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Fertilizantes Heringer corta custos, mas mantém prejuízo no trimestre

Heringer reduz despesas e melhora margem bruta, porém segue no vermelho em meio a câmbio e juros altos.

16 de agosto de 2026 4 min de leitura
Fertilizantes Heringer corta custos, mas mantém prejuízo no trimestre

A Fertilizantes Heringer conseguiu reduzir custos mesmo com menor volume de vendas, gerando resultado bruto positivo no trimestre. O movimento mostra ajuste operacional relevante, mas não foi suficiente para tirar a empresa do vermelho, pressionada por câmbio desfavorável e juros altos, fatores que seguem pesando sobre o caixa e o endividamento da companhia.

O que aconteceu

Com menor volume de entregas de fertilizantes, a Heringer acelerou o corte de despesas, ajustando operação e estrutura em ritmo maior do que a queda da receita. Segundo a empresa, o controle de custos permitiu virar o resultado bruto para um saldo positivo de cerca de R$ 16,7 milhões no trimestre, depois de desempenho mais fraco em períodos anteriores.[1][6]

Apesar da melhora operacional, o resultado líquido continuou negativo. O prejuízo passou de pouco menos de R$ 29 milhões no segundo trimestre de 2025 para cerca de R$ 37 milhões no mesmo período deste ano, ampliado pelo impacto do câmbio e pelo custo financeiro elevado em um ambiente de juros altos.[1]

O cenário confirma a transição de uma empresa que saiu de prejuízo bilionário em 2024 para perdas ainda significativas, mas menores, em 2025 e 2026. Em 2025, o prejuízo anual ficou em cerca de R$ 172 milhões, queda de mais de 80% frente a 2024, quando o resultado negativo passou de R$ 1,1 bilhão.[2][7][14]

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Por que importa para o agro

A Heringer é uma das principais fornecedoras de fertilizantes no Brasil e tem presença forte em regiões de grãos, café e outras culturas. Quando uma empresa desse porte ajusta operação, reduz custos e reconfigura seu portfólio, isso afeta diretamente disponibilidade, prazo de entrega e condições comerciais para produtores médios e grandes, especialmente em campanhas de safra de soja, milho e café.[2][4]

Mesmo com prejuízo, a melhora no resultado bruto e a redução das perdas indicam que a companhia busca um modelo mais eficiente, com foco em margens e não apenas em volume. Para o produtor, isso tende a significar oferta mais seletiva de produtos, maior peso em linhas com maior valor agregado e possível mudança na dinâmica de negociação de preços e prazos, em um mercado já sensível ao câmbio e ao custo dos nutrientes.[2][7]

Dados e contexto

Nos últimos trimestres, os principais números da Heringer mostram ajuste relevante, mas ainda com desafios:

  • Resultado bruto: positivo em cerca de R$ 16,7 milhões no trimestre, após fases de prejuízo bruto anterior.[1][12]
  • Prejuízo trimestral: aumento de cerca de R$ 29 milhões para R$ 37 milhões entre o 2T25 e o mesmo período de 2026.[1]
  • Prejuízo anual 2024: em torno de R$ 1,15 bilhão, segundo dados divulgados ao mercado.[11][14]
  • Prejuízo anual 2025: queda para cerca de R$ 172 milhões, redução superior a 80% em relação a 2024.[2][7]
  • Receita líquida 2025: recuo de cerca de 11%, para pouco mais de R$ 4 bilhões, refletindo menor volume de vendas.[7]
Em 2025, a empresa chegou a registrar lucro de R$ 59,7 milhões no 1º trimestre, impulsionado por ganho cambial e melhora de margens, mesmo com queda de cerca de 21% nos volumes entregues.[4][15] No entanto, a combinação de volatilidade cambial, juros altos e ajustes de plantas industriais manteve o ano ainda no vermelho.

O setor de fertilizantes continua altamente sensível ao dólar, já que boa parte das matérias-primas é importada. Em dados recentes, relatórios de investidores da Heringer destacam variações cambiais significativas, com ganhos em alguns períodos, mas também pressões em outros, impactando diretamente custo de reposição e resultado financeiro.[6][9]

O que observar daqui pra frente

Para o produtor e para o mercado, o ponto central é acompanhar se a Heringer conseguirá manter disciplina de custos, melhorar margens e estabilizar o resultado em um ambiente de câmbio volátil e juros elevados. Mudanças de portfólio, eventuais hibernações ou reaberturas de fábricas e a estratégia de foco em linhas premium podem alterar a oferta regional de fertilizantes, preços de insumos na safra e a competitividade frente a concorrentes globais, em um cenário em que o Brasil segue dependente de importações, segundo dados recorrentes de Embrapa e MAPA.

Fontes

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