Manejo

Joaninhas avançam no controle biológico de pragas em lavouras de SP

Produtores paulistas ampliam uso de joaninhas como controle biológico de pulgões e cochonilhas, reduzindo inseticidas e custos no manejo de pragas.

16 de maio de 2026 4 min de leitura
Joaninhas avançam no controle biológico de pragas em lavouras de SP

Produtores de São Paulo estão apostando nas joaninhas como aliadas no combate a pulgões e cochonilhas, reduzindo a dependência de inseticidas químicos. O uso desses predadores naturais cresce em hortaliças, frutíferas e grãos, com impacto direto em custos de manejo, qualidade dos alimentos e sustentabilidade das áreas produtivas.

O que aconteceu

Lavouras paulistas vêm adotando o controle biológico com joaninhas em escala maior, substituindo parte das aplicações de inseticidas de amplo espectro. A prática se espalha em propriedades de diferentes portes, em especial em sistemas mais intensivos, como hortaliças e culturas perenes.

A adoção envolve tanto a liberação direcionada de joaninhas criadas em biofábricas quanto a conservação das populações nativas, com ajustes no manejo de agroquímicos. Técnicos relatam redução de infestações de pulgões e cochonilhas, pragas que causam perdas de produtividade e favorecem doenças virais.

O interesse cresceu com o avanço do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e com as pressões de mercado por alimentos com menor resíduo químico. Produtores relatam maior equilíbrio ecológico nas áreas, menor necessidade de reentrada para pulverizações e melhoria na imagem comercial junto a compradores mais exigentes.

Por que importa para o agro

O uso de joaninhas ajuda a reduzir custos com inseticidas e aplicações, principalmente onde o controle químico é frequente. Em um cenário de insumos caros, qualquer diminuição de volume aplicado e de passadas de pulverizador impacta diretamente a margem do produtor.

Há também ganho em acesso a mercados. Redes varejistas e compradores institucionais valorizam produtos com menor uso de químicos e maior apelo socioambiental. Sistemas com controle biológico estruturado tendem a se adaptar mais facilmente a certificações exigidas por programas de compra, exportação e nichos de maior valor agregado.

Dados e contexto

O controle biológico já é realidade em diversas cadeias do agro brasileiro. Segundo a Embrapa, o país é hoje um dos maiores mercados de agentes biológicos do mundo, com crescimento anual de dois dígitos na última década, puxado por soja, cana, milho, hortaliças e fruticultura.

As joaninhas atuam como predadoras naturais de pulgões, cochonilhas e outros insetos sugadores. Um único indivíduo pode consumir dezenas de presas por dia, dependendo da espécie e das condições de campo. Esse controle direto reduz a multiplicação das pragas e a transmissão de viroses em culturas sensíveis.

Para funcionar, porém, é preciso compatibilizar joaninhas com o restante do manejo. Adoção de MIP, monitoramento frequente e escolha de produtos seletivos são pontos centrais. Inseticidas de amplo espectro aplicados sem critério eliminam tanto as pragas quanto os inimigos naturais, anulando o benefício das liberações ou da fauna útil presente na área.

Em linhas gerais, o pacote envolve:

  • Monitorar pragas e inimigos naturais com armadilhas e inspeções
  • Definir níveis de ação antes de aplicar produtos
  • Priorizar inseticidas seletivos e em janelas específicas
  • Manter áreas de refúgio e vegetação que favoreçam joaninhas e outros predadores
Experiências relatadas em propriedades de SP indicam queda no número de aplicações de inseticidas em áreas com controle biológico bem estruturado. Embora os resultados variem por cultura e ano, técnicos citam reduções relevantes em lavouras onde antes o manejo era quase exclusivamente químico.

O que observar daqui pra frente

Produtores interessados em adotar joaninhas devem acompanhar a oferta de biofábricas, a capacitação em MIP e as exigências de compradores em relação a resíduos. A integração entre controle biológico, monitoramento e uso racional de químicos tende a se consolidar como padrão competitivo, abrindo espaço para quem se adiantar no ajuste do manejo e dominar a tecnologia de campo.

Fontes

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