Fim da escala 6x1 pode elevar custos no campo, diz Faesp
Faesp alerta que o fim da escala 6x1 pode aumentar custos de mão de obra, pressionar preços dos alimentos e dificultar a produção rural.
A proposta que prevê o fim da escala 6x1 pode aumentar os custos de mão de obra no meio rural e pressionar os preços dos alimentos. O alerta é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), que vê riscos para atividades dependentes de trabalho contínuo e para produtores com dificuldade de contratação.
O que aconteceu
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão no Congresso reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos. O texto também prevê a manutenção dos salários, o que elevaria o custo por hora trabalhada.
Na avaliação da Faesp, a mudança pode exigir novas contratações para manter a operação durante toda a semana. Em propriedades rurais, essa substituição é mais complexa por causa da escassez de trabalhadores, da distância dos centros urbanos e da sazonalidade das atividades.
A entidade afirma que o impacto tende a ser maior em setores como pecuária leiteira, horticultura, avicultura, suinocultura e operações de colheita. Nessas áreas, o trabalho não pode ser interrompido sem afetar a produtividade, o bem-estar animal ou a qualidade do produto.
Por que importa para o agro
O campo opera com margens pressionadas por preços de insumos, juros, combustível e custos logísticos. Se a jornada for reduzida sem aumento proporcional de produtividade, o produtor poderá precisar contratar mais pessoas, pagar horas extras ou reorganizar turnos. Essas alternativas aumentam o custo operacional.
O efeito pode chegar à cadeia de alimentos. Parte das despesas adicionais tende a ser absorvida pelo produtor, mas outra parcela pode ser repassada para frigoríficos, laticínios, distribuidores, supermercados e consumidores. A intensidade desse repasse dependerá da oferta de trabalhadores e da capacidade de cada setor de elevar a eficiência.
A dificuldade de contratação já é um problema relevante. Pesquisa do Cepea em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontou que 94,8% dos produtores rurais enfrentam obstáculos para contratar mão de obra. Uma nova exigência trabalhista pode ampliar essa pressão, sobretudo em pequenas propriedades.
Dados e contexto
- Jornada atual prevista na Constituição: até 44 horas semanais.
- Jornada proposta: 40 horas semanais, sem redução salarial.
- Escala 6x1: seis dias de trabalho para um dia de descanso.
- Novo descanso previsto: dois dias de folga por semana.
- Principal alerta do setor: aumento do custo por hora trabalhada e menor disponibilidade de mão de obra.
- Pesquisa Cepea/CNA: 94,8% dos produtores consultados relatam dificuldade para contratar trabalhadores.
O que observar daqui pra frente
O impacto final dependerá do texto aprovado, do prazo de transição e das regras para atividades sazonais e contínuas. Produtores devem acompanhar custos de pessoal, revisar escalas e avaliar automação, terceirização e melhoria de processos. Para o governo, o desafio será equilibrar a redução da jornada com medidas que ampliem a oferta de trabalhadores e evitem pressão adicional sobre os alimentos.
Fontes
- Canal Rural – Fim da escala 6x1 pode encarecer alimentos e prejudicar produção rural, diz Faesp
- Canal Rural – Entidades alertam para alta nos custos de produção e na inflação
- Câmara dos Deputados – Comissão sobre o fim da escala 6x1
- camara.leg.br
- g1.globo.com
- oglobo.globo.com
- oglobo.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- cnnbrasil.com.br
- pt.wikipedia.org
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