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FPA reforça defesa do leite brasileiro após reconhecimento de dumping

Frente Parlamentar da Agropecuária e CNA pressionam governo para aplicar medidas antidumping sobre leite em pó da Argentina e do Uruguai, reconhecido como dumping pela Camex.

05 de agosto de 2026 4 min de leitura
FPA reforça defesa do leite brasileiro após reconhecimento de dumping

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a pressão sobre o governo federal após o reconhecimento oficial de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). A entidade, ao lado da CNA, cobra a aplicação efetiva de medidas antidumping, alegando que a suspensão das tarifas mantém a concorrência desleal e ameaça a sobrevivência de milhares de produtores de leite no país.[3][7]

O que aconteceu

A Camex reconheceu que há prática de dumping no leite em pó importado dos parceiros do Mercosul, com diferença de preço superior a 60% em relação ao produto brasileiro, mas decidiu suspender a aplicação imediata das tarifas antidumping.[3] A justificativa oficial envolve preocupação com inflação de alimentos e possíveis impactos diplomáticos dentro do Mercosul.

A FPA reagiu, afirmando que não faz sentido reconhecer o dumping e, ao mesmo tempo, não aplicar as tarifas que poderiam conter o dano à cadeia produtiva nacional.[3] Segundo o presidente da FPA, Pedro Lupion, a decisão está tirando produtores da atividade e gerando prejuízos especialmente em pequenos municípios dependentes do leite.

Paralelamente, a CNA reforçou, em reuniões com o MDIC, que o antidumping é hoje a única alternativa para reduzir os impactos das importações de leite em pó subsidiado e manter a competitividade da produção nacional.[1][7]

Por que importa para o agro

Para o produtor de leite, a manutenção das importações de leite em pó com preços artificialmente baixos pressionam a remuneração no campo e dificultam o custeio da atividade. O produto importado chega ao Brasil com valor até 53% inferior ao praticado no mercado argentino, evidenciando forte subsídio e incentivo externo.[4][3]

Sem medidas de defesa comercial, o leite nacional perde espaço na indústria e no atacado, reduzindo demanda interna justamente em um cenário de custos elevados de ração, energia e mão de obra. A FPA e a CNA alertam que o efeito é mais severo para pequenos e médios produtores, que têm menor capacidade de absorver quedas de preço e volatilidade de mercado.[3][7]

Dados e contexto

Entre 2021 e 2023, período analisado pelo MDIC, a Argentina exportou leite em pó ao Brasil com preços 53% menores do que os praticados em seu próprio mercado interno.[4] Esse diferencial reforça a caracterização de dumping e práticas desleais de comércio.

A investigação de dumping pelo MDIC considera:

  • Período de análise de dumping: 2023.[5]
  • Período de análise de dano: 2021 a 2023.[5]
  • Produto alvo: leite em pó integral ou desnatado, não fracionado, oriundo de Argentina e Uruguai.[5]
Historicamente, o Brasil já aplicou medidas antidumping ao leite importado. A Camex, em resolução de 2001, concluiu que houve dumping em importações de leite da Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e União Europeia entre 1998 e 1999, com tarifas específicas para proteger a produção nacional.[6]

Hoje, o setor produtivo afirma que o leite em pó que entra via Mercosul é impulsionado por subsídios, incentivos fiscais e políticas de apoio, resultando em preços até 60% mais baixos que o brasileiro.[3] A CNA sustenta que, sem antidumping, não há ferramenta eficaz para neutralizar esses efeitos e garantir segurança jurídica aos produtores.[7]

O que observar daqui pra frente

O próximo passo será decisivo: o governo precisa concluir a investigação de dumping e definir se aplica ou não as tarifas antidumping sobre o leite em pó da Argentina e do Uruguai.[1][5] O produtor deve acompanhar a posição da Camex e do MDIC, pois uma decisão favorável às medidas de defesa comercial tende a reduzir a pressão de importados sobre os preços internos. Caso as tarifas sigam suspensas, o risco é de novos fechamentos de fazendas, concentração da produção e maior dependência de leite industrial importado.

Fontes

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