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Durigan aposta em solução para tarifas dos EUA após eleições

Ministro da Fazenda vê espaço político só após as eleições para destravar impasse tarifário com os EUA e reduzir pressão sobre exportadores brasileiros.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Durigan aposta em solução para tarifas dos EUA após eleições

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avalia que o impasse sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros deve ser resolvido apenas depois das eleições de outubro. Segundo ele, o ambiente atual é marcado por tensão política e tentativa de interferência no processo eleitoral, o que trava uma negociação técnica e mais racional sobre o comércio bilateral.

O que aconteceu

Durigan vem repetindo, em entrevistas e eventos públicos, que o chamado “tarifaço” dos EUA tem caráter político e está ligado ao contexto eleitoral e às divergências ideológicas entre os governos dos dois países. Ele afirma que, enquanto durar esse clima, é baixa a chance de acordo concreto sobre redução ou revisão das sobretaxas.

O ministro diz manter diálogo com autoridades norte-americanas e pretende levar os argumentos brasileiros em reuniões internacionais, como o G20, mas considera que a solução prática tende a aparecer só após o pleito. A expectativa é que, passado o período eleitoral, diminua o uso das tarifas como instrumento de pressão política e se abra espaço para uma discussão focada em dados econômicos.

Durigan também tem ressaltado que o Brasil “não se dobra” às medidas unilaterais e busca manter postura firme na defesa da indústria e do agronegócio. Ao mesmo tempo, insiste na continuidade do diálogo e na normalização futura do fluxo de comércio e da cooperação entre os dois países.

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Por que importa para o agro

Embora o foco das tarifas esteja em setores industriais, qualquer piora na relação comercial com os EUA afeta a percepção de risco sobre o Brasil e pode respingar no agronegócio. O produtor passa a acompanhar com mais atenção câmbio, custo de insumos importados e eventuais barreiras futuras a proteínas, milho, soja e derivados.

Os Estados Unidos são concorrentes diretos do Brasil em grãos e carnes e também importantes fornecedores de tecnologia, máquinas e insumos. Um ambiente de maior tensão tarifária amplia a volatilidade de preços, pode mudar rotas de exportação e exigir mais estratégia comercial de cooperativas, tradings e indústrias ligadas ao campo.

Dados e contexto

Nos últimos anos, o Brasil consolidou posição entre os maiores exportadores globais de soja, milho, carne bovina e de frango, com os EUA ocupando papel semelhante em vários desses mercados, segundo dados de organismos como USDA e Ministério da Agricultura.

O peso do comércio exterior é relevante para o campo: historicamente, mais de 40% do valor bruto da produção agropecuária brasileira depende de exportações, conforme séries de dados da Conab e da Secretaria de Comércio Exterior.

As sobretaxas anunciadas pelos EUA se somam a um cenário já marcado por:

  • Disputa por mercado em commodities agrícolas entre Brasil e EUA.
  • Pressões por acordo em temas como subsídios, barreiras sanitárias e ambientais.
  • Maior escrutínio internacional sobre práticas de sustentabilidade na produção.
Em paralelo, o câmbio segue sensível a notícias de tensões diplomáticas. Movimentos bruscos do dólar impactam diretamente custos de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas, além do preço recebido pelo produtor na exportação.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e agroindústrias devem acompanhar o desenrolar do cenário eleitoral e o tom das declarações oficiais de ambos os governos. Passado o período de maior tensão, o ponto-chave será verificar se os EUA de fato abrem espaço para revisão das tarifas e se o Brasil consegue transformar o discurso de defesa de seus interesses em acordos concretos. Para o agro, interessa menos a disputa política e mais a previsibilidade nas regras de comércio, câmbio e acesso a mercados.

Fontes

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