Sustentabilidade

Câmara aprova pacote que mexe na proteção da Mata Atlântica e na fiscalização ambiental

Deputados aprovam propostas que alteram regras da Mata Atlântica, fiscalização remota de desmatamento e uso do solo urbano, com efeitos diretos sobre o agro.

23 de julho de 2026 5 min de leitura
Câmara aprova pacote que mexe na proteção da Mata Atlântica e na fiscalização ambiental

A Câmara dos Deputados aprovou um conjunto de propostas que altera regras da Mata Atlântica, da fiscalização remota de desmatamento e do uso do solo em áreas urbanas. As mudanças reduzem exigências de licenciamento e de monitoramento, ampliam possibilidades de supressão de vegetação e deslocam parte das decisões para estados e municípios[5][7][8]. O pacote interessa diretamente ao agro porque mexe em segurança jurídica, risco de autuações e abertura de novas áreas para produção.

O que aconteceu

Entre os textos aprovados está um projeto que fragiliza o monitoramento remoto de áreas desmatadas, determinando que, antes de qualquer sanção, o produtor identificado por imagens de satélite deve ser previamente notificado para apresentar esclarecimentos[7]. Isso limita a atuação automática de órgãos ambientais em casos de desmate detectado à distância.

Outro eixo é o licenciamento. A Câmara aprovou projeto que enfraquece regras de licenciamento ambiental, permitindo obras com alto potencial de impacto sem a mesma exigência de estudos e pareceres federais. Um dos pontos é retirar a necessidade de autorização do Ibama para corte de vegetação da Mata Atlântica, deixando a decisão nas mãos de estados e municípios[8].

As propostas também mexem diretamente na Lei da Mata Atlântica, flexibilizando o desmatamento de vegetação primária e secundária em estágio avançado e médio de regeneração, reduzindo exigências de estudo prévio de impacto ambiental e de medidas compensatórias em empreendimentos lineares, como linhas de transmissão, estradas e gasodutos[5][10]. Há ainda facilitação para ocupação de margens de rios em perímetro urbano e maior autonomia de órgãos municipais na autorização de parcelamento do solo[5][9].

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, o pacote tende a reduzir custos e prazos de licenciamento e regularização ambiental, especialmente em áreas próximas a infraestrutura linear e em regiões de transição entre urbano e rural. Projetos de energia, transporte e saneamento podem avançar com menos exigências de estudos, o que abre espaço para valorização de terras e expansão de áreas produtivas[8][10].

Por outro lado, o afrouxamento das regras aumenta o risco reputacional e regulatório. O Brasil está sob pressão de compradores internacionais e de acordos como o regulamento europeu antidesmatamento, que exigem rastreabilidade e comprovação de cumprimento de normas ambientais. Mudanças que fragilizam proteção da Mata Atlântica e fiscalização remota podem gerar barreiras comerciais, encarecer crédito e ampliar exigências de comprovação por parte dos produtores[5][7].

Dados e contexto

A Mata Atlântica é um dos biomas mais pressionados, com cerca de 12% da cobertura original remanescente, distribuída em fragmentos próximos a áreas rurais e urbanas, segundo ONG e pesquisas consolidadas.

O pacote aprovado se conecta a outros movimentos recentes:

  • A flexibilização de regras da Mata Atlântica, via medidas provisórias e projetos de lei, tem ampliado a possibilidade de desmate de vegetação em regeneração e reduzido exigências de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para empreendimentos lineares[5][9][10].
  • Alterações no Código Florestal já haviam prorrogado prazos de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), afrouxando temporariamente a cobrança de multas por desmatamento em imóveis rurais não regularizados[5][9].
  • Em fiscalização, a mudança aprovada na Câmara exige que, diante de imagens de satélite indicando desmate, o produtor seja notificado e tenha prazo razoável para defesa antes de qualquer sanção, o que pode retardar a resposta a infrações ambientais[7].
No licenciamento, a retirada da necessidade de decisão federal em casos de corte de vegetação da Mata Atlântica concentra poder em estados e municípios, que têm capacidades técnicas e critérios variados. Isso aumenta a heterogeneidade regulatória entre regiões[8].

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas do agro precisam acompanhar a tramitação desses projetos no Senado e a eventual sanção presidencial, além de eventuais ações no Supremo. Na prática, o desafio será conciliar eventuais ganhos de flexibilidade em licenciamento e uso do solo com o compromisso de manter rastreabilidade, conformidade ambiental e acesso a mercados exigentes. Quem se antecipar, atualizando cadastro ambiental, documentando uso do solo e monitorando áreas sensíveis, tende a reduzir riscos em um cenário de regras mais frouxas internamente, mas mais rígidas na ponta da exportação.

Fontes

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