Friboi mira alta de até 30% nas vendas de carne com Copa e Ronaldinho
Friboi aposta na Copa do Mundo, em açougues de bairro e em “canetas emagrecedoras” para elevar em até 30% as vendas de proteína bovina no Brasil.

A Friboi, marca de carne bovina da JBS, projeta aumento de 20% a 30% nas vendas durante a Copa do Mundo, apoiada em campanhas com Ronaldinho Gaúcho, foco renovado nos açougues de bairro e na resposta ao avanço das canetas emagrecedoras no consumo de proteína. O movimento indica disputa direta pela relevância da carne na dieta do brasileiro.
O que aconteceu
Renato Costa, presidente da Friboi, afirmou que grandes torneios costumam gerar cerca de 10% de incremento nas vendas de carne, impulsionados por churrascos, encontros em casa e consumo fora do lar.[1] Para esta Copa, porém, a meta é mais agressiva: a empresa trabalha com cenário de 20% a 30% de alta, que pode crescer se a seleção brasileira avançar nas fases do campeonato.[1]
A marca escalou Ronaldinho Gaúcho como garoto-propaganda para a Copa e para o resto do ano, buscando conectar futebol, churrasco e conveniência.[1] A estratégia inclui forte presença em TV, redes sociais e pontos de venda, com foco especial nos açougues tradicionais, ainda relevantes para a compra de carne fresca.
Outro eixo é a resposta à popularização das injeções de GLP-1 para emagrecimento, as chamadas “canetas emagrecedoras”, que vêm alterando hábitos alimentares de parte dos consumidores de maior renda. A Friboi aposta em comunicar proteína como aliada da saúde, não vilã da balança, tentando preservar frequência e volume de consumo.
Por que importa para o agro
Um salto de até 30% na demanda de carne bovina em poucas semanas pressiona frigoríficos, logística e abastecimento, com reflexo direto sobre a compra de boi gordo e a programação de abate. Produtores podem ver aumento de giro, mas também maior exigência em padronização, qualidade de carcaça e regularidade de entrega.
Ao reposicionar a carne como item central de confraternização e de dieta proteica, a Friboi tenta defender espaço frente a concorrentes como frango, suínos e proteínas processadas. Para o campo, isso significa disputa por área, investimento e atenção da indústria, num momento em que custos de produção seguem elevados e o consumidor está mais sensível a preço.
Dados e contexto
- Copas anteriores geram cerca de 10% de alta nas vendas de carne, segundo a Friboi.[1]
- Para 2024/25, a marca trabalha com cenário de 20% a 30% de incremento nas vendas durante o torneio.[1]
- O brasileiro consome em média cerca de 26 kg de carne bovina por ano, segundo dados recentes da Conab e do USDA, abaixo dos níveis de uma década atrás.
- O custo da proteína animal pesa mais no orçamento das famílias de baixa renda, o que favorece substituição por frango e ovos.
- O avanço das canetas emagrecedoras pressiona categorias ligadas a fast food, ultraprocessados e bebidas alcoólicas, mas também pode reduzir porções em refeições completas.
| Indicador | Situação recente aproximada |
|---|---|
| Consumo per capita de carne bovina no Brasil | ~26 kg/ano (Conab/USDA) |
| Crescimento típico em Copas anteriores | ~10% nas vendas de carne[1] |
| Meta da Friboi para a próxima Copa | 20% a 30% de alta nas vendas[1] |
No varejo, açougues de bairro ainda concentram parte relevante do volume de carne bovina, principalmente nas classes C e D. A estratégia da Friboi combina grandes redes com o pequeno varejo, onde a influência do açougueiro e do corte sob medida ainda pesa na decisão de compra.
O que observar daqui pra frente
Produtores e frigoríficos devem acompanhar se o pico de demanda da Copa se converte em novo patamar de consumo ou se fica restrito ao período dos jogos. Vale monitorar o impacto das canetas emagrecedoras sobre o volume total de proteína animal, o desempenho relativo da carne bovina frente a frango e suínos e possíveis efeitos de curto prazo sobre preços do boi gordo, escala de abate e margens da indústria.
Fontes
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