El Niño acende alerta para safra de trigo no Sul e mercado paulista
Câmara Setorial do Trigo de São Paulo vê risco de quebra de produção no Sul com El Niño, enquanto indústria paulista deve depender ainda mais do trigo argentino.
A Câmara Setorial do Trigo de São Paulo avaliou que o El Niño deve reduzir a produção de trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná, principais estados produtores do Sul, devido ao excesso de chuvas. Para São Paulo, porém, a expectativa é de impacto menor, mantendo a dependência do trigo argentino na composição da oferta para a indústria moageira.[1][2][14][15]
O que aconteceu
A reunião da Câmara Setorial do Trigo do Estado de São Paulo discutiu os efeitos do El Niño sobre a safra atual e o abastecimento do mercado paulista.[1] O especialista em trigo da CJ Internacional, Douglas Araújo, apontou que o volume elevado de chuvas já observado no Sul pode limitar a produção regional, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná.[1]
Segundo Araújo, o fenômeno climático vem se traduzindo em excesso de umidade no solo, cenário típico de anos de El Niño na Região Sul, o que aumenta o risco de problemas fitossanitários e prejuízos na colheita de culturas de inverno como o trigo.[2][15] Em São Paulo, a leitura apresentada foi de menor exposição aos efeitos mais severos, com expectativa de uma safra menos impactada.[1]
O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, afirmou que a produção paulista deve escapar dos danos mais intensos associados ao El Niño.[1] Mesmo assim, o abastecimento do parque moageiro do estado seguirá fortemente ancorado no trigo importado, com Argentina permanecendo como principal opção competitiva de compra.[1]
Por que importa para o agro
Para o produtor do Sul, o quadro indica maior risco de quebra de safra de trigo, com potencial redução de produtividade e de qualidade dos grãos. O excesso de chuvas em fases de enchimento, maturação e colheita aumenta a incidência de doenças, dificulta operações de campo e favorece grãos com alta umidade, o que eleva perdas tanto na lavoura quanto na armazenagem.[2][3][7][9][15]
No mercado, a combinação de oferta menor no Sul e manutenção da demanda interna pode reforçar o papel das importações, especialmente de trigo argentino, na formação dos preços e na segurança de abastecimento da indústria moageira paulista.[1] A diferença de impacto climático entre Sul e Sudeste tende a aumentar a relevância da logística e da arbitragem de preços entre produto nacional e importado.
Dados e contexto
Estudos de INMET, Embrapa e Conab indicam padrão consistente de impacto negativo do El Niño sobre o trigo de inverno na Região Sul, associado ao aumento da precipitação e da umidade do solo.[2][14][15]
Em síntese:
| Fator | Situação em anos de El Niño |
|---|---|
| Chuvas na Região Sul | **Acima da média**, inverno e primavera[2][15] |
| Umidade do solo | Elevada, com risco para manejo e doenças[2][15] |
| Trigo de inverno no Sul | **Impacto negativo** na produtividade[14] |
Análise recente com dados de produtividade de trigo da Região Sul entre 1996 e 2025 mostra alta probabilidade de resultados abaixo da média em anos de El Niño, chegando a cerca de 80% para Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 40% para o Paraná.[2] Em boletins estaduais, como os do Deral/Paraná, episódios de excesso de chuva já derrubaram em até 20% a 30% a produtividade de trigo em regiões como Campos Gerais.[7][9]
Para São Paulo, pesquisas apontam menor correlação direta entre El Niño e quedas de produtividade, com impactos mais associados a eventos localizados de alta umidade em fases sensíveis da cultura.[5] Isso explica a avaliação de que a safra paulista possa ser menos afetada, ao mesmo tempo em que o estado continua dependente de trigo importado.[1]
O que observar daqui pra frente
Nos próximos meses, o produtor e a indústria devem acompanhar de perto a evolução das chuvas no Sul, a qualidade dos grãos colhidos e os relatórios de Conab, INMET e Deral sobre a safra de trigo. Para o produtor, a prioridade é ajustar manejo, monitorar doenças e planejar colheita e armazenagem em cenário de maior umidade; para o mercado, o foco estará na oferta efetiva do Sul, nos volumes da Argentina e na formação de preços internos, que podem reagir rapidamente a qualquer confirmação de quebra de safra regional.[1][2][3][9][15]
Fontes
- Canal Rural – El Niño pode reduzir produção de trigo no Sul, avalia Câmara Setorial em São Paulo
- INMET – El Niño e possíveis impactos na agricultura
- Embrapa – El Niño e a agricultura da Região Sul do Brasil
- Conab/INMET – Análise Climática 2023
- G1 – Excesso de chuva derruba produtividade de trigo e cevada no PR
- Secretaria da Agricultura do Paraná – Impacto do El Niño na produção paranaense
Continue lendo

Por que muitos acham que os biscoitos pioraram com o tempo
Especialistas dizem que a sensação de piora existe, mas não prova queda de qualidade; ela reflete mudanças de receita, custo e consumo.

Ibovespa reage em julho e se aproxima dos 178 mil pontos
Após quatro meses de queda, Ibovespa sobe 3,47% em julho, encosta nos 178 mil pontos e melhora o cenário para empresas ligadas ao agro.
Mercado da soja segue lento e com ajustes pontuais nos preços
Negociações de soja caminham em ritmo fraco no Brasil, com pequenas oscilações de preços e foco dos agentes em Chicago e no câmbio.