Sustentabilidade

Estudo detecta 25 agrotóxicos no Rio Tietê e acende alerta para o agro

Levantamento da SOS Mata Atlântica mostra 25 tipos de agrotóxicos em todo o Rio Tietê, com contaminação contínua da nascente à foz e impacto direto na segurança hídrica do campo.

07 de julho de 2026 4 min de leitura
Estudo detecta 25 agrotóxicos no Rio Tietê e acende alerta para o agro

Um estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com universidades paulistas, apontou a presença de 25 tipos de agrotóxicos ao longo de todo o Rio Tietê, da nascente em Salesópolis até a foz no rio Paraná.[2][3] Também foram identificados microplásticos, metais, resíduos de medicamentos e drogas ilícitas, mostrando um quadro de contaminação difusa que envolve cidades e áreas agrícolas.[2][3]

O que aconteceu

Pesquisadores coletaram amostras de água em diversos trechos do Tietê e não encontraram nenhum ponto livre de contaminação.[3][8] Em todas as coletas houve detecção de microplásticos e múltiplos contaminantes químicos, incluindo defensivos agrícolas, fármacos e substâncias associadas ao consumo de drogas.[2][5]

Entre os 46 compostos químicos analisados, 25 eram agrotóxicos, indicando forte influência de áreas agrícolas ao longo da bacia.[2][3] O estudo também registrou concentrações de cobre acima dos limites legais em todos os pontos monitorados, sugerindo pressão adicional de origem urbana e industrial.[2]

Além dos agrotóxicos, foram encontrados resíduos de medicamentos como diclofenaco, carbamazepina e losartana, além de cocaína e seu metabólito benzoilecgonina, evidenciando o impacto do esgoto doméstico e do consumo de drogas sobre o rio.[2] Essa mistura de poluentes aumenta o risco para abastecimento, irrigação e fauna aquática.

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Por que importa para o agro

A presença disseminada de agrotóxicos no Tietê pressiona a agenda de uso racional de defensivos e manejo de solo na agricultura paulista. A bacia do Tietê corta importantes regiões produtoras, e parte dessa água é usada para irrigação, dessedentação animal e recarga de aquíferos, o que pode ampliar a exposição de sistemas produtivos à contaminação difusa.[2][3]

O estudo reforça o risco de maior judicialização, restrições regulatórias e pressão de mercado sobre cadeias que não conseguirem comprovar boas práticas ambientais e manejo adequado de agroquímicos. Para o produtor, isso significa mais atenção a práticas conservacionistas, faixas de proteção de margens, gestão de embalagens e revisão de estratégias de aplicação, visando reduzir perdas por deriva e enxurrada.

Dados e contexto

IndicadorResultado do estudo no Tietê

| Extensão avaliada | Da nascente em Salesópolis à foz no rio Paraná[2] | | Pontos totalmente livres de contaminação | 0 (nenhum trecho isento)[3][8] | | Compostos químicos analisados | 46[2] | | Tipos de agrotóxicos detectados | 25[2][3] | | Outros poluentes encontrados | Microplásticos, metais, fármacos, drogas ilícitas[2][5] | | Metais acima do limite legal | Cobre em todos os pontos[2] |

A bacia do Tietê concentra áreas urbanas densas e regiões de forte produção agrícola e industrial, o que aumenta a carga de esgoto, efluentes e resíduos de insumos.[2][3] Estudos da SOS Mata Atlântica indicam que a qualidade da água em grandes rios do Sudeste tem relação direta com ocupação desordenada de margens, baixa cobertura de mata ciliar e deficiências no tratamento de esgoto.[8]

Organismos como Embrapa e ANA vêm alertando para a necessidade de integrar manejo de bacias, conservação de solo e água e planejamento de irrigação para garantir segurança hídrica no campo. Em regiões com uso intensivo de defensivos, práticas como terraceamento, plantio direto, manejo integrado de pragas e zonas de amortecimento ao redor de corpos d’água reduzem o carreamento de agroquímicos para rios.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas na bacia do Tietê devem acompanhar possíveis endurecimentos de normas estaduais e federais sobre uso de defensivos próximos a corpos d’água, além de exigências de rastreabilidade ambiental por parte de indústrias e exportadores. A tendência é de mais programas de monitoramento de qualidade da água, incentivos a práticas conservacionistas e maior peso da gestão de bacias em financiamentos rurais e certificações privadas.

Fontes

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