Joaninhas avançam no controle biológico de pragas em lavouras de SP
Produtores paulistas ampliam uso de joaninhas como controle biológico de pulgões e cochonilhas, reduzindo inseticidas e custos no manejo de pragas.

Produtores de São Paulo estão apostando nas joaninhas como aliadas no combate a pulgões e cochonilhas, reduzindo a dependência de inseticidas químicos. O uso desses predadores naturais cresce em hortaliças, frutíferas e grãos, com impacto direto em custos de manejo, qualidade dos alimentos e sustentabilidade das áreas produtivas.
O que aconteceu
Lavouras paulistas vêm adotando o controle biológico com joaninhas em escala maior, substituindo parte das aplicações de inseticidas de amplo espectro. A prática se espalha em propriedades de diferentes portes, em especial em sistemas mais intensivos, como hortaliças e culturas perenes.
A adoção envolve tanto a liberação direcionada de joaninhas criadas em biofábricas quanto a conservação das populações nativas, com ajustes no manejo de agroquímicos. Técnicos relatam redução de infestações de pulgões e cochonilhas, pragas que causam perdas de produtividade e favorecem doenças virais.
O interesse cresceu com o avanço do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e com as pressões de mercado por alimentos com menor resíduo químico. Produtores relatam maior equilíbrio ecológico nas áreas, menor necessidade de reentrada para pulverizações e melhoria na imagem comercial junto a compradores mais exigentes.
Por que importa para o agro
O uso de joaninhas ajuda a reduzir custos com inseticidas e aplicações, principalmente onde o controle químico é frequente. Em um cenário de insumos caros, qualquer diminuição de volume aplicado e de passadas de pulverizador impacta diretamente a margem do produtor.
Há também ganho em acesso a mercados. Redes varejistas e compradores institucionais valorizam produtos com menor uso de químicos e maior apelo socioambiental. Sistemas com controle biológico estruturado tendem a se adaptar mais facilmente a certificações exigidas por programas de compra, exportação e nichos de maior valor agregado.
Dados e contexto
O controle biológico já é realidade em diversas cadeias do agro brasileiro. Segundo a Embrapa, o país é hoje um dos maiores mercados de agentes biológicos do mundo, com crescimento anual de dois dígitos na última década, puxado por soja, cana, milho, hortaliças e fruticultura.
As joaninhas atuam como predadoras naturais de pulgões, cochonilhas e outros insetos sugadores. Um único indivíduo pode consumir dezenas de presas por dia, dependendo da espécie e das condições de campo. Esse controle direto reduz a multiplicação das pragas e a transmissão de viroses em culturas sensíveis.
Para funcionar, porém, é preciso compatibilizar joaninhas com o restante do manejo. Adoção de MIP, monitoramento frequente e escolha de produtos seletivos são pontos centrais. Inseticidas de amplo espectro aplicados sem critério eliminam tanto as pragas quanto os inimigos naturais, anulando o benefício das liberações ou da fauna útil presente na área.
Em linhas gerais, o pacote envolve:
- Monitorar pragas e inimigos naturais com armadilhas e inspeções
- Definir níveis de ação antes de aplicar produtos
- Priorizar inseticidas seletivos e em janelas específicas
- Manter áreas de refúgio e vegetação que favoreçam joaninhas e outros predadores
O que observar daqui pra frente
Produtores interessados em adotar joaninhas devem acompanhar a oferta de biofábricas, a capacitação em MIP e as exigências de compradores em relação a resíduos. A integração entre controle biológico, monitoramento e uso racional de químicos tende a se consolidar como padrão competitivo, abrindo espaço para quem se adiantar no ajuste do manejo e dominar a tecnologia de campo.
Fontes
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