Sustentabilidade

Google mira arroz gaúcho com pó de rocha em megaprojeto de carbono

Maior acordo de remoção de carbono do Google vai usar arroz irrigado no RS e pó de rocha para cortar metano e capturar CO₂ em 200 mil hectares.

19 de setembro de 2026 4 min de leitura
Google mira arroz gaúcho com pó de rocha em megaprojeto de carbono

O Google fechou seu maior acordo de remoção de carbono em plantações de arroz irrigado no Rio Grande do Sul, em projeto liderado pela climate tech Terradot. Em mais de 200 mil hectares, a iniciativa vai combinar manejo para reduzir metano com aplicação de pó de rocha nos solos, mirando impacto climático de 2 milhões de toneladas métricas até 2040.

O que aconteceu

O acordo prevê duas frentes principais: eliminação de metano nas lavouras de arroz até 2030 e remoção permanente de dióxido de carbono ( CO₂ ) via meteorização aprimorada de rochas até 2040. Somadas, essas ações correspondem à compra de créditos equivalente a 1 milhão de toneladas de impacto em metano e 1 milhão de toneladas de remoção de carbono.

O projeto será implantado em arrozais irrigados do Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país, com área total superior a 200 mil hectares. A Terradot vai trabalhar diretamente com produtores para ajustar práticas de manejo da água e das áreas alagadas e aplicar pó de rocha de origem vulcânica sobre o solo agrícola.

Segundo comunicados oficiais do Google e da Terradot, esse será o maior projeto de meteorização aprimorada de rochas (Enhanced Rock Weathering, ERW) já anunciado no mundo, e o maior acordo de compra de remoção de carbono da história da empresa.

Por que importa para o agro

Para o produtor de arroz, o projeto abre uma nova frente de renda ligada a créditos de carbono, sem deixar de lado a produtividade. Ajustes de manejo de irrigação e uso de pó de rocha podem ser incorporados ao sistema de produção com apoio técnico, gerando receita adicional pela redução de metano e pela remoção de CO₂.

Para a cadeia, o movimento sinaliza que grandes empresas de tecnologia estão dispostas a financiar soluções climáticas diretamente na lavoura. Isso tende a acelerar a adoção de práticas como manejo de água mais eficiente, diversificação de insumos (como rochas moídas) e monitoramento digital de emissões, criando um mercado mais estruturado para projetos de baixa emissão no arroz irrigado.

Dados e contexto

O arroz irrigado é conhecido por emissões relevantes de metano (CH₄) devido às áreas alagadas. Em inventários de gases de efeito estufa, o metano é apontado como um dos principais responsáveis pelas emissões da agricultura, com potencial de aquecimento global bem superior ao CO₂ em prazos de 20 anos.

A técnica de meteorização aprimorada de rochas consiste em aplicar pó de rocha, geralmente de origem basáltica ou vulcânica, sobre o solo. Ao reagir quimicamente com água e CO₂, esse material ajuda a capturar carbono da atmosfera em formas estáveis ao longo do tempo. Estudos internacionais vêm testando ERW em culturas como milho, soja e arroz, mas o projeto no RS se destaca pela escala.

O Rio Grande do Sul responde por boa parte da produção nacional de arroz irrigado. Dados recentes da Conab e do IBGE apontam o estado como líder em área e volume de produção, concentrando lavouras em regiões como a Metade Sul. Essa concentração agrícola facilita projetos de grande escala em manejo climático.

Do ponto de vista de mercado, programas de carbono no agro já começam a surgir no Brasil em culturas como soja e pecuária. O acordo do Google com a Terradot amplia o foco para o arroz irrigado, segmento que até agora tinha menos iniciativas estruturadas de crédito de carbono.

Se necessário, o projeto poderá se apoiar em dados de monitoramento de emissões e de solo de instituições como Embrapa Clima Temperado e redes de pesquisa em manejo de arroz irrigado, que já estudam alternativas para reduzir metano e melhorar eficiência de água.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar como será feita a verificação dos créditos, quais exigências de manejo serão adotadas e que tipo de apoio técnico e financeiro estará disponível na ponta. Há oportunidade de monetizar práticas mais sustentáveis, mas também riscos regulatórios e de desempenho agronômico se o uso de pó de rocha e mudanças na irrigação não forem bem ajustados à realidade de cada sistema produtivo.

Fontes

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