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Goiás dispara na vitivinicultura e cresce quase cinco vezes acima da média nacional

Número de vinícolas em Goiás cresceu 9,1% em 2025, quase cinco vezes acima da média nacional, consolidando o estado como polo de vinho no Centro-Oeste.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Goiás dispara na vitivinicultura e cresce quase cinco vezes acima da média nacional

O setor de vinhos ganhou força em Goiás em 2025. O número de vinícolas no estado cresceu 9,1% em um ano, quase cinco vezes acima da média brasileira, de 1,9%. Com isso, Goiás alcançou 12 vinícolas registradas e passou a concentrar 70,6% de todos os empreendimentos do Centro-Oeste, consolidando uma nova fronteira para a vitivinicultura nacional.

O que aconteceu

Levantamento com base em registros do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), compilados no Anuário do Vinho 2026, mostra que o Brasil tinha 965 vinícolas em 2025, contra 948 no ano anterior, avanço de 1,9%. Goiás, sozinho, responde por 12 desses estabelecimentos, dentro de um total de 17 vinícolas no Centro-Oeste.

O estudo destaca que Goiás foi o único estado da região Centro-Oeste a ampliar o número de vinícolas entre 2024 e 2025. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal permaneceram estáveis ou recuaram, o que reforça o papel de Goiás como polo regional.

Além do aumento de empresas, há avanço na oferta de produtos. Matérias recentes sobre o setor indicam 161 rótulos de vinhos registrados em Goiás, mostrando que a expansão não se limita à abertura de vinícolas, mas também à diversificação de estilos e faixas de preço.

Por que importa para o agro

O crescimento rápido da vitivinicultura em Goiás abre espaço para diversificação produtiva em áreas hoje dominadas por grãos e pecuária. A uva para vinho permite aproveitar condições de solo e clima do Cerrado com tecnologias de manejo específicas, agregando valor por hectare em comparação a culturas tradicionais.

Para o produtor, o movimento cria demanda por matéria-prima, serviços técnicos e turismo rural. Vinícolas consolidadas tendem a contratar fornecedores locais de uva, insumos, logística e mão de obra qualificada. Há também impacto positivo em propriedades que apostam em enoturismo, ampliando a renda com hospedagem, gastronomia e visitação.

Dados e contexto

O recorte nacional e regional ajuda a entender a mudança de peso de Goiás no mapa do vinho:

Indicador 2025BrasilCentro-OesteGoiás
Vinícolas registradas9651712
Crescimento anual de vinícolas1,9%9,1%
Participação de Goiás no Centro-Oeste70,6%

Estudos da Embrapa sobre vitivinicultura no Cerrado mostram aumento consistente da área com videira em Goiás, com taxas de expansão de dois dígitos na média dos últimos anos. Esses trabalhos apontam para a viabilidade técnica da produção de uvas finas em regime de dupla poda, adaptada ao clima da região.

O avanço também dialoga com a estratégia de agregação de valor no agro brasileiro. Em vez de exportar apenas commodities, estados como Goiás passam a ofertar produtos processados com identidade regional, como vinhos de terroir de Cerrado. Isso fortalece marcas locais, abre nichos de mercado interno e, no médio prazo, pode fomentar exportações de rótulos selecionados.

O que observar daqui pra frente

Produtores e investidores devem acompanhar três pontos: a evolução da área plantada com videira, os incentivos de políticas públicas voltadas à agroindústria e ao enoturismo, e a capacidade das vinícolas de manter padrão de qualidade e escala comercial. Se a combinação de tecnologia de manejo, organização de cadeia e promoção de marca se sustentar, Goiás tende a consolidar-se como referência nacional em vinhos de clima tropical, abrindo novas oportunidades de negócio para o agro regional.

Fontes

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