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Fim da taxa das blusinhas acende alerta na cadeia do algodão

Isenção de imposto para compras internacionais de até US$ 50 amplia pressão sobre indústria têxtil e demanda interna de algodão.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Fim da taxa das blusinhas acende alerta na cadeia do algodão

A revogação da chamada taxa das blusinhas, que cobrava 20% de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas digitais, gerou forte reação da indústria têxtil e da cadeia do algodão. Entidades do setor veem risco de perda de competitividade frente a produtos importados, queda na demanda interna pela fibra e impacto direto sobre emprego e renda em regiões produtoras.

O que aconteceu

O governo federal sancionou medida que zera o imposto de importação sobre compras de pequeno valor feitas pela internet, dentro do programa Remessa Conforme. Com isso, peças de vestuário e outros produtos passam a entrar no país com custo tributário menor, especialmente vindos de países asiáticos.

Associações como Abit e Abrapa reagiram de forma imediata, afirmando que a mudança amplia a vantagem competitiva de fabricantes estrangeiros sobre a indústria brasileira. O setor fala em risco de desindustrialização, fechamento de postos de trabalho e enfraquecimento dos polos de confecção espalhados pelo país.

No agro, a preocupação se concentra na redução da capacidade de absorção de algodão pela indústria nacional de fiação e confecção. Com mais roupas prontas importadas, há expectativa de menor demanda por tecido produzido no Brasil, o que afeta diretamente produtores e usinas de beneficiamento.

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Por que importa para o agro

A indústria têxtil é o principal destino do algodão em pluma, uma das fibras mais relevantes da pauta agrícola brasileira, com destaque para estados como Mato Grosso, Bahia e Goiás. Qualquer recuo na produção doméstica de fios e tecidos tende a reduzir o consumo interno da fibra, pressionando preços e margens do produtor.

Representantes da Abrapa já apontam a possibilidade de queda na demanda interna e consequente desvalorização do algodão em pluma. Em cenário de custos elevados e margens apertadas, a combinação de preços mais baixos e concorrência externa forte pode levar à redução de área plantada, afetando toda a cadeia, do campo à indústria.

Dados e contexto

Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetam impacto relevante da isenção sobre a economia:

  • Possível perda de cerca de 109 mil empregos diretos e indiretos.
  • Queda estimada de aproximadamente R$ 21,8 bilhões na produção doméstica.
  • Para cada R$ 1 gasto em produtos importados, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas brasileiras.
A Abit e a Associação Brasileira do Varejo Têxtil já haviam classificado o fim da taxação como “retrocesso econômico”, destacando que a medida favorece plataformas estrangeiras e agrava a assimetria tributária em relação ao varejo físico nacional. Polos de confecção do Agreste pernambucano e de outras regiões também manifestaram preocupação com concorrência considerada desleal.

Do lado produtivo, o Brasil figura entre os maiores exportadores mundiais de algodão, segundo dados históricos da Conab e do USDA. Mesmo com forte presença no mercado externo, a demanda interna tem papel estratégico para dar estabilidade de preços e escoar parte importante da produção, especialmente em anos de oferta elevada.

IndicadorSituação projetada com fim da taxa
Imposto sobre compras até US$ 50De 20% para **0%**
Empregos na indústria e varejo têxtilRisco de perda de **109 mil** vagas

| Produção doméstica total | Redução estimada de R$ 21,8 bi |

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias devem acompanhar três pontos: o ritmo de crescimento das importações de roupas prontas, a reação da indústria têxtil nacional em termos de investimento e manutenção de capacidade instalada e, principalmente, os reflexos nos preços internos do algodão e na decisão de plantio para as próximas safras. Se a demanda doméstica recuar de forma consistente, o setor precisará reforçar estratégias de exportação e gestão de risco para evitar queda mais intensa de renda no campo.

Fontes

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