Gestão

Fim da escala 6x1 pode reduzir em até 26% o lucro de empresas do agro

Estudo do BTG Pactual estima impacto de até 26% no lucro de empresas do agronegócio caso a escala 6x1 seja encerrada.

19 de outubro de 2026 3 min de leitura
Fim da escala 6x1 pode reduzir em até 26% o lucro de empresas do agro

O fim da escala 6x1 pode pressionar os resultados de empresas do agronegócio. Cálculo do BTG Pactual aponta redução de até 26% no lucro de companhias do setor, caso a mudança avance sem compensações de produtividade ou repasse de custos. O efeito tende a ser maior em operações intensivas em mão de obra e com funcionamento contínuo.

O que aconteceu

A proposta de acabar com a escala em que o trabalhador atua por seis dias e folga um prevê mudanças na jornada semanal. O debate envolve redução do tempo de trabalho, reorganização das equipes e possíveis alterações na legislação trabalhista.

Para o agro, a discussão alcança agroindústrias, usinas, frigoríficos, armazéns, cooperativas, revendas e empresas de logística. Muitas dessas atividades dependem de turnos, operação ininterrupta ou períodos de forte concentração de trabalho, como safras e entressafras.

O BTG Pactual avaliou que o impacto financeiro não seria uniforme. Empresas com maior número de funcionários, margens menores e pouca flexibilidade operacional enfrentariam maior pressão sobre despesas. O efeito final dependeria do formato aprovado e do prazo de adaptação.

Imagem

Por que importa para o agro

A principal consequência seria o aumento do custo por unidade produzida. Se a jornada cair sem ganho equivalente de produtividade, as empresas terão de contratar mais pessoas, pagar horas extras, ampliar turnos ou reduzir o ritmo de operação.

Na indústria de alimentos e nos segmentos ligados à exportação, o custo adicional pode afetar margens e competitividade. Parte da despesa pode ser repassada aos preços, mas isso depende da concorrência, dos contratos e das cotações internacionais. Em cadeias de commodities, a capacidade de repasse costuma ser limitada.

No campo, o impacto tende a variar conforme a cultura, a região e o nível de mecanização. Operações mais mecanizadas podem absorver melhor a mudança. Atividades como pecuária intensiva, processamento, armazenagem e transporte exigem presença contínua e podem demandar maior reorganização.

Dados e contexto

  • Até 26%: estimativa de redução no lucro de empresas do agro calculada pelo BTG Pactual.
  • Escala atual: seis dias de trabalho para um dia de descanso.
  • Áreas mais expostas: frigoríficos, usinas, armazenagem, logística, agroindústria e produção com turnos contínuos.
  • Variáveis decisivas: jornada aprovada, prazo de transição, contratação adicional, produtividade e possibilidade de repasse de custos.
O impacto também deve ser analisado por porte. Grandes companhias podem investir em automação, planejamento de turnos e tecnologia para reduzir a necessidade de mão de obra. Empresas menores, porém, podem ter menos acesso a capital e maior dificuldade para ampliar equipes.

A mudança ainda pode alterar a relação entre empresas e trabalhadores. Uma jornada mais curta pode melhorar a retenção, reduzir afastamentos e elevar a produtividade em algumas funções. Esses ganhos, no entanto, não são automáticos e dependerão da organização do trabalho.

O que observar daqui para frente

Empresas do agro devem acompanhar o texto final da proposta, simular cenários de custo e mapear operações críticas. A prioridade será medir a necessidade de novas contratações, avaliar automação e renegociar contratos quando possível. Para produtores e fornecedores, o ponto central será observar se a pressão trabalhista chegará aos preços de serviços, fretes, processamento e insumos.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo