Fim da escala 6x1 gera alerta sobre produtividade, diz Tirso Meirelles
Tirso Meirelles critica a proposta de fim da escala 6x1 e afirma que a mudança pode reduzir produtividade e exigir debate mais amplo.
A proposta de acabar com a escala 6x1 voltou ao centro do debate político e trabalhista. Para Tirso Meirelles, presidente da Faesp, a mudança precisa ser discutida com mais profundidade para não gerar perda de produtividade e aumento de custos em setores que dependem de operação contínua.
O dirigente critica o que chama de "romantismo" do governo ao tratar do tema. No agro, a discussão interessa porque mexe com logística, abastecimento, indústria de alimentos, varejo e serviços que operam em jornadas longas e com necessidade de revezamento de equipes.
O que aconteceu
A proposta de fim da escala 6x1 prevê alterar o modelo em que o trabalhador atua por seis dias e descansa em um. A ideia é ampliar o número de folgas semanais e reduzir a jornada contínua, com impacto direto sobre empresas de vários setores.
Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), afirmou ao Canal Rural que a mudança não pode ser tratada como solução simples. Segundo ele, alterações na jornada exigem debate de longo prazo e avaliação de efeitos sobre produtividade, custos e organização das empresas.
No entendimento do dirigente, uma decisão apressada pode criar pressão adicional sobre o mercado de trabalho. Isso afeta desde operações rurais até agroindústrias, transporte de cargas e pontos de venda ligados ao abastecimento de alimentos.
Por que importa para o agro
O agro depende de rotina operacional intensa em atividades como colheita, processamento, frigoríficos, armazenagem e distribuição. Mudanças na escala de trabalho podem elevar gastos com contratação, horas extras e reorganização de turnos, principalmente em atividades com demanda diária.
Também há impacto na cadeia de suprimentos. Se empresas precisarem rever equipes e horários, a consequência pode aparecer em prazos de entrega, custo logístico e repasse de preços ao consumidor. Em um setor pressionado por margens apertadas, qualquer aumento de custo operacional pesa mais.
Dados e contexto
A escala 6x1 é um dos modelos mais usados no comércio, na indústria e em serviços. O texto em discussão no Senado prevê jornada máxima de até 8 horas diárias, com cinco dias de trabalho por semana na transição.
| Etapa | Proposta |
|---|---|
| Início da transição | 40 horas semanais |
| Fim da transição | 36 horas semanais |
| Descanso semanal | 2 dias |
| Prazo estimado | 5 anos |
A proposta ainda precisa passar por outras etapas legislativas. Mesmo com avanço em comissão, o tema segue em disputa entre parlamentares, empresários e representantes de trabalhadores.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar o ritmo da tramitação e a reação de setores com operação contínua. Para o agro, o principal ponto é saber se haverá prazo de adaptação suficiente para evitar alta de custos e perda de eficiência.
Se a proposta avançar, empresas rurais, cooperativas, transportadoras e agroindústrias podem ser obrigadas a redesenhar escalas e ampliar investimentos em gestão de pessoas. O efeito final vai depender do texto aprovado e do tempo de transição.
Fontes
Continue lendo
Fazenda autoriza equalização de juros no Plano Safra 2026/27
CMN definiu as taxas equalizadas do crédito rural para a safra 2026/27, com foco em investimento, sustentabilidade e maior focalização do público atendido.
CNA leva sucessão familiar e plano de clima ao Congresso da Sober
CNA defende políticas para sucessão rural e plano nacional de clima em congresso da Sober, conectando juventude no campo e financiamento verde para o agro.
Reforma tributária pode elevar em 414% a carga de transportadoras do agro
Estudo aponta forte alta tributária para transportadoras do agro com a CBS, o que pode pressionar fretes e custos logísticos no campo.