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Liquidez aumenta, mas preços do etanol seguem em queda em São Paulo

Mercado de etanol em São Paulo ganha ritmo nas vendas, mas indicadores Cepea/Esalq recuam com maior oferta nas usinas.

28 de julho de 2026 4 min de leitura
Liquidez aumenta, mas preços do etanol seguem em queda em São Paulo

O mercado de etanol nas usinas de São Paulo registrou aumento de negócios, mas as cotações seguem em queda, pressionadas pela maior oferta do biocombustível. Levantamento do Cepea/Esalq mostra recuo semanal dos preços, mesmo com avanço das vendas, em linha com o padrão recente de safra em que volumes maiores não se traduzem em alta de preços.[5][6]

O que aconteceu

Na última semana, o Cepea apurou que o volume de etanol hidratado negociado nas usinas paulistas cresceu, indicando maior liquidez no mercado spot. As distribuidoras aproveitaram o cenário de preços mais baixos para reforçar estoques, o que sustentou o ritmo dos negócios.[5][6]

Apesar da melhora na demanda, os indicadores de preço do etanol recuaram. Em um dos levantamentos recentes, o hidratado caiu cerca de 2,5% a 2,8% na comparação semanal, enquanto o anidro também registrou baixa em torno de 1,6% a 2,6%, sempre em valores líquidos de ICMS e PIS/Cofins.[5][6]

O movimento é consistente com outros períodos de safra, em que o avanço da moagem de cana e a maior disponibilidade de produto aumentam a oferta e limitam repasses de preço, mesmo quando as vendas reagem.[4][5][6]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de cana e para as usinas, a combinação de maior liquidez e preços mais baixos pressiona margens industriais, especialmente em unidades mais alavancadas ou com custo elevado de produção. Em momentos de safra cheia, o poder de barganha tende a ficar mais concentrado nas distribuidoras, que compram com maior seletividade.[4][5]

Já para o varejo e para o consumidor final, a queda nos preços nas usinas abre espaço para recuo nas bombas e melhora a competitividade do etanol frente à gasolina. Quando o biocombustível se aproxima ou fica abaixo de 70% do preço da gasolina, o consumo tende a migrar para o etanol, o que pode ajudar a escoar parte do excedente de oferta e reduzir pressões de estoque nas unidades.[3][5]

Dados e contexto

Levantamentos recentes do Cepea em São Paulo mostram um padrão de venda forte com preços em baixa:

Indicador Cepea/Esalq (SP)Preço médio (R$/L, líquido)Variação semanal
Etanol hidratado (spot)~**2,07 a 2,61**queda de **2,5% a 2,8%**[5][6]
Etanol anidro (spot)~**2,38 a 3,05**queda de **1,6% a 2,6%**[5][6]

Em outro episódio de forte pressão, o hidratado chegou a cair 7,01% em uma única semana, para R$ 2,5920/litro, enquanto o anidro recuou 7,43%, a R$ 2,9575/litro – patamar abaixo de R$ 3,00 pela primeira vez em meses.[4]

No recorte de trimestre, já houve registros de queda real de mais de 12% nas médias do hidratado e do anidro em relação ao ano anterior, considerando inflação, reflexo direto do aumento de oferta na safra e da estratégia das usinas entre açúcar e etanol.[3]

Esse contexto é influenciado por fatores como:

  • avanço da moagem de cana-de-açúcar e, em menor escala, de milho para etanol;
  • decisões das usinas entre produzir mais açúcar ou biocombustível, de acordo com preços na Bolsa de Nova York e no mercado interno;
  • comportamento da demanda no varejo, sensível à relação de preços com a gasolina.

O que observar daqui pra frente

Os agentes do agro devem acompanhar de perto a evolução da moagem na safra, a relação de preços entre açúcar e etanol e a velocidade de repasse das quedas nas usinas para as bombas. Se a oferta seguir forte e o consumo não reagir na mesma proporção, novas quedas de preços podem ocorrer, ampliando a pressão sobre margens industriais, mas abrindo oportunidades para ganho de competitividade do etanol na matriz de combustíveis.

Fontes

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