Inadimplência no agro atinge 8,2% e acende alerta no crédito rural
Levantamento da Serasa Experian mostra inadimplência de 8,2% entre produtores rurais, pressionando acesso a crédito e custo financeiro no agro.
A inadimplência entre produtores rurais brasileiros chegou a 8,2%, segundo estudo da Serasa Experian, e preocupa bancos, tradings e cooperativas de crédito. O avanço dos atrasos em financiamentos e dívidas de custeio e investimento encarece o dinheiro no campo e pode limitar o acesso a novos recursos em plena preparação de safra.
O que aconteceu
Levantamento da Serasa Experian mostra aumento da participação de produtores rurais na base de inadimplentes do país, com taxa média de 8,2% de endividamento em atraso na carteira do agro[1]. O estudo considera principalmente operações de crédito bancário, contas em atraso com empresas e dívidas registradas em birôs de crédito.
O cenário reflete pressão de custos de produção, juros mais altos e queda de preços em algumas commodities, que reduziram a capacidade de pagamento de parte dos agricultores[1]. Em muitos casos, o produtor entrou na safra alavancado, contando com produtividade cheia e preços firmes, o que não se confirmou em todas as regiões.
A pesquisa também indica maior atenção das instituições financeiras na concessão de crédito rural, com aumento na análise de risco, cruzamento de dados de pagamento e uso de soluções de monitoramento de score para o agronegócio[1].
Por que importa para o agro
Inadimplência mais alta tende a encarecer os juros, reduzir prazos e aumentar as exigências de garantia para financiamentos rurais. Para o produtor, isso significa custo financeiro maior por hectare, menos fôlego para investir em tecnologia e maior dependência de barter, cooperativas e programas públicos.
Para a cadeia do agro, o avanço dos atrasos pode travar vendas a prazo de insumos, máquinas e serviços. Indústrias, revendas e tradings ficam mais seletivas, exigem mais garantias ou antecipam recebíveis, o que reduz margem em toda a cadeia e pode afetar fluxo de oferta de crédito privado nas próximas safras.
Dados e contexto
Segundo a Serasa Experian, produtores rurais vêm aumentando sua participação no total de pessoas jurídicas com contas em atraso no país, acompanhando a pressão de custos e a volatilidade de preços agrícolas[1]. Em vários estados, operações de custeio de grãos e pecuária respondem por parcela relevante das dívidas renegociadas com bancos e tradings.
No Brasil, o crédito rural vem combinando recursos controlados (Plano Safra, equalizados pelo governo) com fontes livres, CPRs, barter e financiamentos com indústria. Em cenário de maior risco, instituições tendem a:
- Aumentar spread de juros sobre operações livres.
- Priorizar clientes com histórico de pagamento e boa gestão de caixa.
- Exigir mais garantias reais ou contratação de seguro agrícola.
- Ampliar o uso de ferramentas de análise de dados de safra, clima e mercado.
A Serasa Experian tem intensificado ofertas de soluções específicas para o agro, como modelos de crédito que consideram histórico de produção, perfil da região e comportamento de pagamento, buscando reduzir o risco de calote sem travar totalmente o crédito ao setor[1].
O que observar daqui pra frente
Produtores devem acompanhar de perto a negociação de dívidas, a taxa de juros das novas operações e eventuais programas de renegociação de crédito rural. A gestão de caixa por safra, o uso disciplinado de ferramentas como CPR e barter e a contratação de seguro ou hedge de preços podem ser decisivos para evitar entrar nas estatísticas de inadimplência e preservar acesso a crédito mais barato nas próximas temporadas.
Fontes
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