Gestão

Fim da escala 6x1 avança no Senado e pode mudar rotina do agro

PEC que reduz a jornada para 40 horas e prevê dois dias de descanso será votada em primeiro turno no Senado.

13 de outubro de 2026 3 min de leitura
Fim da escala 6x1 avança no Senado e pode mudar rotina do agro

O Senado deve votar nesta quarta-feira a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6x1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O texto estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A mudança pode afetar custos, contratação e organização das atividades agropecuárias.

O que aconteceu

A proposta será analisada em primeiro turno no plenário do Senado após aprovação na Câmara dos Deputados e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, são necessários 49 votos dos 81 senadores em cada um dos dois turnos.

O texto prevê jornada máxima de oito horas diárias e dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Se for aprovado sem alterações, seguirá para a etapa final de tramitação e poderá ser promulgado pelo Congresso, sem sanção presidencial.

A votação desta quarta-feira não encerra o processo. Ainda será necessário cumprir as regras regimentais para o segundo turno. Mudanças no texto também podem obrigar o retorno da proposta à Câmara.

Imagem

Por que importa para o agro

A medida pode elevar o custo operacional de fazendas, agroindústrias, cooperativas, armazéns e transportadoras. Muitas atividades funcionam de forma contínua ou dependem de janelas curtas de plantio, colheita, secagem, classificação e embarque. A adoção de dois dias de descanso exigiria escalas adicionais e maior planejamento de equipes.

O impacto tende a variar conforme a atividade e o nível de mecanização. Operações com máquinas e processos automatizados podem redistribuir horas com mais facilidade. Já propriedades intensivas em mão de obra, como horticultura, pecuária leiteira, avicultura e suinocultura, podem enfrentar maior necessidade de contratação, treinamento e cobertura nos fins de semana.

Dados e contexto

  • A jornada máxima prevista na Constituição é de 44 horas semanais.
  • A PEC reduz o limite para 40 horas semanais.
  • O modelo proposto é de cinco dias de trabalho e dois de descanso.
  • O teto diário permanece em oito horas.
  • A aprovação exige três quintos dos senadores em dois turnos: 49 votos em cada votação.
  • A proposta mantém a remuneração, o que pode aumentar o custo médio por hora trabalhada.
Para o empregador rural, a mudança não significa necessariamente uma escala única para todas as funções. A legislação trabalhista, os acordos coletivos e as características de cada operação continuarão determinando a forma de distribuição das horas. Atividades sazonais poderão exigir reforço temporário de mão de obra e revisão dos contratos de trabalho.

O setor também precisará avaliar o efeito sobre serviços terceirizados. Transporte de cargas, manutenção, vigilância, armazenagem e assistência técnica podem precisar ajustar turnos para acompanhar novas regras de jornada. Esses custos podem ser repassados ao longo da cadeia, dependendo da oferta de trabalhadores e das condições de mercado.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto é o texto final aprovado e o prazo de transição, caso a PEC avance. Empresas rurais devem acompanhar a votação, mapear funções críticas e simular cenários de escala, contratação e custo por hora. A antecipação pode reduzir riscos durante safras, períodos de confinamento, ordenha, abate e expedição.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo