Sustentabilidade

Polinizadores são chave para preservar canelas-de-ema no Cerrado

Estudo mostra que abelhas e beija-flores mantêm a diversidade genética das canelas-de-ema, reforçando a importância dos polinizadores para a conservação do Cerrado e dos serviços ecossistêmicos que sustentam a agropecuária.

02 de agosto de 2026 4 min de leitura
Polinizadores são chave para preservar canelas-de-ema no Cerrado

Pesquisadores identificaram que abelhas e beija-flores são essenciais para manter a diversidade genética das canelas-de-ema (Vellozia) nos campos rupestres da Serra do Cipó, em Minas Gerais. O estudo, publicado na revista científica Annals of Botany, mostra que não basta formar frutos e sementes: é preciso fluxo de pólen entre indivíduos diferentes para garantir populações saudáveis e resistentes a secas e mudanças climáticas.

O que aconteceu

O trabalho analisou populações de canelas-de-ema em campos rupestres, ecossistema de alta altitude do Cerrado, marcado por solos pobres e grande biodiversidade.[1] Os cientistas avaliaram como o pólen circula entre plantas, comparando polinização cruzada, autopolinizada e geograficamente isolada.

Os resultados indicaram que as plantas que dependem de abelhas e beija-flores para fazer a ponte entre indivíduos diferentes apresentam maior diversidade genética e mais capacidade de adaptação ao clima e a eventos extremos.[1] Já populações com pouco fluxo de pólen tendem à endogamia e ficam mais vulneráveis.

O estudo reforça que a conservação das canelas-de-ema não depende apenas da proteção física das áreas, mas da manutenção ativa das comunidades de polinizadores que garantem o chamado “coração genético” dos campos rupestres.[1]

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Por que importa para o agro

Os campos rupestres são parte do mosaico do Cerrado, bioma que abriga nascentes e formações vegetais que sustentam a recarga hídrica usada pela agropecuária no Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba. Manter a integridade genética de espécies nativas como as canelas-de-ema ajuda a garantir serviços ecossistêmicos, como água, solo estável e habitat para polinizadores que também atendem culturas agrícolas.[7][8]

Abelhas e outros polinizadores usados ou beneficiados em lavouras de frutas, oleaginosas e hortaliças dependem de áreas naturais próximas às fazendas para se alimentar e nidificar.[5][12][14] A perda de vegetação nativa e o uso inadequado de pesticidas comprometem esses agentes, reduzindo a polinização de culturas como maracujá, canola e diversas espécies do Cerrado que compõem paisagens produtivas.[5][12]

Dados e contexto

Estudos compilados por Embrapa e instituições parceiras mostram que:

  • Cerca de 87% das plantas com flores no mundo dependem de polinizadores vivos para reproduzir.[8]
  • No Cerrado, aproximadamente 30% das plantas são polinizadas exclusivamente por abelhas e outras 45% se beneficiam da ação desses insetos.[7]
  • Pesquisas com canola indicam aumento de produtividade quando há alta abundância de abelhas nativas nas áreas de cultivo.[12]
Boas práticas agrícolas para preservar polinizadores incluem:[3][8][14]
  • Manter fragmentos de vegetação nativa, APPs e reserva legal próximos às lavouras.
  • Reduzir o uso de inseticidas tóxicos às abelhas, adotando manejo integrado de pragas.
  • Conservar bordas de campo, cercas vivas e matas ciliares como corredores ecológicos.[12][14]
  • Oferecer locais de nidificação, como troncos, madeira morta e solo conservado.[3][12]
Essas ações ajudam a manter abelhas sociais e solitárias, além de beija-flores, que atuam tanto em espécies nativas como em culturas comerciais.[5][7]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, planejar paisagem e manejo pensando em polinizadores passa a ser questão de produtividade e resiliência, não apenas conservação. Áreas de Cerrado e campos rupestres vizinhas às fazendas tendem a ganhar relevância estratégica, funcionando como berçários de abelhas e aves que sustentam a polinização de culturas agrícolas. Monitorar o impacto de desmatamento, fogo e insumos químicos sobre esses organismos será decisivo para garantir safra estável em um clima mais variável.

Fontes

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