Manejo

Fungo benéfico reduz impacto da principal doença da pupunheira

Pesquisa brasileira mostra que fungos Trichoderma controlam a antracnose na pupunheira e podem virar ferramenta de manejo para o produtor de palmito.

19 de julho de 2026 4 min de leitura
Fungo benéfico reduz impacto da principal doença da pupunheira

Pesquisadores brasileiros identificaram fungos do gênero Trichoderma como aliados naturais no controle da antracnose, hoje considerada a principal doença da pupunheira em várias regiões produtoras de palmito no país.[2][7] O microrganismo reduz o desenvolvimento do fungo causador da doença e ainda pode estimular o crescimento das plantas, abrindo caminho para um manejo menos dependente de fungicidas.[2]

O que aconteceu

O estudo avaliou isolados de Trichoderma aplicados sobre plantas de pupunheira afetadas pela antracnose, doença associada ao fungo Colletotrichum gloeosporioides.[7] Nos testes, os isolados de Trichoderma apresentaram alta capacidade de inibir o patógeno, reduzindo o avanço das lesões nas folhas e nos frutos.[2][7]

Além de atuar diretamente contra o fungo da antracnose, o Trichoderma mostrou efeito benéfico sobre o desenvolvimento das plantas. Os pesquisadores observaram estímulo ao crescimento de raízes e melhora na absorção de nutrientes, o que pode resultar em plantas mais vigorosas e com maior resistência a estresses ambientais.[2]

A pesquisa se soma a outros trabalhos com pupunheira que já apontavam microrganismos benéficos como ferramentas de controle biológico. Estudos anteriores destacaram o uso de fungos endofíticos e de outras espécies de Trichoderma no combate a patógenos como Phytophthora palmivora e Fusarium, responsáveis por podridão da base do caule e da medula.[1][4][5]

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Por que importa para o agro

A pupunheira é hoje uma das principais fontes de palmito cultivado no Brasil, com expansão em estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo e regiões da Amazônia.[3][5][7] A antracnose está entre as doenças que mais derrubam produtividade, causando queda prematura de frutos, perda de folhas e redução do vigor das plantas.[5][7] Qualquer solução efetiva de controle impacta diretamente a oferta de palmito e a renda do produtor.

O uso de Trichoderma como controle biológico pode reduzir a dependência de fungicidas químicos, diminuir custos de manejo ao longo do tempo e atender à demanda crescente por produtos com apelo ambiental. Em sistemas de pequena e média escala, a tecnologia tem potencial para ser integrada ao manejo cultural, com aplicação em viveiros, solo e partes aéreas, complementando práticas de adubação e sanidade de plantios.[2][5]

Dados e contexto

Ponto chaveInformação
Principal doença em várias regiões**Antracnose**, causada por *Colletotrichum gloeosporioides*.[7]
Efeitos da antracnoseManchas em folhas, queda prematura de frutos e prejuízo à formação de mudas.[5][7]
Microrganismo aliadoFungos do gênero **Trichoderma**, com ação antagonista ao patógeno.[2]
Benefícios adicionaisEstímulo ao crescimento radicular e melhor absorção de nutrientes.[2]
Manejo tradicionalRemoção e queima de plantas doentes, ajuste de irrigação e adubação e uso de fungicidas.[5][6]

Pesquisas da Embrapa e de instituições parceiras já vinham apontando a importância de práticas integradas de manejo para doenças da pupunheira, combinando medidas culturais (sanidade de viveiros, eliminação de plantas doentes, correção de adubação) com produtos químicos seletivos.[3][5][6] A inclusão do Trichoderma nesse pacote amplia as opções de controle e pode ser adaptada a diferentes condições de solo e clima.

O uso de agentes biológicos em culturas perenes tem avançado em várias frentes do agro brasileiro, apoiado por entidades como Embrapa e universidades, com foco em reduzir perdas por doenças e melhorar eficiência do uso de insumos.[1][3][4] A pupunheira entra nesse movimento com boas perspectivas, dado o peso econômico do palmito e o histórico de problemas com patógenos de solo e de parte aérea.

O que observar daqui pra frente

Produtores e técnicos devem acompanhar o desenvolvimento de bioinsumos comerciais à base de Trichoderma específicos para pupunheira, bem como recomendações oficiais de dose, forma de aplicação e integração com fungicidas registrados. Ensaios de campo em diferentes regiões serão decisivos para validar o desempenho em escala comercial, ajustar o manejo em viveiros e lavouras e medir o impacto real na redução de perdas por antracnose e outras doenças.

Fontes

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