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Isenção da taxa das blusinhas é medida eleitoral, avalia Miguel Daud

Analista vê isenção da taxa das blusinhas como manobra eleitoral temporária, com nova tributação prevista na reforma a partir de janeiro.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Isenção da taxa das blusinhas é medida eleitoral, avalia Miguel Daud

A decisão do governo de voltar a isentar a chamada taxa das blusinhas é, na avaliação do analista Miguel Daud, uma medida de caráter eleitoral e temporário. A isenção reduz o custo de compras internacionais de pequeno valor, agrada o consumidor em ano de eleição, mas não resolve o desequilíbrio das contas públicas nem os problemas estruturais da indústria nacional.

O que aconteceu

O governo federal anunciou nova isenção da taxa aplicada a compras de baixo valor no comércio eletrônico internacional, apelidada de taxa das blusinhas. A cobrança havia sido criada com o argumento de proteger a indústria nacional e ampliar a arrecadação, mas foi suspensa novamente em meio à pressão popular.

Miguel Daud avalia que a medida busca ganho político imediato, ao aliviar o bolso do consumidor em um momento de renda apertada e alta sensibilidade a preços. Para ele, o recuo na tributação não vem acompanhado de plano consistente para a política industrial ou para o ajuste fiscal, o que sinaliza foco em popularidade e não em solução de longo prazo.

O analista destaca ainda que a isenção atual não é definitiva. Com a entrada em vigor da reforma tributária a partir de janeiro, compras hoje beneficiadas pela isenção devem ser enquadradas na nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com alíquota próxima de 9%–9,5%. Ou seja, o alívio ao consumidor tende a durar poucos meses.

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Por que importa para o agro

Embora a taxa das blusinhas não seja diretamente voltada ao agronegócio, o movimento revela a estratégia do governo de priorizar pautas populares de curto prazo, enquanto prepara uma reforma tributária que deve ampliar a carga sobre vários setores, inclusive o agro. Miguel Daud lembra que o produtor rural hoje tem isenções em alguns insumos, como fertilizantes, que tendem a ser substituídas por descontos dentro do novo sistema, na prática aumentando a tributação sobre a cadeia.

Para o campo, a mensagem é clara: o governo abre mão de parte da arrecadação em itens de consumo de massa e compensa em outros segmentos, como produção e serviços. Isso pode pressionar custos de insumos, logística e indústria de transformação, afetando competitividade, margens e capacidade de investimento do produtor, especialmente em um cenário de juros elevados e crédito rural mais restrito.

Dados e contexto

A taxa das blusinhas foi apresentada como instrumento para:

  • Aumentar arrecadação sobre compras internacionais de pequeno valor.
  • Proteger a indústria nacional, especialmente têxtil e de confecções, que reclama de concorrência com produtos importados de baixo custo.
Com a isenção:
  • O consumidor volta a comprar itens baratos do exterior sem a cobrança adicional da taxa.
  • A indústria têxtil e de vestuário alerta para perda de competitividade em relação a plataformas internacionais.
No desenho da reforma tributária, a CBS deve substituir parte dos tributos atuais sobre bens e serviços com alíquota padrão próxima de 9%–9,5% para vários segmentos. Para o agro, há pontos sensíveis:
Ponto da reformaEfeito potencial no agro
Fim de isenções em insumos (ex.: fertilizantes)Maior custo direto de produção
Substituição de isenção por descontosMenor benefício efetivo na cadeia, com crédito tributário mais complexo
Aumento da carga em serviços e logísticaPressão em fretes, armazenagem e beneficiamento

Instituições como Embrapa, Conab e IBGE vêm mostrando, em seus levantamentos de custos de produção, que insumos e serviços já respondem por parcela elevada do custo total das lavouras e da pecuária. Qualquer acréscimo de tributos nessa ponta tende a refletir em preços ao produtor e nas margens.

O que observar daqui pra frente

Produtores e indústrias ligadas ao agro devem acompanhar a regulamentação da reforma tributária, em especial regras da CBS, manutenção ou não de regimes especiais e o tratamento tributário dado a insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos, ração e serviços de transporte. A isenção da taxa das blusinhas indica disposição do governo em fazer concessões populares, mas também reforça a necessidade de atenção do setor produtivo a possíveis compensações via aumento de carga em outras bases de tributação.

Fontes

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