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IG4 tenta assumir controle da Raízen por meio de dívida

Gestora de Paulo Mattos negocia compra de dívidas da Raízen e pode ganhar influência sobre a companhia sucroenergética.

18 de junho de 2026 3 min de leitura
IG4 tenta assumir controle da Raízen por meio de dívida

A IG4 Capital, gestora liderada por Paulo Mattos, voltou ao centro do mercado com a negociação de parte da dívida da Raízen. A estratégia pode dar à casa um papel decisivo na reestruturação da sucroenergética, que protocolou recuperação extrajudicial em 3 de junho. O movimento importa porque envolve uma das maiores empresas da cadeia de cana, açúcar e etanol do país.

O que aconteceu

Segundo o AgFeed, a IG4 iniciou em 15 de junho o envio de cartas a credores da Raízen com ofertas para comprar direitos ligados à dívida. A proposta é trocar esses créditos por cotas de um fundo de investimento e participações que poderia se tornar controlador da companhia.[2]

A operação mira uma fatia relevante de um passivo de R$ 65 bilhões, incluído no plano de recuperação extrajudicial da empresa. A ideia é repetir, na Raízen, uma engenharia financeira parecida com a usada em casos de ativos estressados, área em que a IG4 já atuou em outras reestruturações.[2][3]

A Bloomberg Línea também informou que a gestora propôs comprar dívida suficiente para obter participação majoritária, mas destacou que ainda não há acordo fechado.[4]

Por que importa para o agro

A Raízen tem peso direto no agro por estar entre as maiores plataformas integradas de cana, açúcar, etanol e bioenergia do país. Qualquer mudança no controle ou na estrutura de capital da empresa pode afetar fornecedores de cana, contratos industriais, logística e investimentos em biocombustíveis.

Para o produtor, o principal ponto é a continuidade operacional e a previsibilidade comercial. Se a reestruturação destravar capital e reduzir pressão financeira, a empresa pode ganhar fôlego para compras de cana, manutenção de usinas e projetos de expansão. Se o processo travar, o risco é de atraso em investimentos e mais incerteza na cadeia.[2][4]

Dados e contexto

IndicadorDado
Dívida citada no plano**R$ 65 bilhões**
Data do protocolo da recuperação extrajudicial**3 de junho**
Início das cartas da IG4 a credores**15 de junho**
Perfil da IG4Gestora especializada em ativos estressados

A Raízen é uma joint venture entre Shell e Cosan, o que aumenta o peso estratégico da negociação. A movimentação da IG4 lembra a lógica de investimentos em situações de estresse financeiro, em que a compra de dívida vira porta de entrada para influência societária.[2][3]

A reportagem do AgFeed também aponta Paulo Mattos como o investidor por trás da operação, reforçando o foco da gestora em reestruturações complexas.[1][2]

O que observar daqui pra frente

O mercado vai acompanhar se a adesão dos credores será suficiente para viabilizar o desenho proposto pela IG4. Também será decisivo saber qual será a posição da Raízen, de seus sócios e dos principais financiadores. Para o agro, o ponto prático é monitorar se a empresa preservará a rotina de recebimento de cana, contratos de fornecimento e planos industriais. Qualquer mudança na governança pode afetar preço, prazo e investimento no setor.

Fontes

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