Sustentabilidade

DNA ambiental mapeia fauna marinha no sul da Bahia

Projeto usa DNA ambiental para identificar espécies marinhas em reservas extrativistas no sul da Bahia, apoiando pesca, conservação e gestão costeira.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
DNA ambiental mapeia fauna marinha no sul da Bahia

Um projeto científico no sul da Bahia está usando DNA ambiental (eDNA) para mapear a fauna marinha em reservas extrativistas costeiras. A iniciativa identifica espécies de interesse pesqueiro, ameaçadas e invasoras sem necessidade de captura, gerando dados mais rápidos e menos invasivos para apoiar pescadores, gestores públicos e políticas de conservação.

O que aconteceu

Pesquisadores iniciaram uma campanha de coleta de água em reservas extrativistas marinhas no sul da Bahia. A partir dessas amostras, o time extrai fragmentos de DNA liberados por peixes, invertebrados e outros organismos, que são então comparados com bancos de dados genéticos para identificar as espécies presentes.

O foco está em áreas de uso tradicional por comunidades pesqueiras artesanais. O projeto busca detectar espécies comerciais importantes, espécies ameaçadas e possíveis invasoras, além de monitorar mudanças na composição da fauna ao longo do tempo. As análises permitem avaliar se as reservas estão cumprindo o papel de manter estoques e proteger a biodiversidade.

Os resultados servirão de base para planos de manejo, definição de áreas de proteção e ajustes em regras de pesca local. A metodologia reduz tempo de campo, diminui custos operacionais e evita a mortalidade de indivíduos, comum em métodos de captura tradicional.

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Por que importa para o agro

A cadeia do pescado e da aquicultura marinha depende de estoques saudáveis e previsíveis. Com o eDNA, gestores podem identificar cedo a queda de espécies-alvo, o aumento de predadores ou a entrada de invasores, ajustando esforço de pesca, períodos de defeso e estratégias de manejo. Isso reduz risco de colapso local, melhora a segurança de oferta e dá previsibilidade ao produtor e ao comprador.

Para quem atua em maricultura, restaurantes, indústria de processamento e varejo, a tecnologia aumenta a transparência sobre a origem do pescado. Dados mais finos de biodiversidade costeira ajudam a planejar políticas de ordenamento do litoral, áreas adequadas para cultivos marinhos e zonas de exclusão, reduzindo conflitos entre pesca, turismo, portos e empreendimentos industriais.

Dados e contexto

O uso de DNA ambiental em ambientes aquáticos cresce no mundo. Estudos compilados pela FAO indicam que o eDNA permite detectar espécies raras com maior sensibilidade que métodos tradicionais. Em alguns casos, é possível identificar espécies a partir de 200–500 ml de água, enquanto campanhas de pesca exigem dias de esforço e alto custo logístico.

A Embrapa Pesca e Aquicultura e universidades brasileiras já utilizam ferramentas moleculares para rastrear espécies de peixes, camarões e moluscos, sobretudo em sistemas de cultivo. O avanço do eDNA amplia esse tipo de monitoramento para áreas abertas, como recifes, estuários e manguezais, relevantes para a pesca artesanal.

Segundo a FAO, a produção mundial de peixes e frutos do mar superou 185 milhões de toneladas em 2023, somando captura e aquicultura. No Brasil, dados da Conab e do IBGE mostram que a produção aquícola vem crescendo acima da média de outras proteínas, puxada por tilápia e peixes nativos de água doce, enquanto o potencial marinho segue subaproveitado.

Ferramentas como o eDNA podem ajudar a identificar áreas mais promissoras para projetos de piscicultura marinha, como já ocorre em iniciativas no Nordeste. Ao mesmo tempo, permitem monitorar eventuais impactos desses empreendimentos sobre a fauna nativa, tema sensível em licenciamento ambiental.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e organizações de pesca devem acompanhar como esses dados serão incorporados em planos de manejo das reservas e em decisões de licenciamento costeiro. A tendência é que o eDNA se consolide como ferramenta de rotina em monitoramento ambiental, influenciando zonas permitidas para cultivo, regras de pesca e acesso a mercados que exigem comprovação de sustentabilidade.

Fontes

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