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Liberação de seguro rural despenca 63% e acende alerta no campo

Indenizações do seguro rural caem 63% em 2025, segundo FGV Agro, e aumentam o risco financeiro para produtores em plena safra.

18 de maio de 2026 4 min de leitura
Liberação de seguro rural despenca 63% e acende alerta no campo

Os recursos efetivamente pagos pelo seguro rural caíram 63% em 2025 em relação a 2024, segundo levantamento da FGV Agro. A queda nas indenizações vem após dois anos de forte sinistralidade e ocorre em um cenário ainda marcado por volatilidade climática, o que pressiona o caixa de produtores e pode encarecer o crédito rural nas próximas safras.

O que aconteceu

Levantamento da FGV Agro mostra que o valor liberado em indenizações do seguro rural em 2025 recuou 63% na comparação com o mesmo período de 2024. A redução está ligada a uma safra menos afetada por eventos extremos, como La Niña e seca severa, que elevaram os sinistros em anos anteriores.

Com menor ocorrência de perdas generalizadas, as seguradoras pagaram menos indenizações e reduziram a pressão sobre seus balanços. Ao mesmo tempo, o recuo ocorre em um momento em que muitos produtores ainda se recuperam de quebras recentes de safra e enfrentam custos elevados de produção.

Outro ponto destacado pela FGV Agro é que a queda nas indenizações não significa, automaticamente, maior conforto para o produtor. Em diversas regiões, problemas localizados de clima continuam afetando produtividade, mas nem todos os agricultores estão adequadamente cobertos por apólices ou com níveis de cobertura suficientes.

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Por que importa para o agro

Menos recursos liberados pelo seguro rural significam menor alívio financeiro para produtores que enfrentam perdas pontuais de safra. Para quem tem dívidas de custeio e investimento, a ausência da indenização aumenta o risco de inadimplência e pressiona renegociações junto a bancos e tradings.

Para o mercado, a redução de sinistros tende a aliviar o custo das seguradoras e pode, no médio prazo, estabilizar prêmios. Mas se a percepção for de que o produtor está subsegurado, instituições financeiras podem encurtar prazos, exigir mais garantias e selecionar melhor quem recebe crédito, afetando sobretudo pequenos e médios.

Dados e contexto

Nos últimos anos, o seguro rural passou a ser peça central na política agrícola, ao lado do crédito rural subsidiado.

  • A subvenção ao prêmio do seguro rural, via Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), tem sido prioridade do MAPA para ampliar a área segurada.
  • Segundo o MAPA, o orçamento do PSR tem oscilado e, em alguns anos, os recursos acabaram antes do fim da safra, limitando a contratação.
  • Estudo da FGV Agro aponta que 94% dos subsídios financeiros ao agro ainda se concentram em crédito rural e seguro, o que mostra a dependência do setor dessas políticas.
  • A Conab estima safras cada vez mais volumosas, aumentando a exposição do sistema a riscos climáticos sem uma cobertura robusta de seguro em todo o território.
A experiência recente de secas e excesso de chuvas em regiões produtoras deixou claro que o seguro rural é ferramenta de gestão de risco, não apenas custo. Nos anos de forte quebra, as indenizações foram decisivas para manter operações em pé, especialmente em grãos e frutas.
IndicadorTendência recente

| Indenizações pagas (2025 x 2024) | -63% segundo FGV Agro | | Foco dos subsídios ao agro | Crédito rural + seguro (94%) | | Volatilidade climática | Alta, com eventos extremos recorrentes |

Esse cenário reforça a necessidade de integrar seguro rural, crédito e tecnologia de monitoramento climático, inclusive com apoio de programas como o Plano ABC+ e iniciativas de agricultura de baixo carbono, que podem reduzir riscos físicos no campo.

O que observar daqui pra frente

Produtores precisam acompanhar a política de subvenção ao prêmio, a oferta de produtos pelas seguradoras e as exigências dos bancos para custeio e investimento. A tendência é que crédito fique cada vez mais atrelado à contratação de seguro, ao histórico climático da região e ao nível de gestão de risco da fazenda, abrindo espaço para quem tiver planejamento financeiro sólido, uso de tecnologia e diversificação de atividades.

Fontes

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