Eleições 2026: o que os presidenciáveis oferecem ao agro
Planos de governo para 2026 miram crédito, seguro rural, fertilizantes, infraestrutura e agregação de valor à produção.
Os principais candidatos à Presidência em 2026 colocaram o agronegócio no centro de seus planos de governo. As propostas vão de crédito rural e seguro agrícola a fertilizantes, infraestrutura, agregação de valor e sustentabilidade, buscando responder às demandas de produtores pressionados por custos altos, risco climático e falta de segurança jurídica.
O que aconteceu
Canal Rural reuniu e comparou as propostas dos presidenciáveis para o setor rural, a partir de sabatinas, entrevistas e documentos oficiais de campanha. A pauta foi organizada em torno das principais demandas do campo: crédito acessível, seguro rural amplo, proteção de renda, logística, fertilizantes e segurança jurídica.[7][11]
Romeu Zema e Ronaldo Caiado concentram suas agendas em produtividade, redução de entraves regulatórios, infraestrutura, fortalecimento do seguro rural e segurança jurídica. Zema enfatiza abertura à concorrência, facilitação de importação e produção nacional de insumos, enquanto Caiado defende transformar o Plano Safra em política plurianual e ampliar o mercado privado de financiamento.[1][4]
Augusto Cury e Flávio Bolsonaro destacam expansão da agroindústria, agregação de valor à produção e redução da dependência externa de fertilizantes. Cury propõe estimular 10 mil agroindústrias e 100 usinas de etanol de milho, enquanto Bolsonaro foca em autonomia com potássio e fosfato nacionais e regularização fundiária para garantir crédito.[2][9]
Lula e Renan Santos associam o agro à industrialização, energia renovável e política fundiária. As propostas incluem melhoramento genético, redução de emissões na pecuária, ampliação de biocombustíveis e integração do campo à matriz de energia limpa, além de mudanças na política de terras e agregação de valor às cadeias produtivas.[3][4]
Por que importa para o agro
As propostas miram pontos que hoje travam o produtor: crédito caro, baixa cobertura de seguro rural, logística deficiente, custo elevado de fertilizantes e insegurança sobre a propriedade. Quem conseguir entregar soluções estruturais nesses temas altera diretamente custo de produção, capacidade de investimento e gestão de risco do setor.[5][7][8]
A definição dessas políticas também interfere na competitividade internacional do agro brasileiro. Reduzir a dependência de insumos importados, ampliar agroindústria e biocombustíveis e consolidar segurança jurídica pode fortalecer o país em mercados globais, enquanto falhas em crédito, seguro e infraestrutura tendem a aumentar a vulnerabilidade do produtor a clima e volatilidade de preços.[1][2][15]
Dados e contexto
Hoje, o agro responde por cerca de 25% a 27% do PIB brasileiro, dependendo da metodologia, segundo estimativas da Embrapa e da CNA, o que reforça o peso do setor nas eleições.
A cobertura do seguro rural ainda é baixa: entidades do setor apontam que menos de 4% da área agrícola está coberta, deixando a maioria dos produtores exposta a perdas climáticas sem proteção eficiente.[8]
A Conab e o USDA indicam forte dependência de importação de fertilizantes, sobretudo potássio e fosfato, o que aumenta o impacto de volatilidade cambial e geopolítica sobre o custo de produção.
Uma coalizão de entidades do agro e do clima apresentou 8 propostas aos presidenciáveis, incluindo:
| Eixo | Foco principal |
|---|---|
| Crédito e seguro | Ampliação do financiamento rural e fortalecimento do seguro agrícola |
| Ambiente e clima | Erradicação do desmatamento ilegal e implementação plena do Código Florestal |
| Fundiário | Ordenamento fundiário e segurança jurídica da propriedade |
| Bioeconomia | Valorização de biocombustíveis, biomassa e nova economia florestal |
Esses pontos dialogam com demandas de entidades como Faesp, Fetag e associações de produtores por políticas de Estado, não apenas de governo, em crédito, seguro e infraestrutura.[13][14][15]
O que observar daqui pra frente
Produtores devem acompanhar como cada candidato detalha mecanismos práticos para tirar as propostas do papel: fontes de recursos para crédito e seguro, cronogramas de ampliação do Plano Safra, metas de produção nacional de fertilizantes, prioridades em logística (armazenagem, ferrovias, portos) e regras para regularização fundiária e implementação do Código Florestal. A diferença entre discursos genéricos e planos executáveis vai definir o impacto real dessas promessas na rentabilidade e na segurança do negócio rural.
Fontes
- Canal Rural – Eleições 2026: o que Romeu Zema e Ronaldo Caiado propõem para o agro
- Canal Rural – Eleições 2026: o que Augusto Cury e Flávio Bolsonaro propõem para o agro
- Canal Rural – Eleições 2026: o que Lula e Renan Santos propõem para o agro
- Canal Rural – O agro na eleição de 2026: das promessas às escolhas
- Canal Rural – Radar Rural: o que o agro espera do próximo presidente?
- Canal Rural – Coalizão apresenta 8 propostas do agro e do clima a presidenciáveis de 2026
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