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Governo prepara novos leilões portuários e concessão da hidrovia do Paraguai

Ministro Silvio Costa Filho anuncia leilões portuários e concessão da hidrovia Paraguai-Paraná, com potencial de reduzir frete e ampliar exportações do agro.

23 de maio de 2026 4 min de leitura
Governo prepara novos leilões portuários e concessão da hidrovia do Paraguai

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o governo planeja novos leilões portuários e a concessão da hidrovia Paraguai-Paraná para a iniciativa privada. O objetivo é destravar investimentos em infraestrutura, reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das exportações do agronegócio brasileiro.

O que aconteceu

Em evento setorial, Silvio Costa Filho destacou que a pasta trabalha em um pacote de novos leilões de terminais portuários ainda neste governo. A intenção é ampliar capacidade de embarque, modernizar estruturas e atrair capital privado para áreas estratégicas de escoamento de grãos, carnes e minérios.

O ministro também citou o avanço das tratativas para concessão da hidrovia Paraguai-Paraná, corredor fundamental para o Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O modelo deverá prever investimentos em dragagem, sinalização e melhoria da navegação, com metas de desempenho e segurança.

Segundo Costa Filho, a equipe técnica ainda ajusta editais e cronogramas, em diálogo com outros ministérios e órgãos de controle. A prioridade é dar previsibilidade regulatória para garantir concorrência e contratos de longo prazo atrativos para operadores logísticos e tradings.

Por que importa para o agro

A concessão da hidrovia e os novos terminais portuários podem reduzir o custo do frete de grãos em dezenas de dólares por tonelada, dependendo da rota. Para o produtor de soja, milho e farelo, isso se traduz em melhor preço na fazenda e maior margem em anos de pressão nas cotações internacionais.

Além de baratear o transporte, a ampliação da infraestrutura portuária diminui filas, tempo de espera e risco de perda de qualidade nas cargas. Com fluxos mais previsíveis, cooperativas, tradings e indústrias podem planejar melhor compras, armazenagem e prazos de entrega, reduzindo volatilidade e aperto nos períodos de pico de safra.

Dados e contexto

A hidrovia Paraguai-Paraná é um dos principais eixos de integração logística da América do Sul, conectando Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Pelo lado brasileiro, impacta diretamente áreas produtoras da Bacia do Alto Paraguai, região que vem ampliando área de soja, milho e pecuária de corte.

Segundo a Embrapa e a Conab, o Brasil produziu cerca de 170 milhões de toneladas de soja e mais de 115 milhões de toneladas de milho nas últimas safras somadas, com forte concentração no Centro-Oeste. A maior parte dessa produção depende de estradas e portos para chegar à China, União Europeia e outros mercados.

Estudos do Ipea e da EPL (atual Infra S.A.) mostram que o uso intensivo de hidrovias pode reduzir o custo de transporte de longa distância em 30% a 50% em comparação ao modal rodoviário. No corredor Norte e no eixo Paraguai-Paraná, isso é decisivo para a competitividade frente a Estados Unidos e Argentina, que já operam cadeias mais integradas ao transporte aquaviário.

No front portuário, dados da Antaq indicam que mais de 1,2 bilhão de toneladas passaram pelos portos brasileiros em 2023, com grãos e minérios liderando os volumes. A projeção do USDA e da própria Conab é de crescimento contínuo do volume exportado de soja e milho na próxima década, o que exige expansão e modernização imediata da infraestrutura.

Indicador logísticoSituação atual aproximada
Participação do modal hidroviário na matriz de carga~5% (ANTT/Ipea)
Economia potencial no frete com uso de hidrovias30%–50% (Ipea/EPL)
Movimentação total de portos brasileiros (2023)>1,2 bi t (Antaq)

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar a publicação dos editais de concessão, os prazos de leilão e os investimentos obrigatórios em cada projeto. O ritmo de licenciamento ambiental, a qualidade dos contratos e a articulação entre União, Estados e países vizinhos vão definir se a hidrovia Paraguai-Paraná e os novos terminais portuários se tornam, de fato, corredores estáveis e competitivos para o agro brasileiro.

Fontes

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