Mercado

Governo retoma produção de fertilizantes na Fafen-BA com R$ 100 milhões

Unidade da Fafen em Camaçari volta a operar com investimento de R$ 100 milhões e capacidade de 1 milhão de toneladas por ano, reduzindo dependência externa.

16 de maio de 2026 4 min de leitura
Governo retoma produção de fertilizantes na Fafen-BA com R$ 100 milhões

A fábrica de fertilizantes nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, voltou a operar após receber R$ 100 milhões em investimentos do governo federal. A unidade, que estava parada, retoma a produção com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano, reforçando a oferta interna de insumos e ajudando a reduzir a dependência de importações, ponto central de custo para o produtor rural.

O que aconteceu

A Fafen-BA foi reativada como parte de uma estratégia de retomada da produção nacional de fertilizantes. O foco inicial é a produção de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia e amônia, usados em larga escala nas culturas de soja, milho, trigo, cana-de-açúcar e pastagens.

O investimento de aproximadamente R$ 100 milhões foi direcionado a adequações operacionais, segurança industrial e modernização de equipamentos. A unidade volta ao mercado com capacidade instalada de 1 milhão de toneladas por ano, podendo aliviar parte da demanda hoje atendida por produtos importados.

A reabertura da planta em Camaçari também recompõe parte da cadeia de gás e petroquímicos da região, incluindo fornecedores de matéria-prima e serviços. A operação é estratégica pelo acesso à infraestrutura logística, portuária e de gás natural, reduzindo custos de escoamento da produção.

Por que importa para o agro

Fertilizantes respondem por 30% a 40% do custo direto de produção em culturas como soja e milho, segundo a Embrapa. Como o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome (dados do MAPA e da ANDA), qualquer aumento da oferta interna ajuda a suavizar a volatilidade de preços ligada ao câmbio e a crises externas.

A Fafen-BA não resolve sozinha o déficit de produção nacional, mas é um movimento relevante na estratégia de segurança de insumos. Para o produtor, o impacto potencial está em maior competição entre fornecedores, maior previsibilidade de oferta e menor exposição a choques internacionais, como os vistos durante a guerra na Ucrânia, que pressionaram fortemente os preços de nitrogenados.

Dados e contexto

O Brasil é um dos maiores consumidores de fertilizantes do mundo, empurrado pela expansão da soja, milho e algodão. Ao mesmo tempo, a produção doméstica é limitada e concentrada em poucas unidades.

IndicadorValor aproximado / Fonte
Dependência de importação de fertilizantes**~85%** do consumo nacional – MAPA/ANDA

| Consumo anual de fertilizantes no Brasil | 40–45 milhões t – ANDA | | Participação dos fertilizantes no custo de produção | 30–40% em grãos – Embrapa | | Capacidade da Fafen-BA reativada | 1 milhão t/ano – Governo Federal |

A maior parte dos nitrogenados consumidos pelo Brasil vem de países como Rússia, Catar, Argélia e EUA, segundo dados de comércio exterior compilados pelo MAPA. Com isso, o custo do produtor fica altamente sensível a câmbio, frete marítimo e conflitos geopolíticos.

O governo já havia anunciado o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), com metas de elevar a participação da produção nacional ao longo da próxima década. A reativação da Fafen-BA se encaixa nessa agenda, ao lado de iniciativas privadas de novas plantas de fertilizantes e projetos de insumos de base biológica.

O que observar daqui pra frente

O produtor deve acompanhar como essa retomada se reflete em preços efetivos de fertilizantes na revenda, prazos de entrega e condições de barter para a próxima safra. Pontos de atenção são a regularidade da operação da Fafen-BA, a competitividade frente ao produto importado, a política de gás natural e os próximos passos do Plano Nacional de Fertilizantes, que podem abrir novas oportunidades de negociação e planejamento de compra antecipada de insumos.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo