Lula reforça soberania do Brasil na exploração de terras raras
Presidente defende controle nacional sobre terras raras e abre espaço para parcerias externas, tema estratégico para o agro e a indústria de tecnologia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que a exploração de terras raras no Brasil deve ocorrer sob controle nacional, com abertura para parcerias internacionais apenas se respeitada a soberania do país. O tema é estratégico porque envolve insumos críticos para tecnologias de ponta, transição energética e maquinário agrícola, com impacto direto na competitividade da agroindústria brasileira.
O que aconteceu
Em agenda oficial, Lula destacou que o Brasil não pode repetir o passado de exportar apenas minério bruto e perder valor agregado. Segundo ele, investimentos estrangeiros são bem-vindos, desde que incluam transferência de tecnologia, geração de empregos locais e cadeia industrial instalada no território nacional.
O presidente citou as terras raras como exemplo de recurso que precisa ser melhor aproveitado internamente. A prioridade, segundo o discurso, é garantir que a extração venha acompanhada de processamento, produção de componentes e participação da indústria brasileira em produtos de maior valor, como motores elétricos, imãs permanentes e equipamentos de alta tecnologia.
O governo também sinalizou que a política para o setor deve envolver coordenação entre União, estados e iniciativa privada. A diretriz é combinar exploração mineral com exigências ambientais e sociais mais rígidas, reduzindo o risco de conflitos fundiários e danos a biomas estratégicos.
Por que importa para o agro
Terras raras são essenciais para motores elétricos, baterias, sensores e eletrônicos presentes em maquinário agrícola moderno, drones, sistemas de precisão e veículos off-road híbridos ou elétricos. Se o Brasil organizar uma cadeia interna de terras raras, pode reduzir custos de importação de componentes e aumentar a oferta de tecnologia embarcada para o campo.
Além disso, uma política clara de exploração reduz incertezas para investidores em mineração, fertilizantes especiais e equipamentos agrícolas. Com mais previsibilidade regulatória, o agro pode ter acesso a máquinas mais eficientes, sistemas de monitoramento e soluções digitais com menor dependência de mercados externos, como China e União Europeia.
Dados e contexto
Terra rara não é um mineral único, mas um grupo de 17 elementos químicos usados em alta tecnologia. Hoje, a produção mundial é concentrada:
| Indicador (aprox. 2023, USDA/USGS) | Valor |
|---|---|
| Participação da China na produção global de terras raras | **≈70%** |
| Exportações chinesas de terras raras processadas | >60% do mercado global |
| Reservas brasileiras de terras raras estimadas | Entre as **10 maiores** do mundo |
Pesquisas da CPRM (Serviço Geológico do Brasil) e da Embrapa apontam potencial para ocorrência de terras raras associadas a fosfatos e outros minérios usados em fertilizantes. Isso abre espaço para integração entre mineração, indústria química e cadeia de insumos agrícolas.
A transição energética também puxa a demanda. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo de elementos de terras raras pode triplicar até 2040 em cenários de expansão de energia eólica, solar e veículos elétricos. O agro, grande consumidor de energia e logística, tende a ser impactado por mudanças na matriz energética e pela oferta de equipamentos mais eficientes.
No Brasil, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços discutem uma estratégia para minerais críticos, que inclui terras raras, lítio, níquel e cobalto. A ideia é conectar essa agenda com a política industrial verde e com cadeias como agro, energia e mobilidade.
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas do agro devem acompanhar a definição de regras para mineração de terras raras, licenciamento ambiental e exigências de conteúdo local em novos projetos. Se o governo conseguir atrair investimentos com processamento no país, pode surgir um ambiente mais favorável para máquinas agrícolas de alta tecnologia produzidas aqui, com menor volatilidade de preços e maior autonomia em relação ao mercado externo.
Fontes
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