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FPA pressiona Senado por avanço de projeto que renegocia dívidas rurais

Frente Parlamentar da Agropecuária quer acelerar votação de projeto que cria novo programa de renegociação de dívidas de produtores rurais no Senado.

17 de junho de 2026 4 min de leitura
FPA pressiona Senado por avanço de projeto que renegocia dívidas rurais

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a pressão sobre o Senado para aprovar o projeto que cria um novo programa de renegociação de dívidas rurais, voltado a produtores impactados por juros altos, quebras de safra e queda de renda. A proposta é tratada como prioridade pela bancada do agro por ser vista como essencial para preservar capital de giro, evitar calotes em cadeia e reduzir o risco de colapso financeiro de milhares de propriedades.

O que aconteceu

Lideranças da FPA têm se reunido com a presidência do Senado e relatores para acelerar a tramitação do projeto que permite refinanciar dívidas agrícolas com prazos maiores, juros menores e condições especiais para produtores em dificuldade.[3][9] A proposta busca criar um “Refis do Agro”, com foco em operações de custeio, investimento e comercialização contratadas em anos de forte quebra de safra e de alta dos custos de produção.[3][8]

O movimento ganhou força após relatos de produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, que enfrentam combinação de safra frustrada, juros elevados e dificuldade de acesso a novas linhas de crédito.[3] Entidades do setor alertam que muitos agricultores estão inadimplentes ou próximos disso, o que trava renegociações com bancos e cooperativas e emperra o planejamento da próxima safra.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o programa significaria fôlego de caixa imediato: alongamento de prazos, redução de encargos e possibilidade de consolidar dívidas em condições mais previsíveis. Isso diminui risco de perda de patrimônio, leilões de áreas e paralisação de atividades produtivas, sobretudo em propriedades de médio porte com alta exposição a financiamentos.

Para a cadeia do agro, a renegociação reduz o risco sistêmico de inadimplência que atinge tradings, cooperativas, revendas de insumos e instituições financeiras. Sem reestruturação, o aperto de crédito tende a se agravar, encarecendo ainda mais os financiamentos e retraindo investimentos em tecnologia, irrigação, armazenagem e recuperação de pastagens.

Dados e contexto

A FPA trabalha com estimativa de necessidade de pelo menos R$ 170 a R$ 180 bilhões para equacionar o estoque de dívidas rurais em situação crítica, considerando diferentes regiões e cadeias produtivas.[8][9] O problema é mais agudo em áreas afetadas por eventos climáticos extremos e queda de produtividade em série.

Estudos apresentados pela bancada indicam que parte relevante das operações em dificuldade envolve contratos de crédito rural com juros mais altos que os praticados em anos anteriores, após o ciclo de elevação da taxa Selic.[8] Ao mesmo tempo, o produtor enfrentou custos recordes de fertilizantes, defensivos e energia, enquanto os preços de grãos e proteínas recuaram nos últimos ciclos.

Há preocupação também com o impacto fiscal. Integrantes da equipe econômica e de bancos defendem que qualquer programa de refinanciamento precisa ter fonte de recursos clara e critérios técnicos para evitar estímulo à inadimplência recorrente.[5] Programas de renegociação anteriores já foram criticados por alongar o problema sem atacar a origem do risco climático e da volatilidade de renda no campo.

Indicador chaveSituação atual aproximada
Estoque crítico de dívidas rurais**R$ 170–180 bilhões** em foco da FPA[8][9]
Fator de pressão principalJuros altos, quebras de safra e custos elevados[3][8]
Região emblemáticaRio Grande do Sul, com relatos de forte aperto financeiro[3]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o ponto central será a forma como o Senado ajustará o texto para conciliar o pleito da FPA e dos produtores com as restrições fiscais defendidas pelo governo e pelos bancos. Produtores devem acompanhar de perto quais dívidas serão elegíveis, os prazos de carência, as taxas de juros e eventuais exigências de garantias ou adesão a práticas de gestão de risco, como seguro rural e uso de hedge de preços.

Fontes

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