recentes expuseram a fragilidade da cadeia de insumos. O risco de desabastecimento e de disparada de custos preocupa produtores, que veem a rentabilidade da safra diretamente atrelada a esse mercado.

O que aconteceu

No programa, Daúd destacou que o Brasil se consolidou como potência agrícola, mas continua importando a maior parte dos fertilizantes usados na produção de grãos, fibras e carnes. Segundo ele, o país está vulnerável a crises geopolíticas, restrições de exportação de fornecedores e gargalos logísticos globais.

O analista lembrou que a guerra no Leste Europeu e as recentes tensões no Oriente Médio pressionaram preços e disponibilidade de insumos. Para Daúd, a ausência de uma política clara de longo prazo para produção nacional de fertilizantes agrava o problema e compromete a segurança alimentar e econômica.

Ele também criticou a lentidão em destravar projetos de mineração, gás natural e unidades industriais que poderiam ampliar a oferta interna. Na avaliação dele, o tema precisa sair do discurso e entrar na prática, com foco em competitividade e previsibilidade regulatória.

Por que importa para o agro

Os fertilizantes respondem por uma fatia relevante do custo de produção, especialmente em soja, milho, algodão e cana. Qualquer movimento de alta repentina nas cotações internacionais se traduz em aperto de margem para o produtor e em necessidade de capital de giro maior para travar insumos antecipadamente.

A dependência externa também limita o planejamento. Produtores ficam expostos ao câmbio, ao frete marítimo e a decisões políticas de países fornecedores. Sem uma base interna mais robusta, o Brasil corre o risco de perder competitividade global em momentos de crise, justamente quando precisa garantir oferta e aproveitar preços internacionais mais altos.

Dados e contexto

Dados oficiais mostram a dimensão da vulnerabilidade brasileira:

  • O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que consome, segundo o Ministério da Agricultura (MAPA).
  • Em alguns segmentos, como potássicos, a dependência externa passa de 95%.
  • Rússia, China, Canadá, Marrocos e Belarus figuram entre os principais fornecedores, de acordo com o USDA e o MAPA.
  • A Embrapa estima que o uso de fertilizantes cresceu mais de 60% em pouco mais de uma década, impulsionado pela expansão da área e pelo avanço tecnológico.
  • A Conab aponta que o país é um dos maiores consumidores mundiais de NPK, refletindo a intensidade tecnológica do agro brasileiro.
IndicadorEstimativa recente*

| Dependência total de importação | > 80% do consumo | | Dependência em potássicos (K) | > 95% | | Crescimento do uso em 10–15 anos | > 60% |

*Com base em dados de MAPA, Embrapa e Conab.

Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, já classificou o tema como questão de segurança nacional em entrevistas ao Canal Rural, reforçando que choques na oferta de fertilizantes têm impacto direto na inflação de alimentos e na balança comercial.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar três frentes: avanço de projetos internos de produção e mineração, negociações diplomáticas para diversificar fornecedores e possíveis políticas de incentivo ou crédito específicas para fertilizantes. A combinação de planejamento de compras, avaliação de alternativas tecnológicas (manejo mais eficiente, fontes alternativas) e monitoramento de câmbio e geopolítica será crucial para reduzir riscos de custo e garantir estabilidade de produção nas próximas safras.

Fontes

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