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El Niño acende alerta para safra de trigo no Sul e mercado paulista

Câmara Setorial do Trigo de São Paulo vê risco de quebra de produção no Sul com El Niño, enquanto indústria paulista deve depender ainda mais do trigo argentino.

01 de agosto de 2026 4 min de leitura
El Niño acende alerta para safra de trigo no Sul e mercado paulista

A Câmara Setorial do Trigo de São Paulo avaliou que o El Niño deve reduzir a produção de trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná, principais estados produtores do Sul, devido ao excesso de chuvas. Para São Paulo, porém, a expectativa é de impacto menor, mantendo a dependência do trigo argentino na composição da oferta para a indústria moageira.[1][2][14][15]

O que aconteceu

A reunião da Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo discutiu os efeitos do El Niño sobre a safra atual e o abastecimento do mercado paulista.[1] O especialista em trigo da CJ Internacional, Douglas Araújo, apontou que o volume elevado de chuvas já observado no Sul pode limitar a produção regional, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.[1]

Segundo Araújo, o fenômeno climático vem se traduzindo em excesso de umidade no solo, cenário típico de anos de El Niño na Região Sul, o que aumenta o risco de problemas fitossanitários e prejuízos na colheita de culturas de inverno como o trigo.[2][15] Em São Paulo, a leitura apresentada foi de menor exposição aos efeitos mais severos, com expectativa de uma safra menos impactada.[1]

O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, afirmou que a produção paulista deve escapar dos danos mais intensos associados ao El Niño.[1] Mesmo assim, o abastecimento do parque moageiro do estado seguirá fortemente ancorado no trigo importado, com Argentina permanecendo como principal opção competitiva de compra.[1]

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Por que importa para o agro

Para o produtor do Sul, o quadro indica maior risco de quebra de safra de trigo, com potencial redução de produtividade e de qualidade dos grãos. O excesso de chuvas em fases de enchimento, maturação e colheita aumenta a incidência de doenças, dificulta operações de campo e favorece grãos com alta umidade, o que eleva perdas tanto na lavoura quanto na armazenagem.[2][3][7][9][15]

No mercado, a combinação de oferta menor no Sul e manutenção da demanda interna pode reforçar o papel das importações, especialmente de trigo argentino, na formação dos preços e na segurança de abastecimento da indústria moageira paulista.[1] A diferença de impacto climático entre Sul e Sudeste tende a aumentar a relevância da logística e da arbitragem de preços entre produto nacional e importado.

Dados e contexto

Estudos de INMET, Embrapa e Conab indicam padrão consistente de impacto negativo do El Niño sobre o trigo de inverno na Região Sul, associado ao aumento da precipitação e da umidade do solo.[2][14][15]

Em síntese:

FatorSituação em anos de El Niño
Chuvas na Região Sul**Acima da média**, inverno e primavera[2][15]
Umidade do soloElevada, com risco para manejo e doenças[2][15]
Trigo de inverno no Sul**Impacto negativo** na produtividade[14]

Análise recente com dados de produtividade de trigo da Região Sul entre 1996 e 2025 mostra alta probabilidade de resultados abaixo da média em anos de El Niño, chegando a cerca de 80% para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 40% para o Paraná.[2] Em boletins estaduais, como os do Deral/Paraná, episódios de excesso de chuva já derrubaram em até 20% a 30% a produtividade de trigo em regiões como Campos Gerais.[7][9]

Para São Paulo, pesquisas apontam menor correlação direta entre El Niño e quedas de produtividade, com impactos mais associados a eventos localizados de alta umidade em fases sensíveis da cultura.[5] Isso explica a avaliação de que a safra paulista possa ser menos afetada, ao mesmo tempo em que o estado continua dependente de trigo importado.[1]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o produtor e a indústria devem acompanhar de perto a evolução das chuvas no Sul, a qualidade dos grãos colhidos e os relatórios de Conab, INMET e Deral sobre a safra de trigo. Para o produtor, a prioridade é ajustar manejo, monitorar doenças e planejar colheita e armazenagem em cenário de maior umidade; para o mercado, o foco estará na oferta efetiva do Sul, nos volumes da Argentina e na formação de preços internos, que podem reagir rapidamente a qualquer confirmação de quebra de safra regional.[1][2][3][9][15]

Fontes

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