FPA critica relatório da MP das dívidas rurais por manter entraves
Frente Parlamentar Agropecuária afirma que relatório da MP 1.376/2026 reduz o alcance da renegociação e mantém exigências para produtores.
A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) criticou o relatório da Medida Provisória 1.376/2026, que trata da renegociação de dívidas rurais. Para a bancada, o texto mantém barreiras que podem limitar o acesso dos produtores às novas linhas de crédito. A discussão envolve operações que podem alcançar até R$ 120 bilhões.
O que aconteceu
O relator da MP, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou em 28 de setembro um texto alternativo na forma de Projeto de Lei de Conversão. O parecer rejeitou as emendas apresentadas e ampliou alguns pontos da proposta original.
Entre as mudanças, o relatório permite a inclusão de produtores adimplentes na renegociação, desde que estejam em dia no momento da contratação. Também autoriza a composição de dívidas relacionadas a Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas para bancos, cooperativas de produção e revendas de insumos.
A regra geral exige comprovação de perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025. O produtor precisa apresentar laudo de profissional habilitado que indique redução mínima de 30% da renda bruta esperada, provocada por eventos climáticos ou queda nos preços agrícolas.
Por que importa para o agro
A FPA afirma que a rejeição de emendas mantém dificuldades relacionadas a juros, prazos, garantias e ao funcionamento do fundo garantidor. Esses fatores podem reduzir a adesão, principalmente entre pequenos produtores com menor capacidade financeira e menor acesso a assistência técnica.
A exigência de laudos individuais também é apontada como um obstáculo. A bancada defende a adoção de laudos coletivos para pequenos produtores e a dispensa de novo documento para quem já renegociou a dívida, mas continua em situação financeira comprometida.
Para as instituições financeiras, as garantias e os critérios de comprovação influenciam o risco das operações. Para o produtor, regras mais rígidas podem dificultar o alongamento do passivo e pressionar o caixa durante a preparação da próxima safra.
Dados e contexto
| Ponto | Regra ou proposta |
|---|---|
| Medida provisória | MP 1.376/2026 |
| Potencial da renegociação | Até R$ 120 bilhões em dívidas rurais |
| Período das perdas | Duas ou mais safras entre 2019 e 2025 |
| Redução mínima exigida | 30% da renda bruta esperada |
| Comprovação | Laudo de profissional habilitado |
| Novas operações incluídas | CPRs de bancos, cooperativas e revendas |
A MP permite a criação de linhas com recursos controlados e equalizados, além de operações com recursos livres das instituições financeiras. A medida tem vigência imediata, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional para não perder validade.
O Congresso Nacional registra que a proposta busca apoiar o pagamento ou a renegociação de dívidas de crédito rural e de CPRs. A Câmara dos Deputados também informou que a MP prevê a suspensão dos pagamentos por 30 dias durante a implementação das regras.
O que observar daqui pra frente
O principal ponto será a negociação do relatório entre a FPA, o governo e os demais parlamentares. Produtores devem acompanhar os critérios finais de enquadramento, juros, garantias, prazos e exigências documentais antes de contratar. Bancos, cooperativas e entidades rurais também precisarão orientar os associados sobre os documentos necessários e os limites de cada operação.
Fontes
- Canal Rural — FPA diz que relatório da MP das dívidas rurais mantém barreiras à renegociação
- Congresso Nacional — MPV 1.376/2026
- Câmara dos Deputados — acordo sobre dívidas dos produtores rurais
- globorural.globo.com
- camara.leg.br
- spacemoney.com.br
- camara.leg.br
- globorural.globo.com
- globorural.globo.com
- infomoney.com.br
- oglobo.globo.com
- noticiasagricolas.com.br
- oglobo.globo.com
- agenciabrasil.ebc.com.br
- gazetadopovo.com.br
- poder360.com.br
Continue lendo

Agro após as urnas: crédito, segurança e previsibilidade serão decisivos
O próximo ciclo político deverá definir as condições de crédito, infraestrutura e segurança jurídica que orientarão o agro brasileiro.
TCU aprova alíquota de referência da CBS em 11,35% para 2027
Alíquota da CBS aprovada pelo TCU será enviada ao Senado e pode alterar o planejamento tributário de produtores e empresas do agronegócio.
Calor chega a 38 °C em quatro municípios da Bahia
Itapetinga, Correntina, Jaborandi e Cocos terão temperaturas acima da média entre quinta-feira e sábado.