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Fim da escala 6x1 amplia debate sobre custos e mão de obra no agro

Fiesp critica o fim da escala 6x1, enquanto a proposta de reduzir a jornada para 40 horas semanais pode afetar custos e organização do trabalho no agro.

15 de outubro de 2026 3 min de leitura
Fim da escala 6x1 amplia debate sobre custos e mão de obra no agro

A proposta que encerra a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de trabalho provoca reação do setor produtivo. A Fiesp classificou a medida como uma “PEC de boca de urna” e criticou a tramitação sem uma avaliação detalhada dos impactos econômicos. Para o agronegócio, o debate envolve custos, disponibilidade de trabalhadores e continuidade das operações.

O que aconteceu

A discussão está concentrada nas PECs 221/19 e 8/25, que propõem mudanças na jornada prevista pela Constituição. O modelo atualmente em vigor permite até 44 horas semanais, normalmente distribuídas em seis dias de trabalho e um de descanso.

Uma das versões analisadas no Congresso prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção dos salários. O texto também admite compensação de horários por meio de acordos ou convenções coletivas, inclusive em atividades com regimes diferenciados.

A Fiesp argumenta que a mudança pode elevar o custo da folha, pressionar pequenas empresas e reduzir a competitividade. Entidades favoráveis à proposta defendem ganhos de qualidade de vida e possíveis efeitos positivos sobre produtividade e saúde ocupacional.

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Por que importa para o agro

A produção agropecuária tem atividades contínuas e períodos de maior demanda, como plantio, colheita, manejo de animais, armazenagem e transporte. A redução da jornada pode exigir mais trabalhadores, horas extras, revezamentos ou investimentos em mecanização e automação.

O impacto não será igual em toda a cadeia. Grandes produtores e agroindústrias podem reorganizar turnos com mais facilidade. Já propriedades familiares, cooperativas, armazéns menores e empresas de serviços podem enfrentar maior dificuldade para substituir mão de obra e manter operações em fins de semana e feriados.

Em setores como pecuária leiteira, avicultura, suinocultura e irrigação, a rotina não pode ser interrompida. A necessidade de dois dias de descanso por semana pode aumentar a complexidade das escalas e exigir planejamento antecipado para evitar perdas produtivas.

Dados e contexto

A Constituição estabelece jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais. A proposta debatida na Câmara prevê uma transição: redução inicial para 42 horas e, depois, fixação do limite em 40 horas semanais.

PontoRegra atualProposta em debate
Jornada semanalAté 44 horasAté 40 horas
DescansoUm dia semanalDois dias semanais
SalárioMantidoMantido
CompensaçãoPermitida por negociaçãoMantida por acordo ou convenção

A PEC 221/19 prevê redução gradual até 36 horas em dez anos. A PEC 8/25 propõe uma semana de quatro dias, com limite de 36 horas. O texto efetivamente aprovado poderá mudar durante a tramitação, antes de eventual promulgação.

O que observar daqui para frente

Produtores e empresas devem acompanhar a versão final do texto, os prazos de transição e as regras para atividades contínuas. O principal risco é o aumento do custo operacional sem ganho imediato de produtividade. A oportunidade está em revisar escalas, ampliar a mecanização e usar acordos coletivos para adaptar a jornada às diferentes etapas da produção.

Fontes

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