Manejo

Dia de campo no RS foca em integração lavoura-pecuária e culturas de inverno

Evento técnico em Não-Me-Toque (RS) discute manejo de culturas de inverno e integração lavoura-pecuária, com foco em produtividade e cobertura de solo.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
Dia de campo no RS foca em integração lavoura-pecuária e culturas de inverno

Um dia de campo em Não-Me-Toque (RS) reúne técnicos, produtores e pesquisadores para discutir, na prática, o uso de culturas de inverno em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP). O foco é mostrar como o manejo correto de pastagens e grãos de inverno aumenta a produtividade, melhora o solo e gera renda fora da safra de verão.

O que aconteceu

O evento ocorre em área experimental no município de Não-Me-Toque, tradicional polo de tecnologia agrícola no Rio Grande do Sul. A programação é organizada em seis estações técnicas, cada uma voltada a um ponto-chave do sistema produtivo no inverno.

Entre os temas estão manejo de aveia, azevém, trigo e outras espécies de cobertura, uso para pastejo e para produção de grãos, definição de épocas de semeadura, adubação, escolha de cultivares e manejo de plantas daninhas. Técnicos também abordam ajuste de taxa de lotação animal e estratégias para evitar pisoteio excessivo e degradação do solo.

Outro destaque do dia de campo é a discussão sobre planejamento da sucessão de culturas, ligando a safra de inverno com soja ou milho de verão. Pesquisadores mostram resultados comparando áreas com solo coberto o ano inteiro com áreas em pousio, incluindo impacto em matéria orgânica, estrutura física e rendimento das culturas subsequentes.

Por que importa para o agro

O Rio Grande do Sul tem forte tradição em culturas de inverno, mas boa parte das áreas ainda é subutilizada, ficando em pousio ou com manejo pouco eficiente. A ILP com pastagens de inverno permite gerar receita adicional com pecuária, sem abrir mão da lavoura de grãos no verão. Em ambiente de margens apertadas, essa combinação ajuda a diluir custos fixos da fazenda.

Além disso, sistemas bem manejados reduzem erosão, aumentam infiltração de água e melhoram a fertilidade do solo. Isso significa maior estabilidade de produtividade em anos de estiagem, problema recorrente no Sul. Eventos como esse dia de campo aproximam o produtor das recomendações técnicas mais atualizadas e aceleram a adoção de práticas mais sustentáveis e rentáveis.

Dados e contexto

Segundo a Embrapa Pecuária Sudeste e a Embrapa Soja, áreas em integração lavoura-pecuária podem registrar incremento médio de 10% a 20% na produtividade de grãos em comparação a sistemas convencionais, quando o manejo de solo e de pastagens é bem conduzido.

No Sul do Brasil, a Embrapa Trigo aponta que:

  • O potencial de uso de culturas de inverno, entre grãos e forragem, ultrapassa 10 milhões de hectares na região.
  • Sistemas com cobertura permanente de solo podem reduzir perdas de solo por erosão em até 80%.
  • Pastagens de aveia e azevém podem sustentar ganhos de peso diários de 0,7 a 1,0 kg/cabeça/dia em bovinos, dependendo de adubação e manejo.
O Censo Agro 2017 do IBGE registrou crescimento da adoção de sistemas integrados no país, tendência reforçada por programas como Plano ABC+ do MAPA, que estimula ILP e ILPF para mitigar emissões e aumentar eficiência no uso da terra.

No Rio Grande do Sul, estados técnicos da Emater-RS e estudos da Embrapa indicam que boa parte das áreas de soja e milho já tem potencial para inclusão de pastagens de inverno, principalmente em propriedades que mantêm rebanho de corte ou leite e buscam reduzir dependência exclusiva da renda da lavoura.

O que observar daqui pra frente

Produtores que participam desse tipo de dia de campo devem avaliar a viabilidade de adaptar o próprio sistema, começando por áreas piloto, com acompanhamento técnico próximo. Fica no radar o impacto da adoção de ILP de inverno sobre custos de alimentação do rebanho, produtividade da safra de verão e necessidade de ajustes na fertilidade do solo. Resultados positivos tendem a acelerar a expansão de sistemas integrados no RS, especialmente em propriedades com bom nível de mecanização e gestão.

Fontes

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