Gestão

Fertilizantes Heringer troca de CEO pela quinta vez em pouco mais de um ano

Danill Bazdyrev assume a presidência da Heringer após a renúncia de Gustavo Oubinha, em meio a prejuízos e reestruturação operacional.

13 de outubro de 2026 3 min de leitura
Fertilizantes Heringer troca de CEO pela quinta vez em pouco mais de um ano

A Fertilizantes Heringer mudou novamente de comando. Danill Bazdyrev assumiu a presidência da companhia após a renúncia de Gustavo Oubinha Barreiro, que havia chegado ao cargo menos de dois meses antes. A sucessão ocorre enquanto a empresa enfrenta queda nas vendas, prejuízos acumulados e uma revisão da estrutura industrial.

O que aconteceu

A troca foi comunicada pela Heringer em fato relevante. Bazdyrev também passou a ocupar a vice-presidência do Conselho de Administração e deve permanecer no cargo até a Assembleia Geral Ordinária prevista para 2027.

O executivo é o quinto a ocupar a cadeira de CEO em pouco mais de um ano. A sequência começou em julho de 2025, quando Gustavo Horbach deixou a presidência e foi substituído por Rodrigo Horta Oliveira. Horta permaneceu 51 dias no posto antes de dar lugar a Sérgio Longhi Castanheiro.

Castanheiro ficou cerca de seis meses no comando. Em fevereiro de 2026, renunciou e foi substituído por Oubinha, então diretor financeiro e de relações com investidores. Na mesma mudança, Vladislav Guz assumiu as funções financeiras e de RI.

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Por que importa para o agro

A Heringer é uma das principais empresas de fertilizantes que atuam no Brasil. A instabilidade na gestão ocorre em uma cadeia essencial para a produtividade de culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar, além de afetar decisões sobre estoques, importação, distribuição e atendimento aos produtores.

A mudança também reforça a pressão sobre a controlada da EuroChem para recuperar margens e ajustar sua operação. A companhia hibernou unidades em Goiás, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, concentrando esforços em plantas consideradas mais estratégicas, como a de Paranaguá, no Paraná.

Dados e contexto

  • A Heringer acumulou prejuízo próximo de R$ 200 milhões em 2025, segundo informações divulgadas pela companhia e repercutidas pelo AgFeed.
  • A receita líquida caiu de R$ 4,6 bilhões em 2024 para R$ 4,09 bilhões em 2025, recuo de aproximadamente 11%.
  • O volume comercializado diminuiu cerca de 24% no ano passado.
  • As vendas de fertilizantes tradicionais recuaram de 1,8 milhão de toneladas em 2024 para 1,2 milhão de toneladas em 2025.
  • O portfólio premium avançou de 288 mil para 324 mil toneladas no mesmo período.
  • A empresa também reduziu ou paralisou operações diante da baixa performance financeira e da menor viabilidade econômica de algumas fábricas.
O cenário combina menor demanda, postergação de compras, pressão cambial e necessidade de capital. Em 2025, a Heringer ainda registrou prejuízo, embora menor que o resultado negativo de 2024, quando as perdas chegaram a cerca de R$ 1 bilhão.

O que observar daqui pra frente

O principal teste para Bazdyrev será transformar a sequência de mudanças em um plano estável de execução. O mercado deve acompanhar a retomada das unidades estratégicas, a evolução das vendas de produtos premium, o controle do endividamento e a capacidade da companhia de recuperar volumes sem pressionar ainda mais as margens. Para o produtor, os efeitos mais visíveis estarão na disponibilidade regional, nas condições comerciais e na regularidade das entregas nas próximas safras.

Fontes

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