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J&F compra a Avibras e entra de vez na indústria de defesa

Holding dos irmãos Batista assume o controle da Avibras e amplia diversificação do grupo com impacto indireto sobre o agronegócio.

22 de agosto de 2026 4 min de leitura
J&F compra a Avibras e entra de vez na indústria de defesa

A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou a compra de 100% da Avibras, uma das principais fabricantes brasileiras de sistemas de foguetes, mísseis e equipamentos de defesa. A operação, feita via Globe Investimentos, ainda depende de aprovação do Cade, mas consolida a entrada do grupo, controlador da JBS, em um setor estratégico da economia.

O que aconteceu

A J&F estruturou a aquisição por meio da Nova AVB S.A., holding criada no processo de reestruturação da Avibras, que passou por forte crise financeira e entrou em recuperação judicial nos últimos anos.[1][12][13]

O negócio envolve a transferência da totalidade das ações da Nova AVB para a Globe Investimentos, veículo de investimento ligado ao grupo, que passará a controlar indiretamente a Avibras Aeroco, nova denominação da empresa.[1][11][13]

A Avibras informou ao mercado que já foi notificada da operação e que a transação foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que precisa autorizar o fechamento para que o controle seja, de fato, transferido.[2][8][13]

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Por que importa para o agro

O movimento reforça a estratégia da família Batista de diversificar receitas para além da proteína animal, utilizando capital gerado principalmente pela JBS, maior processadora de carne do mundo.[8][9] Ao entrar em defesa, o grupo ganha acesso a contratos de longo prazo com o Estado, tecnologia de ponta e possibilidade de sinergias em logística, siderurgia e fornecimento de aço e componentes.

Para o produtor rural, o impacto é indireto, mas relevante. A solidez financeira da J&F tem peso sobre investimentos em frigoríficos, crédito a integrados, programas de sustentabilidade e origem da carne. Ao ampliar a atuação em setores estratégicos, o grupo tende a reforçar sua capacidade de captar recursos, o que pode influenciar taxas de financiamento, expansão de plantas e demanda por gado, aves e suínos.

Dados e contexto

A Avibras é uma empresa fundada em 1961, especializada em sistemas de artilharia e defesa, foguetes, mísseis e veículos militares, com sede em Jacareí (SP).[3][13]

A companhia é considerada uma das maiores indústrias bélicas do país e mantém contratos com o Exército Brasileiro, fornecendo sistemas como lançadores múltiplos de foguetes de médio e longo alcance.[3][14]

Nos últimos anos, a Avibras enfrentou dificuldades, entrou em recuperação judicial e precisou de uma captação de cerca de R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito para seguir operando, transação que já teve participação de Joesley Batista antes da compra integral.[12]

A estrutura simplificada da operação pode ser resumida assim:

Ativo/InstituiçãoPapel na operação
J&F / Globe InvestimentosComprador e novo controlador indireto
Nova AVB S.A.Holding que concentra as ações da Avibras Aeroco
CadeÓrgão que analisa concorrência e precisa aprovar o negócio
Fundo Brasil CréditoAntigo controlador e articulador da reestruturação

Enquanto o valor da transação não foi divulgado em nenhuma das comunicações públicas, o mercado enxerga a Avibras como ativo estratégico, à semelhança de outras empresas de defesa que integram a base industrial militar do país.[1][5][6][8]

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes do agronegócio devem acompanhar três pontos: a decisão do Cade sobre a operação, o impacto da diversificação da J&F na alocação de capital entre carnes, energia, mineração e defesa, e a evolução da governança de um grupo que concentra negócios em setores sensíveis. Mudanças na capacidade de investimento, no custo de capital e na imagem internacional da JBS e da J&F podem afetar acesso a mercados, exigências ambientais e condições de financiamento para toda a cadeia do agro.

Fontes

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