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El Niño reduz projeções de safra de uva e azeite no RS

El Niño pressiona a produção de uva e azeite no Rio Grande do Sul, com mais chuva, doenças e risco de queda de produtividade.

17 de setembro de 2026 3 min de leitura
El Niño reduz projeções de safra de uva e azeite no RS

O El Niño voltou a pesar sobre duas cadeias importantes do agronegócio gaúcho: uva e azeite de oliva. No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade e a menor oferta de frio têm reduzido as projeções de safra e aumentado a preocupação com doenças e queda de rendimento.

O impacto vai além da lavoura. A combinação de clima instável, mais aplicações fitossanitárias e menor previsibilidade de produção pressiona custo, receita e planejamento de cooperativas, vinícolas e olivicultores.

O que aconteceu

Segundo a reportagem do Canal Rural, o cenário climático atual não favorece a repetição das safras recordes recentes no RS. A produção de azeite, que em 2026 passou de 1 milhão de litros, e a safra de uva, que chegou a 960 mil toneladas, estão sob risco de recuo.

O principal problema é o padrão do clima. O excesso de chuva aumenta a umidade no campo, dificulta o manejo e favorece doenças fúngicas. Na uva, isso afeta brotação, floração e maturação dos cachos. Na oliveira, o estresse climático também pode reduzir a formação de frutos e comprometer a qualidade do azeite.

O setor de uva e vinho já trabalha com um cenário de safra menor e com necessidade de mais intervenções no pomar e no vinhedo. A reportagem cita que as aplicações de defensivos podem subir de 12 a 15 para mais de 20 por ciclo, caso a pressão de chuva continue alta.

Por que importa para o agro

A queda de produção afeta diretamente a renda do produtor. Em culturas perenes, como videira e oliveira, o prejuízo não se limita a uma safra: o estresse climático pode comprometer a produtividade por mais de um ciclo, além de elevar custos com manejo e controle sanitário.

Para a cadeia, o efeito chega em forma de oferta menor, matéria-prima mais cara e maior volatilidade. Vinícolas, cooperativas, indústrias de suco e processadores de azeite dependem de regularidade de volume. Quando o clima quebra essa regularidade, o planejamento comercial fica mais difícil e a margem tende a apertar.

Dados e contexto

  • Uva no RS: safra recente citada pela reportagem em 960 mil toneladas.
  • Azeite no RS: produção recente acima de 1 milhão de litros.
  • Manejo: estimativa de aumento nas aplicações de defensivos de 12–15 para mais de 20 por ciclo, em cenário de chuva persistente.
  • Embrapa: recomenda atenção ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), às previsões oficiais e ao seguro rural para reduzir perdas em anos de El Niño.
  • Contexto técnico: a Embrapa destaca que videira e oliveira estão entre as culturas mais sensíveis a excesso de umidade, drenagem ruim e doenças associadas ao clima úmido.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar a evolução das chuvas, a ocorrência de doenças e as janelas de manejo. Se a umidade continuar elevada, a tendência é de maior gasto com fungicidas, mais dificuldade operacional e possível queda de qualidade da fruta e do azeite. Em um cenário de El Niño, planejamento de drenagem, monitoramento fitossanitário e uso de informação oficial ganham peso para proteger produtividade e caixa.

Fontes

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