Frimesa adotará alojamento coletivo para matrizes suínas a partir de 2030
Frimesa vai implantar alojamento coletivo para matrizes suínas em todos os novos projetos a partir de 2030, alinhando bem-estar animal e exigências de mercado.
A Frimesa definiu que, a partir de 2030, todos os novos projetos de produção de suínos da cadeia da cooperativa passarão a usar alojamento coletivo para matrizes gestantes, deixando de adotar novas estruturas com celas individuais. A mudança acompanha a pressão de mercado por bem-estar animal e se alinha à tendência de grandes frigoríficos e redes de varejo por sistemas menos restritivos.
O que aconteceu
A cooperativa anunciou que novos empreendimentos em suinocultura, construídos a partir de 2030, deverão ser planejados com baias coletivas para matrizes, em substituição ao modelo tradicional de celas de gestação. Na prática, isso significa que ampliações e novas granjas integradas deverão seguir o padrão coletivo.
A decisão se insere em uma estratégia mais ampla de adequação a protocolos de bem-estar animal, que já vêm avançando no Brasil e no exterior, inclusive com compromissos públicos de grandes empresas alimentícias para abandonar gradualmente as celas de gestação contínua.[4] A Frimesa também vinha divulgando iniciativas ligadas ao conceito “cobre e solta”, reforçando o foco em sistemas menos restritivos.[7]
O anúncio não significa substituição imediata de todas as estruturas existentes, mas aponta um cronograma de transição gradual, em linha com prazos já assumidos por outros atores do setor, muitos deles com metas entre 2025 e 2026 para concluir a migração em suas cadeias de fornecimento.[4]
Por que importa para o agro
Para o produtor integrado, a adoção de alojamento coletivo impacta diretamente o projeto de instalações, manejo diário e investimentos. Baias coletivas exigem área maior por matriz, sistemas de alimentação mais precisos e treinamento da equipe para manejo de grupos, mas podem melhorar o desempenho reprodutivo e reduzir problemas de bem-estar.[3][8]
Do lado de mercado, frigoríficos cooperativos como a Frimesa ganham vantagem competitiva junto a compradores internacionais e redes de varejo que já exigem certificações de bem-estar, como programas baseados em normas europeias e protocolos privados.[2][4] Isso pode abrir espaço para prêmios de preço, manutenção de mercados externos e redução de risco de barreiras não tarifárias.
Dados e contexto
No Brasil, o Ministério da Agricultura publica recomendações técnicas para gestação coletiva de matrizes suínas, com foco em bem-estar e produtividade.[4] O documento destaca que grandes empresas já assumiram compromisso de migrar de celas para baias coletivas em suas granjas próprias e integradas.
Na União Europeia, a Diretiva 2008/120/CE determinou que, desde 2013, todas as matrizes suínas sejam alojadas coletivamente por pelo menos parte da gestação, tornando esse modelo padrão em países concorrentes nas exportações de carne suína.[2]
Estudos de viabilidade econômica indicam que, embora o investimento inicial em alojamento coletivo seja maior, o sistema pode manter ou até melhorar resultados produtivos quando bem manejado, sobretudo em índices de bem-estar, saúde e desempenho reprodutivo.[3][5][8]
Um resumo do cenário:
| Ponto-chave | Situação / Tendência |
|---|---|
| Brasil – grandes empresas | Compromissos de migração para baias coletivas até **2025–2026**.[4] |
| União Europeia | Uso obrigatório de alojamento coletivo parcial desde **2013**.[2] |
| Mercado | Varejo e redes globais priorizam cadeias com bem-estar animal certificado.[2][4] |
| Produtor | Exige mais área, manejo de grupos e tecnologia de alimentação.[3][8] |
A literatura técnica aponta a transição para alojamento coletivo como “tendência inevitável” na suinocultura, com integração crescente de tecnologias de automação e monitoramento para garantir manejo eficiente e reduzir conflitos entre animais.[5]
O que observar daqui pra frente
Produtores integrados à Frimesa precisam acompanhar como serão definidos prazos, padrões de projeto e apoio técnico ou financeiro para a migração em novas granjas. O ponto central será equilibrar investimento, bem-estar e produtividade, avaliando acesso a crédito rural, exigências de biosseguridade, requisitos de certificações de bem-estar e eventuais diferenciações de preço para quem já operar, antes de 2030, com sistemas de alojamento coletivo bem estruturados.
Fontes
- Canal Rural - Frimesa adotará alojamento coletivo para matrizes suínas em novos projetos a partir de 2030
- MAPA – Gestação coletiva de matrizes suínas: boas práticas para o bem-estar na suinocultura
- Certified Humane Brasil – Gestação coletiva de matrizes suínas
- Frimesa – Compromisso com o bem-estar animal através do sistema "Cobre e solta"
- Iagro MS – Suinocultura: alojamento coletivo pode melhorar gestação de matrizes
- instagram.com
- repositorio.ufu.br
- ojs.revistadcs.com
- instagram.com
- doity.com.br
Continue lendo

Processamento de grãos aumenta desempenho e reduz custo no confinamento de bovinos
Tecnologias de processamento de milho elevam a digestibilidade do amido, melhoram ganho de peso e podem reduzir o custo da arroba no confinamento.

Chuvas intensas e calor de até 40°C: como fica o tempo no fim de julho e início de agosto
Fim de julho e começo de agosto terão chuva volumosa em várias regiões e calor acima da média, com impactos diretos no manejo da soja, milho, pastagens e logística.

Embrapa orienta sojicultores do Sul para enfrentar o El Niño
Embrapa divulga pacote de manejo, seguro e planejamento para reduzir perdas da soja e de outras culturas no Sul em anos de El Niño.