Gestão

Endividamento rural aumenta risco de venda de ativos no agro

Juros altos, crédito restrito e queda de rentabilidade pressionam produtores e elevam o risco de venda de terras e máquinas para pagar dívidas.

10 de outubro de 2026 4 min de leitura
Endividamento rural aumenta risco de venda de ativos no agro

O agronegócio brasileiro enfrenta uma combinação de juros elevados, crédito mais restrito e menor rentabilidade. A pressão financeira tem levado produtores a avaliar a venda de terras, máquinas e outros ativos para reorganizar dívidas. O movimento pode aliviar o caixa no curto prazo, mas também reduzir a capacidade produtiva das propriedades.

O que aconteceu

O aumento do endividamento alcança produtores de diferentes regiões e atividades. Custos altos, preços menos favoráveis em algumas commodities e dificuldades climáticas reduziram a margem de muitas operações. Ao mesmo tempo, o financiamento ficou mais caro e seletivo.

Segundo a matéria do Canal Rural, a venda de propriedades e maquinário aparece como alternativa para produtores com compromissos vencidos ou próximos do vencimento. O advogado Lando Boso alerta que a decisão pode não resolver o problema se comprometer a estrutura necessária para continuar produzindo.

A inadimplência também avançou no crédito rural. Levantamento citado pelo Banco Central aponta crescimento dos atrasos, especialmente entre produtores pessoas físicas e em operações contratadas a taxas de mercado. O cenário aumenta a cautela de bancos, tradings, revendas e fornecedores de insumos.

Por que importa para o agro

A venda de máquinas reduz a capacidade de plantio, colheita e manejo. Já a venda de terras pode diminuir a escala da operação e elevar a dependência de arrendamento ou contratação de serviços. Em ambos os casos, o produtor perde ativos que poderiam gerar receita em ciclos futuros.

O impacto também alcança a cadeia. Com menos crédito disponível, produtores podem postergar a compra de fertilizantes, defensivos e equipamentos. Para as instituições financeiras, o aumento do risco tende a elevar exigências de garantias, reduzir limites e priorizar clientes com melhor histórico de pagamento.

Dados e contexto

O Banco Central registrou aumento dos atrasos superiores a 90 dias no crédito rural. No levantamento regional de dezembro de 2025, esse percentual chegou a 4,1% dos empréstimos, alta de 1,2 ponto percentual no ano.

Dados consolidados sobre a carteira rural também mostram pressão crescente:

  • A carteira ativa de crédito rural alcançou R$ 812,7 bilhões em novembro de 2025, segundo levantamento da Farsul com base em dados oficiais.
  • Desse total, R$ 123,6 bilhões foram classificados como carteira estressada, incluindo operações atrasadas, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.
  • A inadimplência entre produtores pessoas físicas chegou a 12% em dezembro de 2025 nas estatísticas citadas pelo BrasilAgro.
  • Nas operações com taxas de mercado, a inadimplência de pessoas físicas alcançou 11,4% em outubro de 2025, conforme levantamento divulgado pelo setor.
Os números não representam todos os produtores nem significam que a venda de ativos ocorrerá de forma generalizada. Eles indicam, porém, que a gestão financeira passou a ser um fator decisivo para preservar a atividade.

O que observar daqui para frente

Produtores devem priorizar o diagnóstico completo das dívidas antes de vender ativos produtivos. A renegociação antecipada, a revisão de custos, a reorganização do cronograma de investimentos e o uso de mecanismos de seguro e proteção de preços podem reduzir perdas. Bancos e fornecedores também devem acompanhar a qualidade das garantias e a capacidade de geração de caixa de cada operação.

Fontes

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