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Encontro em SP discute integração entre PAA e merenda escolar

Evento em São Paulo debateu como aproximar o Programa de Aquisição de Alimentos da alimentação escolar para garantir mercado estável à agricultura familiar e comida de qualidade aos estudantes.

20 de maio de 2026 5 min de leitura
Encontro em SP discute integração entre PAA e merenda escolar

Um encontro em São Paulo reuniu representantes do governo federal, gestores municipais, cooperativas e especialistas para discutir como integrar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) à alimentação escolar. A ideia é alinhar regras, recursos e logística do PAA com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para garantir mercado estável à agricultura familiar e ampliar o fornecimento de alimentos frescos e locais para as escolas públicas.

O que aconteceu

O evento, realizado na capital paulista, colocou na mesma mesa ministérios ligados à assistência social, educação e agricultura, além de técnicos da Conab, gestores de alimentação escolar e organizações da agricultura familiar. O foco foi identificar gargalos na compra de alimentos da produção local para escolas, creches e outras instituições públicas.

Foram debatidos temas como unificação de cadastros de agricultores, simplificação de editais, padronização de preços de referência e melhoria da logística de entrega. Também entrou na pauta a necessidade de capacitação de prefeituras para executar tanto o PAA quanto o PNAE com maior previsibilidade de compras e menos burocracia.

Cooperativas e associações relataram experiências em que o uso combinado dos programas permitiu planejar a produção, agregar valor com processamento mínimo (como polpas, pães e hortaliças embaladas) e garantir renda mensal mais estável às famílias rurais. Representantes da educação destacaram o impacto positivo de frutas, hortaliças e produtos regionais frescos na qualidade nutricional da merenda.

Por que importa para o agro

Para agricultores familiares, integrar PAA e PNAE significa mais previsibilidade de demanda, contratos mais longos e capacidade de organizar plantio, colheita e investimento em tecnologia. Em vez de vender apenas em feiras ou atravessadores, o produtor passa a atender um cliente público com pagamento definido em programa federal.

Para as cooperativas, a articulação entre os programas abre espaço para ampliar escala, profissionalizar gestão e investir em agroindústrias locais. Isso reduz perdas, melhora padrão de qualidade e fortalece cadeias curtas, com menor custo logístico. Para o agronegócio como um todo, uma agricultura familiar mais estruturada ajuda a estabilizar oferta de alimentos básicos e diversificar fornecedores.

Dados e contexto

Criado pela Lei 10.696/2003, o PAA compra diretamente da agricultura familiar para doação a entidades sociais e formação de estoques públicos. O programa é gerido por grupo interministerial e executado principalmente via Conab e convênios com estados e municípios.

Já o PNAE atende todos os estudantes da educação básica pública. Pela legislação, no mínimo 30% dos recursos repassados pelo FNDE aos municípios devem ser usados na compra de produtos da agricultura familiar. Em muitos locais esse índice ainda não é alcançado por falta de organização da oferta ou dificuldades na elaboração de editais.

Em avaliações do IPEA e do Ministério do Desenvolvimento Social, o PAA é apontado como política que integra segurança alimentar e política agrícola, ao mesmo tempo em que gera renda e melhora o acesso a alimentos em quantidade e qualidade adequadas. Pesquisas acadêmicas mostram que famílias assentadas e agricultores organizados em cooperativas têm maior chance de acessar o programa e diversificar a produção.

A integração PAA–PNAE busca alinhar esses instrumentos. Quando a mesma cooperativa vende para ambos, ela pode combinar itens de entrega contínua (como hortaliças) com produtos processados de maior valor agregado (pães, bolachas, polpas, lácteos), diluindo custos fixos de logística e beneficiamento.

ProgramaFoco principal
PAACompra pública para doação e estoques, apoio à agricultura familiar
PNAEAlimentação escolar com prioridade para produtos locais e saudáveis

Para o campo, isso significa menos volatilidade de renda e maior incentivo a boas práticas de manejo, já que editais costumam exigir regularidade, qualidade e, em alguns casos, certificações sanitárias.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e prefeituras devem acompanhar possíveis mudanças em normas do PAA e do PNAE, especialmente sobre cadastro de fornecedores, limites financeiros por agricultor, regras de chamada pública e critérios de priorização regional. Onde houver maior coordenação entre secretarias de educação, assistência social e agricultura, a tendência é abrir mais espaço para contratos estáveis com a agricultura familiar e atrair investimentos em organização produtiva, armazenamento e processamento local.

Fontes

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