Sustentabilidade

FAO destaca papel do Brasil na nova agricultura sustentável

Representante da FAO afirma que o Brasil tem muito a mostrar em sustentabilidade e inovação agrícola e pode liderar uma agenda positiva no agro global.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
FAO destaca papel do Brasil na nova agricultura sustentável

A representante da FAO para a América Latina e Caribe afirmou que o Brasil tem muito a mostrar em uma nova agricultura, baseada em tecnologia e sustentabilidade, com capacidade de exportar práticas e soluções para países vizinhos. A leitura é de que o agro brasileiro pode ocupar espaço estratégico na agenda global de segurança alimentar e clima, reforçando imagem e mercados do país.

O que aconteceu

Em entrevista veiculada durante a programação da COP voltada ao agro, a diretora da FAO para a América Latina e Caribe destacou que a região é altamente dependente da agricultura e que o Brasil se tornou referência em inovação e uso sustentável de recursos naturais.[1][11]

Segundo a dirigente, o país avançou no manejo de solo, uso de tecnologias digitais e integração de sistemas produtivos, construindo um modelo que interessa não apenas à região, mas também a outras partes do mundo em busca de produção com menor impacto ambiental.[1][9]

Ela reforçou que o Brasil não é apenas um grande exportador de commodities, mas também de conhecimento, tecnologias e boas práticas, citando exemplos de cooperação com países latino-americanos em temas como combate à fome, aumento de produtividade e adaptação às mudanças climáticas.[1][12]

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Por que importa para o agro

O reconhecimento da FAO melhora a percepção internacional sobre o agro brasileiro, em especial em um cenário de pressão por comprovação de sustentabilidade em cadeias como soja, carne e café. Isso tende a influenciar negociações comerciais, exigências de rastreabilidade e acesso a mercados mais exigentes na Europa e em outros blocos.[11][19]

Para o produtor, a mensagem é clara: tecnologia e boas práticas ambientais estão virando ativo de mercado. Sistemas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e agricultura digital, já amplamente estudados por Embrapa, ganham peso não só na produtividade, mas também na competitividade e na imagem do produto brasileiro no exterior.[9][17]

Dados e contexto

O Brasil consolidou, nas últimas décadas, uma combinação de expansão produtiva com ganhos de eficiência:

  • A área plantada cresceu de forma significativa, enquanto a produtividade de grãos mais que dobrou em cerca de 30 anos, segundo séries históricas da Conab e Embrapa.[9]
  • Projeções do MAPA indicam aumento continuado da produção agropecuária até 2033/34, com maior peso da tecnologia e da gestão na geração de valor.[17]
  • A FAO aponta o Brasil como parceiro-chave em cooperação Sul-Sul, compartilhando políticas de combate à fome e apoio à agricultura familiar com outros países em desenvolvimento.[12][11]
A adoção de práticas sustentáveis é um dos pilares dessa nova agricultura brasileira:
Ponto-chaveSituação no Brasil
Plantio diretoAmplo uso em grãos, reduz erosão e melhora o solo[9]
ILPFExpandindo em regiões de pecuária e grãos, com ganhos de carbono e produtividade[9][10]
Agricultura digitalCresce com conectividade rural, sensores, mapas de produtividade e máquinas inteligentes[8][9]

Relatórios recentes destacam que essas práticas podem transformar áreas produtivas em sumidouros de carbono, aumentar biodiversidade do solo e reduzir dependência de insumos químicos, alinhando o país às metas climáticas globais.[10][14]

O que observar daqui pra frente

Para o agro brasileiro, o movimento abre espaço para agregar valor à imagem e aos produtos junto a importadores, mas também aumenta a cobrança por dados, transparência e comprovação de práticas sustentáveis. A oportunidade está em consolidar a liderança em tecnologia, rastreabilidade e baixa emissão, usando a vitrine internacional para ampliar mercados; o risco é perder competitividade se parte do setor não acompanhar essa mudança.

Fontes

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