Sustentabilidade

Iata prevê avanço do combustível sustentável na aviação até 2026

Iata projeta que o SAF abastecerá até 0,8% da aviação em 2026, abrindo nova frente de demanda para óleos vegetais, etanol e resíduos do agro.

06 de junho de 2026 4 min de leitura
Iata prevê avanço do combustível sustentável na aviação até 2026

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) projeta que o combustível sustentável de aviação (SAF) deve responder por cerca de 0,8% do consumo global de combustível de aviação em 2026, ante uma fatia ainda marginal hoje. A previsão mostra que a descarbonização do setor começa a ganhar escala e abre espaço para novas cadeias de suprimento ligadas ao agro, especialmente óleos vegetais, etanol e resíduos agrícolas.

O que aconteceu

A Iata atualizou suas projeções e estima que a produção mundial de SAF deve continuar crescendo de forma acelerada nos próximos anos, ainda que partindo de uma base pequena. A entidade vê expansão da capacidade industrial e mais projetos de biorrefinarias em diferentes regiões, impulsionados por metas de clima e por políticas públicas em grandes mercados, como Europa e Estados Unidos.

Mesmo com o avanço, o SAF seguirá como parcela minoritária do combustível da aviação em 2026. O querosene fóssil continuará dominando a matriz, mas a Iata considera o aumento de participação do SAF um passo essencial para alcançar a meta de emissões líquidas zero em 2050 definida pelo setor aéreo. A adoção de misturas obrigatórias e incentivos fiscais é apontada como decisiva para destravar investimentos.

Por que importa para o agro

O SAF pode ser produzido a partir de óleos vegetais (como soja e palma), gorduras animais, resíduos agrícolas, etanol e biomassas diversas. Isso cria uma nova frente de demanda para matérias-primas já consolidadas no agro brasileiro e também para coprodutos e resíduos hoje subaproveitados, com potencial de agregar valor à produção.

Para o produtor, a tendência abre oportunidade de integrar-se a cadeias de biocombustíveis de maior valor agregado, em contratos de longo prazo com indústrias e tradings. Para a agroindústria, o movimento da aviação pode puxar novos investimentos em biorrefinarias flexíveis, capazes de produzir biodiesel, diesel verde (HVO) e SAF, aproveitando a base já existente de esmagamento de soja, cana-de-açúcar e outras culturas energéticas.

Dados e contexto

O SAF tem composição similar ao querosene de aviação convencional, permitindo uso nas aeronaves atuais em mistura com o combustível fóssil, sem necessidade de mudanças significativas na frota ou na infraestrutura aeroportuária.[1]

Governos e instituições internacionais vêm elevando a pressão por combustíveis de baixo carbono na aviação. A Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) estabeleceu o esquema CORSIA, que incentiva o uso de combustíveis sustentáveis para compensar emissões. União Europeia e Estados Unidos já avançam em mandatos de mistura mínima de SAF, o que tende a puxar a demanda global.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, milho, cana-de-açúcar e óleos vegetais, insumos-chave para rotas de SAF como HEFA (a partir de óleos e gorduras) e rotas baseadas em etanol e biomassa. Experiências nacionais com etanol de aviação e diesel verde indicam que a infraestrutura logística e industrial pode ser adaptada para o novo mercado, aproveitando aprendizados do RenovaBio.

Para o agro, três pontos se destacam:

  • Nova demanda potencial: maior consumo de SAF pode disputar óleo vegetal, etanol e gorduras com alimentos, rações e biodiesel.
  • Prêmio de sustentabilidade: matéria-prima certificada com baixa pegada de carbono tende a receber valor adicional em mercados regulados.
  • Integração de cadeias: usinas de etanol, esmagadoras de soja e plantas de biodiesel podem migrar ou adaptar parte da produção para SAF.
FatorTendência até 2026
Participação do SAF no combustível da aviaçãoAté **0,8%** segundo a Iata
Papel do querosene fóssilMantém maioria da matriz energética

| Papel do agro | Fornecedor de óleos, etanol e resíduos para SAF |

O que observar daqui pra frente

O produtor e a agroindústria devem acompanhar de perto políticas de SAF no Brasil e no exterior, a definição de critérios de sustentabilidade e a instalação de novas biorrefinarias. Mudanças regulatórias, como metas obrigatórias de mistura e programas de crédito de descarbonização, podem acelerar a demanda por matérias-primas do agro e diferenciar quem investir cedo em certificação ambiental, logística dedicada e parcerias com o setor aéreo e energético.

Fontes

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