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Exportação de café solúvel brasileiro salta 20% em julho

Embarques de café solúvel do Brasil avançam 20% em julho, reforçam receita externa e abrem espaço para contratos mais firmes ao produtor.

18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Exportação de café solúvel brasileiro salta 20% em julho

A exportação brasileira de café solúvel registrou alta de cerca de 20% em julho, na comparação anual, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O avanço consolida o movimento de expansão do produto industrializado no mercado externo e ajuda a sustentar a receita do setor em um cenário de câmbio ainda volátil e concorrência crescente.

O que aconteceu

Em julho, os embarques de café solúvel do Brasil ganharam ritmo e fecharam o mês com crescimento próximo de 20% em volume, mantendo o país na liderança global do segmento. O movimento ocorreu em um momento de recuperação da demanda em mercados tradicionais e avanço em destinos emergentes.

A Abics aponta que, além do aumento físico dos embarques, houve melhora na receita em dólar, puxada por produtos de maior valor agregado, como café solúvel tipo freeze dried. A indústria aproveitou janelas de oportunidade com estoques ajustados e bom desempenho logístico nos principais portos.

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Por que importa para o agro

O avanço das exportações de café solúvel fortalece a industrialização da cadeia de café no Brasil e reduz a dependência exclusiva do grão verde. Para o produtor, isso tende a ampliar a demanda por matéria-prima, especialmente de arábica de qualidade, usada como base na formulação de solúvel.

Na prática, maior saída de café solúvel ao exterior abre espaço para contratos mais firmes entre indústria e originação, potencialmente reduzindo a volatilidade de compra em períodos de colheita. Com a safra 2024/25 em andamento, o desempenho do segmento pode ser um fator adicional de sustentação de preços internos, em conjunto com o mercado de exportação de grão.

Dados e contexto

Relatórios anteriores da Abics já vinham mostrando trajetória de alta nas exportações de café solúvel. Em 2024, o Brasil embarcou o equivalente a 4,093 milhões de sacas de 60 kg, o maior volume da série histórica, com crescimento de 13% sobre o ano anterior.[6]

No primeiro semestre de 2024, os embarques haviam totalizado 1,915 milhão de sacas, avanço de 3,3% frente a igual período de 2023, com receita de US$ 402,9 milhões, alta de 13,8%.[4] A aceleração em julho reforça essa tendência.

Em 2025, a Abics também reportou expansão do consumo interno e das exportações de solúvel, com o setor ampliando presença em mais de 80 países importadores.[3] Em 2026, dados de mercado indicam novos recordes mensais, como o melhor mês de fevereiro em cinco anos para o segmento.[11]

A Conab e o Cecafé mostram que, dentro do quadro total de café exportado pelo Brasil, o solúvel ganha participação, embora ainda represente parcela menor frente ao arábica verde.[8] O crescimento recorrente indica avanço da indústria na captura de valor ao longo da cadeia.

Resumo de números recentes:

IndicadorResultado
Exportação de solúvel 2024 (equiv. sacas)**4,093 milhões**[6]
Variação 2024 x 2023**+13%** em volume[6]
1º semestre 2024 (equiv. sacas)**1,915 milhão**[4]
Receita 1º semestre 2024**US$ 402,9 milhões**[4]
Alta de julho (ano a ano)**cerca de 20%** em volume (Abics)

O que observar daqui pra frente

Daqui em diante, o produtor e a indústria devem acompanhar três pontos: continuidade da demanda por solúvel em mercados-chave, sobretudo EUA e Europa; comportamento do câmbio, que influencia diretamente a competitividade do produto brasileiro; e possíveis ajustes de oferta em função da safra e de investimentos em capacidade industrial. Se o ritmo de crescimento se mantiver, contratos de longo prazo e diversificação de canais de venda podem se tornar oportunidades relevantes para toda a cadeia do café.

Fontes

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