Manejo

Incêndios em MT, TO e RO colocam rebanhos em risco e destroem lavouras

Fogo em áreas rurais de Mato Grosso, Tocantins e Rondônia atinge fazendas, assusta rebanhos e gera prejuízos a produtores.

25 de agosto de 2026 5 min de leitura
Incêndios em MT, TO e RO colocam rebanhos em risco e destroem lavouras

Um vídeo que mostra o gado correndo para escapar das chamas em Jangada (MT) resume a gravidade dos incêndios que avançam por áreas rurais de Mato Grosso, Tocantins e Rondônia. A combinação de tempo seco, calor intenso e vento forte espalhou o fogo por pastagens, lavouras e áreas de vegetação, gerando prejuízos a dezenas de produtores e ameaça direta ao rebanho.

O que aconteceu

Em Jangada, no Mato Grosso, o incêndio atingiu áreas de plantio e de criação, encurralando o gado e obrigando os animais a correr em meio à fumaça para escapar do fogo. A cena foi registrada em vídeo e viralizou entre produtores e técnicos, evidenciando o risco para o bem-estar animal e para a segurança dos trabalhadores da fazenda.[1]

De acordo com o Corpo de Bombeiros, rajadas de vento de cerca de 40 km/h, vegetação seca e pastagens sujas facilitaram o avanço rápido das chamas. Uma área de 120 hectares de cana-de-açúcar foi totalmente destruída, além de pastos e cercas. Produtores relataram perdas de infraestrutura e tiveram de sair de casa às pressas.[1]

Em São Miguel do Tocantins, o fogo destruiu 50 hectares de vegetação em um assentamento com cerca de 150 famílias de agricultores familiares. Foram mais de 24 horas de combate até a Defesa Civil controlar o incêndio, sem registro de feridos ou casas queimadas, mas com impacto direto sobre a base produtiva das famílias.[1]

Em Mirante da Serra (RO), o incêndio ganhou grandes proporções, atingiu propriedades rurais e uma área de preservação. As causas ainda são investigadas, mas o padrão é o mesmo: clima seco, alta temperatura e material combustível acumulado em áreas de pastagem e beira de mata.[1]

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Por que importa para o agro

Para a pecuária, cenas de rebanhos em fuga indicam risco imediato de morte de animais, abortos, pisoteio e estresse térmico, além de acidentes com vaqueiros. Em muitos casos, o fogo obriga a suspensão de manejo, a retirada emergencial de gado e a realocação para áreas improvisadas, elevando custos com transporte, suplementação e recuperação de pasto.

Na agricultura, a destruição de 120 ha de cana em Jangada e de vegetação em assentamentos representa perda direta de receita, quebra de contratos e redução de matéria-prima para a indústria. Em estados como Mato Grosso, onde o agro responde por mais de 50% do PIB estadual, choques dessa natureza pressionam fluxos logísticos, renda local e capacidade de investimento em tecnologia e intensificação.[1]

Dados e contexto

O padrão observado na reportagem segue o cenário já apontado por órgãos de monitoramento:

  • O Inpe registra, historicamente, picos de queimadas na transição entre seca e início das chuvas na Amazônia e no Cerrado, com Mato Grosso, Tocantins e Rondônia entre os líderes em focos de calor.
  • A Embrapa reforça que pastagens degradadas, com excesso de massa seca e falta de manejo, aumentam a carga de combustível e a velocidade do fogo.
  • Segundo dados recentes de outras ocorrências em MT, incêndios já chegaram a queimar milhares de hectares de pastagens e lavouras em um único evento, com prejuízos na casa de milhões de reais para propriedades de médio e grande porte.[2][15]
  • Em áreas de cana, levantamentos estaduais já apontaram centenas de focos em poucos dias de setembro em anos recentes, com impacto direto sobre produtividade, qualidade tecnológica da matéria-prima e programação industrial.[11]
Uma síntese dos números citados na reportagem:
LocalÁrea queimada / atingida

| Jangada (MT) | 120 ha de cana + pastagens e cercas[1] | | São Miguel do TO | 50 ha de vegetação em assentamento[1] | | Mirante da Serra (RO) | Propriedades rurais e área de preservação (sem área consolidada)[1] |

Esses episódios se somam a outras ocorrências recentes em MT, onde já houve registro de 20 incêndios em combate ao mesmo tempo em diferentes municípios, segundo autoridades locais, pressionando bombeiros e Defesa Civil.[6]

O que observar daqui pra frente

Produtores da região devem acompanhar alertas de Inmet e Defesa Civil sobre baixa umidade e risco de fogo, ajustar rotinas de manejo para horários mais frescos e revisar o plano de prevenção: aceiros bem feitos, limpeza de pastagens, manutenção de estradas internas e pontos de água acessíveis para combate rápido. A articulação com vizinhos, sindicatos rurais e prefeituras será decisiva para reduzir perdas de rebanho e de lavouras enquanto o período seco persistir.

Fontes

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