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Itaú BBA vê fim da tempestade no agro, mas mantém crédito mais seletivo

Banco projeta crescimento da carteira agro com foco em gestão financeira e alerta para inadimplência do médio produtor.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Itaú BBA vê fim da tempestade no agro, mas mantém crédito mais seletivo

O Itaú BBA avalia que a fase mais crítica do agronegócio, marcada por margens apertadas, juros altos e aumento da inadimplência, começa a ficar para trás, mas sinaliza que o crédito seguirá mais seletivo, principalmente para médios produtores. O banco projeta expansão da carteira agro, mas condiciona o crescimento à disciplina financeira e à capacidade de gestão das fazendas.

O que aconteceu

Em entrevista ao AgFeed/CNN Money, o diretor de Agronegócio do Itaú BBA afirma que a "tempestade" vivida pelo setor, com forte pressão sobre caixa e fluxo de pagamento, está no fim para boa parte dos clientes mais capitalizados e organizados.

Segundo ele, os casos de recuperação judicial no agro tendem a diminuir, à medida que produtores e bancos renegociam dívidas e ajustam prazos, especialmente após o choque de custos de insumos e o recuo dos preços internacionais das commodities.

O banco, porém, mantém preocupação com a inadimplência entre médios produtores, que ainda enfrentam dificuldade de acesso ao custeio e dependem mais de crédito bancário e tradings. A estratégia declarada é crescer a carteira, mas com foco em clientes com gestão mais estruturada e histórico de adimplência.

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Por que importa para o agro

Para o produtor, a mensagem central é clara: o crédito continua disponível, mas não para todos. Quem tem boa gestão de caixa, controle de custos e estratégia comercial tende a seguir financiado e até ampliar limites, enquanto operações mais alavancadas ou desorganizadas podem enfrentar corte de linhas e juros maiores.

Na cadeia como um todo, a postura mais seletiva do Itaú BBA, um dos maiores financiadores do agro no país, funciona como termômetro de risco. Em um cenário de margens comprimidas e volatilidade de preços, bancos reforçam filtros, o que pode acelerar a consolidação de áreas e empresas e pressionar produtores médios e menos capitalizados.

Dados e contexto

Relatórios recentes do próprio Itaú BBA indicam cenário de margens menores para as principais culturas na safra 2025/26, com custos ainda elevados e preços internacionais pressionados.

A combinação de juros altos com aumento do custo de produção, especialmente fertilizantes e defensivos, reduziu a folga financeira do produtor. Dados da Conab e da Embrapa mostram que, mesmo com produtividade elevada em soja, milho e algodão nos últimos ciclos, o ganho de renda foi parcialmente consumido pelo encarecimento dos insumos.

O banco projeta crescimento da carteira agro em torno de 10% ao ano, mas com concentração em segmentos considerados mais resilientes, como sucroenergia, proteínas e projetos ligados a biocombustíveis. Agricultores com exposição maior a grãos e menos diversificação sentem mais a pressão de preços e da volatilidade cambial.

No crédito rural oficial, o Plano Safra do Ministério da Agricultura (MAPA) e do Tesouro continua sendo pilar importante, mas não cobre toda a demanda. USDA e IBGE apontam que o Brasil segue entre os maiores produtores e exportadores globais de soja, milho e carnes, o que mantém interesse de bancos e tradings, porém com foco crescente em análise de risco individual por cliente.

O que observar daqui pra frente

Produtores precisam acompanhar de perto três pontos: evolução dos indicadores de inadimplência no sistema financeiro, mudanças nas políticas de crédito dos grandes bancos e movimentos de preço das principais commodities. Quem conseguir travar custos, utilizar bem instrumentos de hedge e apresentar maior transparência contábil tende a garantir melhores condições de financiamento e sobreviver com mais conforto ao próximo ciclo.

Fontes

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