Sustentabilidade

FAO confirma Brasil fora do Mapa da Fome e destaca força da agricultura familiar

Relatório da FAO mantém Brasil fora do Mapa da Fome e aponta políticas de apoio à agricultura familiar como peça central na segurança alimentar.

25 de julho de 2026 5 min de leitura
FAO confirma Brasil fora do Mapa da Fome e destaca força da agricultura familiar

O Brasil foi novamente confirmado pela FAO, agência da ONU para Alimentação e Agricultura, como fora do Mapa da Fome, com prevalência de subnutrição abaixo de 2,5% da população, limite técnico usado para classificar países em situação de fome. A entidade destaca que políticas de apoio à agricultura familiar, crédito e programas sociais ajudaram a recompor a segurança alimentar e recolocaram o país como referência na América Latina.

O que aconteceu

A FAO, em Roma, divulgou a edição 2026 do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI)”, confirmando que o Brasil permanece fora do Mapa da Fome ao registrar, em média, menos de 2,5% da população em subalimentação entre 2022 e 2024.[1][4] Esse é o patamar que retira um país da lista de nações com fome crônica.

O documento e as declarações oficiais da FAO apontam o Brasil como referência regional no combate à fome, depois de ter voltado ao mapa em 2022 e saído novamente em 2025.[2][4][6] Programas de transferência de renda, alimentação escolar e aquisição de alimentos da agricultura familiar foram citados como exemplos aplicáveis a outros países da América Latina.[2][5]

O governo brasileiro atribui o resultado a uma combinação de ações: reforço do Bolsa Família, recomposição do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), reativação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), crédito rural e políticas específicas para pequenos produtores.[2][3][5] A FAO ressalta que esse conjunto deu estabilidade à oferta de alimentos e reduziu a insegurança alimentar grave.

Por que importa para o agro

A confirmação do Brasil fora do Mapa da Fome fortalece a imagem do país como potência agroalimentar sustentável, o que pesa em negociações comerciais, acordos internacionais e acesso a mercados que exigem responsabilidade social nas cadeias produtivas.[4][5] Isso abre espaço para valorizar produtos vinculados à agricultura familiar e sistemas de produção com certificações sociais e ambientais.

Para o produtor, especialmente o pequeno e médio, a ênfase da FAO na agricultura familiar tende a reforçar programas de compras públicas de alimentos, crédito direcionado, assistência técnica e inclusão em políticas de combate à pobreza rural.[2][5][7] Essa demanda institucional gera mercado mais previsível, ajuda a estabilizar renda e incentiva diversificação produtiva com foco em alimentos básicos consumidos internamente.

Dados e contexto

Entre 2022 e 2024, o Brasil registrou, em média, menos de 2,5% da população subalimentada, critério que o retira do Mapa da Fome da FAO.[4][9]

O país havia voltado a figurar no mapa em 2022, após aumento da insegurança alimentar, e saiu novamente em 2025 com a reestruturação de políticas sociais e agroalimentares.[4][6][8]

Segundo dados de insegurança alimentar compilados pelo IBGE e por pesquisas nacionais, milhões de brasileiros deixaram a condição de insegurança grave entre 2022 e 2024, em linha com a queda apontada pela FAO.[8][9] Em 2024, a proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar recuou de 27,6% para 24,2%, o que representa cerca de 2,2 milhões de lares a menos nessa situação.[9]

Programas considerados decisivos pela FAO e por organismos brasileiros:[2][5][7][8]

  • Bolsa Família e outras transferências de renda para famílias pobres
  • PNAE com compras obrigatórias de produtos da agricultura familiar para merenda escolar
  • PAA e outras iniciativas de aquisição de alimentos de pequenos produtores
  • Políticas de crédito rural, assistência técnica e apoio à agricultura familiar
Essas ações são articuladas com estratégias de desenvolvimento regional, irrigação e geração de emprego e renda, ampliando a capacidade do agro de abastecer o mercado interno com alimentos acessíveis.[5][7]

O que observar daqui pra frente

Para o agro, o desafio é manter o país fora do Mapa da Fome em cenário de pressão de custos, mudanças climáticas e volatilidade econômica, evitando retrocessos em insegurança alimentar. A continuidade e o aperfeiçoamento de políticas que ligam agricultura familiar, compras públicas e proteção social serão decisivos para preservar a imagem internacional do Brasil e consolidar oportunidades de mercado para produtores que atuam em cadeias voltadas à segurança alimentar.

Fontes

}
Compartilhar:

Continue lendo