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Guerra no Irã ameaça suprimento global de fertilizantes nitrogenados e compromete bilhões de refeições semanais

Conflito no Golfo Pérsico interrompe produção de até 500 mil toneladas de fertilizantes por semana, arriscando 10 bilhões de refeições e impactando safras na América Latina, incluindo o Brasil. Análise técnica revela perdas de produtividade de até 50%.

07 de maio de 2026 6 min de leitura
Guerra no Irã ameaça suprimento global de fertilizantes nitrogenados e compromete bilhões de refeições semanais

O conflito armado no Irã, com bloqueio no Estreito de Ormuz, está paralisando o fluxo de insumos essenciais para a agricultura mundial. Svein Tore Holsether, CEO da Yara — uma das maiores produtoras globais de fertilizantes —, alerta que a interrupção pode custar até 10 bilhões de refeições por semana, afetando especialmente nações em desenvolvimento como as da África Subsaariana, Sudeste Asiático e América Latina. No Brasil, maior importador de fertilizantes do mundo, o impacto pode elevar custos e reduzir produtividade em safras como soja e milho.

Essa crise geopolítica expõe a vulnerabilidade da cadeia global de nitrogênio, principal nutriente para o crescimento vegetal. Sem fertilizantes, quedas de produtividade de até 50% em culturas anuais são esperadas já na primeira safra, segundo estimativas técnicas. Enquanto produtores enfrentam preços elevados de energia, diesel e insumos, os valores das commodities agrícolas não acompanham, comprimindo margens.

A situação reforça a necessidade de diversificação de fontes e investimentos em tecnologias de eficiência no uso de nutrientes, como defendido pela Embrapa. Este artigo aprofunda os aspectos técnicos, impactos no campo brasileiro e estratégias para produtores e decisores.

Contexto e fundamentação

O Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial e rotas críticas de gás natural e ureia (principal fertilizante nitrogenado), foi bloqueado pelas hostilidades no Irã, iniciadas em abril de 2026. Essa via marítima é vital para exportações de Qatar, Irã e Arábia Saudita, que respondem por cerca de 70% da ureia global, conforme relatório da International Fertilizer Association (IFA).

Dados da Yara indicam que 500 mil toneladas de fertilizantes nitrogenados deixam de ser produzidas semanalmente. Historicamente, crises semelhantes, como a Guerra do Golfo em 1990-1991, elevaram preços de ureia em 300%, impactando safras globais. No Brasil, o MAPA registra que o país importou 48 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, com 85% do nitrogênio vindo do Oriente Médio e África do Norte.

A Conab, em seu 2º Levantamento da Safra 2025/26, projeta produção de soja em 169 milhões de toneladas, mas alerta para riscos de déficit hídrico e insumos. O USDA, em relatório de abril de 2026, estima que uma interrupção prolongada pode reduzir a produção global de grãos em 5-8%, equivalente a 50-80 milhões de toneladas.

Principais exportadores de ureia (2025)Participação global (%)Produção anual (milhões t)
Qatar2512,5
Irã157,5
Arábia Saudita126,0
Rússia105,0
Egito84,0

(Fonte: IFA e USDA, adaptado)

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Aspectos técnicos

Fertilizantes nitrogenados, como ureia (46% N) e nitrato de amônio (34% N), são absorvidos pelas plantas via raízes, promovendo crescimento foliar e proteínas. Sem eles, culturas como milho perdem 40-60% de produtividade, conforme estudos da Embrapa Milho e Sorgo. A aplicação ideal segue a fórmula 4R: taxa certa, fonte adequada, momento preciso e local correto.

Tecnicamente, a ureia é produzida via processo Haber-Bosch, que consome gás natural — abundante no Golfo. O bloqueio eleva custos logísticos em US$ 50-100/t para rotas alternativas via Cabo da Boa Esperança. Comparativamente, em 2022, a guerra na Ucrânia dobrou preços de nitrogênio de US$ 400 para US$ 900/t; agora, projeções da Bloomberg indicam US$ 1.200/t até junho de 2026.

No Brasil, solos tropicais têm baixa matéria orgânica (média 2%), exigindo 150-200 kg N/ha para soja. Testes da Embrapa mostram que doses reduzidas de 30% cortam rendimento em 25%. Parâmetros de solo como pH (ideal 6,0-6,5) e CEC (capacidade de troca catiônica >10 cmol/kg) influenciam eficiência.

Aplicações práticas no campo

Produtores brasileiros devem priorizar manejo integrado de nutrientes (MIN), combinando adubação mineral com orgânicos. Exemplo: na safra de milho safrinha em Mato Grosso, aplicar 120 kg N/ha em cobertura, via fertirriga ou foliar, usando inibidores de urease como NBPT para reduzir perdas por volatilização em 40% (dados Embrapa).

Ferramentas como o Sistema 5Embrapa recomendam doses baseadas em análise foliar: para soja, manter N foliar em 4-5%. Casos concretos: fazendas em Sorriso (MT) relataram, em 2025, aumento de 12% em produtividade com sensores de N (GreenSeeker). Para mitigar escassez, estocar ureia importada da Argélia ou Trinidad e Tobago, e adotar rotação com leguminosas fixadoras de N.

Lista de práticas imediatas:

  • Análise de solo pré-plantio: Identificar deficiências via labs como Embrapa.
  • Adubos de liberação lenta: Como Agrotain, reduzindo aplicações em 20%.
  • Monitoramento via drones: Detectar deficiências precoces.
  • Diversificação: Cultivos tolerantes como sorgo (exige 20% menos N que milho).

Insights para o tomador de decisão

Riscos críticos: Prolongamento do conflito pode disparar inflação alimentar em 15-20% no Brasil (IBGE), com fome afetando 800 milhões globalmente (FAO). Oportunidades: investir em produção nacional de ureia — projetos como o da Heringer em Serra do Salitre (MG) visam 1 milhão t/ano até 2028.

Recomendações estratégicas:

  • Gestão de estoques: MAPA deve coordenar importações via leilões Conab.
  • Incentivos fiscais: Reduzir ICMS sobre fertilizantes alternativos.
  • Parcerias público-privadas: Com Yara e Mosaic para plantas locais.
  • Análise de risco geopolítico: Usar cenários USDA para hedging de preços.
Crítica: Dependência de 85% de importações expõe o agro; diversificação para Canadá e EUA é essencial, mas logística eleva custos em 15%.

Conclusão

A guerra no Irã não é mero conflito distante: ameaça a base da segurança alimentar global, com Brasil na linha de frente. Perdas de 10 bilhões de refeições semanais demandam ação urgente em eficiência e autossuficiência. Perspectivas indicam normalização em 3-6 meses, mas lições permanentes para resiliência no agronegócio. Produtores que adotarem MIN e diversificação sairão fortalecidos.

Fontes

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