Tecnologia

Levedura da Unicamp promete turbinar etanol de milho

Nova levedura geneticamente modificada da Unicamp pode elevar a eficiência e reduzir custos na produção de etanol de milho.

06 de setembro de 2026 4 min de leitura
Levedura da Unicamp promete turbinar etanol de milho

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma levedura geneticamente modificada capaz de aumentar a eficiência da fermentação do milho para produção de etanol, reduzindo a necessidade de enzimas comerciais e aproveitando melhor o amido que hoje se perde no processo tradicional. A tecnologia pode elevar o rendimento das usinas usando a mesma quantidade de milho, cortar custos operacionais e reforçar a competitividade do etanol de milho numa matriz de biocombustíveis cada vez mais disputada.

O que aconteceu

O grupo da Unicamp identificou enzimas-chave envolvidas na quebra do amido de milho e inseriu os genes dessas enzimas em uma levedura industrial de uso já consolidado no setor de biocombustíveis. O resultado foi uma nova linhagem capaz de produzir, durante a fermentação, alfa-amilase e glucoamilase, enzimas que dispensam ou reduzem a adição externa no processo.

Em testes de bancada, a levedura mostrou desempenho superior às linhagens convencionais: conseguiu quebrar parte do amido residual que costuma ser descartado e manteve a produção de etanol sem perda de desempenho. Na prática, isso significa mais litros de etanol por tonelada de milho moída, com potencial de economia na compra de enzimas comerciais e melhor uso da capacidade instalada das usinas.

Por que importa para o agro

O etanol de milho já responde por cerca de 20% da produção nacional de etanol, segundo dados recentes de mercado, e vem crescendo apoiado na expansão da safrinha e na oferta de grão em regiões de forte presença das usinas. Ganhos de eficiência na fermentação ajudam a melhorar a margem das unidades produtivas sem exigir mais área plantada ou grande investimento em infraestrutura.

Para o produtor rural, uma indústria de etanol de milho mais eficiente tende a sustentar a demanda pelo grão, reduzir o risco de ociosidade das plantas e fortalecer contratos de longo prazo. A combinação de tecnologia de leveduras com o excedente de milho pode ainda reduzir a volatilidade de preços em regiões onde o cereal encontra forte concorrência da exportação e da demanda interna para ração.

Dados e contexto

O Brasil tem se consolidado como referência em biocombustíveis, com destaque para o etanol de cana. A entrada do etanol de milho complementa essa oferta e aproveita períodos de entressafra da cana, quando usinas podem operar com outras matérias-primas.

Pesquisas da Unicamp e de outras instituições já mostraram que microrganismos recombinantes podem:

  • Aumentar o rendimento de etanol sem ampliar o consumo de matéria-prima.
  • Reduzir o volume de subprodutos indesejáveis e melhorar a estabilidade da fermentação.
  • Diminuir custos operacionais ao cortar etapas ou insumos, como enzimas comerciais.
Em iniciativas de mercado ligadas a leveduras avançadas, testes industriais vêm indicando ganhos próximos de 8% a 9% de produtividade em etanol e aumento da viabilidade celular em torno de 20%, números que sinalizam o potencial dessa linha de pesquisa para o etanol de milho.
Indicador em usinas de etanolPotencial efeito da nova levedura
Consumo de enzimas comerciaisQueda relevante, com produção interna pelas leveduras
Rendimento por tonelada de milhoAlta, com aproveitamento do amido residual
Custo operacional por litro de etanolRedução pela menor compra de insumos
Uso da capacidade instaladaMaior estabilidade de produção ao longo do ano

Com o crescimento da demanda global por combustíveis renováveis e metas de descarbonização, tecnologias que aumentam o rendimento por hectare e por tonelada de grão têm peso estratégico para a competitividade do agro brasileiro.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos dependem da validação em escala industrial, da aprovação regulatória para uso de leveduras geneticamente modificadas e da capacidade das usinas de incorporar essa tecnologia sem grandes adaptações de processo. Produtores e indústrias devem acompanhar de perto resultados de campo, custos de adoção e impactos sobre contratos de fornecimento de milho, avaliando oportunidades de ganhos de eficiência e possíveis exigências adicionais em rastreabilidade e sustentabilidade.

Fontes

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